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sexta-feira, 8 de junho de 2012

Boletim Ecetistas em Luta Edição Nacional

Clique aqui para acessar a versão em PDF.



Boletim Ecetistas em Luta Edição Pernambuco

Veja aqui o boletim que está sendo distribuído para os trabalhadores na base do Sintect-PE, denunciando o a política criminosa do PCdoB e o PSTU em dividir os trabalhadores.


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Defender a unidade da categoria para derrotar os sindicalistas traidores do PCdoB - Articulação/PT


Democratizar a Fentect, colocá-la a serviço da nossa luta, barrar a privatização e fazer vitoriosa a nossa campanha salarial. Leia a declaração aprovada pelos sindicatos e grupos de oposição para o XI Contect 


Leia na íntegra a declaração aprovada pelos sindicatos e grupos de oposição, reunidos em plenária na última segunda-feira, em São Paulo.
"Declaração aos Trabalhadores dos Correios

Defender a unidade da categoria para derrotar os sindicalistas traidores do PCdoB - Articulação/PT

Democratizar a Fentect, colocá-la a serviço da nossa luta, barrar a privatização e fazer vitoriosa a nossa campanha salarial

Reunidos em São Paulo, para debater a situação da nossa categoria às vésperas da realização do XI Contect (Congresso Nacional dos Trabalhadores dos Correios), dirigentes sindicais e ativistas representantes da base de 21 Sintects: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Campinas, Uberaba, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Espírito Santo, Piauí, Paraíba, Ceará, Ribeirão Preto, Sergipe, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Amazonas, Juiz de Fora, Tocantins e Roraima com diversas correntes de oposição dentro da categoria e representando cerca de 40% dos delegados eleitos para o Congresso deliberamos formalizar um bloco de oposição à burocracia traidora do PT/Articulação - PCdoB que ainda detém o controle da Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios). Entre os quais 11 integrantes ou representantes de diretorias de sindicatos e da Fentect.

A crise da nossa organização sindical

Essa burocracia é a responsável pelas maiores derrotas e traições à nossa categoria nos últimos anos, como na combativa greve de 28 dias, no ano passado, e a fraudulenta assinatura do acordo bianual (2009-2011), em oposição à vontade da maioria da categoria e, por isso, nos dirigimos aos ecetistas de todo o País para fazer um chamado à unidade da categoria e de todos os setores que se reivindicam de oposição e a favor da defesa dos interesses dos trabalhadores em prol de uma luta nacional pela derrota desta burocracia traidora e pela vitória dos trabalhadores no Contect e nas lutas da categoria e por uma completa transformação no funcionamento da federação nacional para coloca-la sob o controle das bases e a serviço das lutas.

Nossa união é nossa força! Não à divisão da categoria

O Contect vai se realizar no momento de enorme crise da burocracia com rachas no PCdoB e PT/Articulação e com setores do PCdoB e do PSTU/Conlutas defendendo a ruptura com a Fentect e a criação de outras federações, ou seja, a destruição da nossa unidade nacional, duramente conquistada na luta.
Depois de entregarem nossas campanhas salariais e outras lutas (PCCS, Postalis etc.) esses traidores à serviço dos patrões querem destruir uma das maiores conquistas da luta da nossa categoria: a unidade nacional dos trabalhadores dos correios em um único movimento nacional.
Nos últimos anos percebemos claramente que um dos maiores avanços que os trabalhadores podem alcançar  é o avanço na sua consciência e na sua organização na luta contra os patrões. Nossa experiência nos levou a conquistar nossa organização nacional, com a formação de uma entidade única, que possibilitou à categoria por meio de sua luta nacional,  obter importantes conquistas e barrar a privatização dos Correios, o que não foi possível em muitas outras categorias que foram divididas pela política patronal de suas direções.
Todo trabalhador sabe que a união é a nossa maior arma na luta contra os patrões e seu governo. Somos uma só categoria, trabalhamos em uma única empresa, com um mesmo patrão e só os traidores podem defender a nossa divisão em inúmeras campanhas salariais.
Nossa unidade está ameaçada pela ação criminosa do PCdoB, que à frente dos sindicatos importantes como os de SP e do RJ e no controle da própria federação (junto com a Articulação/PT) traiu todas as nossas lutas, aprovou o acordo bianual e apoiou a privatização da empresa, o SAP e todas as medidas contra os trabalhadores.
Diante da revolta da categoria contra suas traições e com medo de serem derrotados pela oposição, esses traidores passaram a defender abertamente a divisão da federação nacional e a construção de novas “federações”, com o claro objetivo de defender os interesses dos patrões e do governo em dividir os trabalhadores e enfraquecer nossa luta.
Esta operação da quadrilha de bandidos do PCdoB/CTB de defender a divisão dos trabalhadores a serviço dos patrões, está sendo apoiada por outra ala minoritária da burocracia sindical, do PSTU/Conlutas, que não só adotou a política reacionária de aplaudir a iniciativa dos traidores do PCdoB, como também defende a construção de “sua” própria federação, conhecida na categoria por “federação anã”, por agrupar pouco mais de 5% dos trabalhadores dos correios.
Um golpe de poucos dirigentes sindicais de apenas cinco sindicatos, nos quais a categoria não está sequer informada do que está sendo feito em seu nome e não foi consultada sobre tal medida. Em alguns casos (como o da Paraíba) conta com a rejeição explicita até mesmo da maioria dos diretores da entidade.
Chamamos os trabalhadores dos correios de todo o país a repudiarem o ataque à nossa luta que representa esta política divisionista e a defender essa que é a nossa principal arma: nossa união e nossa organização nacional.
Contra esta política divisionista propomos avançar na nossa unificação, passando por cima da divisão que a burocracia procura impor, fortalecendo a organização nacional dos trabalhadores dos Correios, o que deve ser amplamente debatido nos locais de trabalho, em assembleias e congressos regionais da categoria em todo o País.

Recuperar a Fentect para a luta

Necessitamos de uma reorganização completa da organização sindical da nossa categoria criando e fortalecendo, além da entidade nacional, organizações locais, municipais e regionais mais adequadas para a luta e efetivamente colocar a luta nacional sob o controle das bases.
Esta é a luta que propomos a todos os trabalhadores dos correios e não o engodo patronal da divisão da categoria. Nos propomos a lutar e mobilizar os trabalhadores até que os traidores sejam completamente derrotados e a nossa organização nacional colocada sob o controle das bases e a serviço da luta

Organizar a categoria na luta contra a privatização, pela base em SP, RJ e todo o País

Toda esta operação criminosa de setores da burocracia de dividir a categoria e enfraquecer sua luta se dá no exato momento de avanço da crise capitalista, quando os tubarões capitalistas e seus governos querem impor a privatização dos Correios, seus planos de aumento da exploração dos trabalhadores (SAP e outros) e de ataque às conquistas realizadas nas nossas lutas (plano médico e outros).
Um dos pilares fundamentais da luta da nossa categoria é o eixo Rio-SP, cujos sindicatos estão nas mãos dos patrões, através do PCdoB.  Nosso bloco defende que o Contect não só deve repudiar a divisão da categoria, como também adote medidas para expulsar desses sindicatos e de todas as organizações sindicais do País estes traidores e recuperar estes sindicatos para os trabalhadores que são os seus legítimos donos.
Contra a política divisionista das diretorias pelegas de SP e RJ (e outros), organizar oposições que defendam a unidade da organização e da luta da categoria nas bases desses sindicatos e impulsionar pela base a organização da mobilização da categoria contra a privatização em defesa das reivindicações dos ecetistas.
Na base destes sindicatos é preciso também construir oposições classistas unificadas para expulsar os pelegos traidores dos sindicatos e retomar essas organizações locais para as mãos dos trabalhadores.

Contra a divisão, revolucionar a organização da categoria e colocar as direções e o comando sob o controle dos trabalhadores

Contra o monopólio da burocracia, propomos revolucionar a organização nacional da categoria, como a ampliação da diretoria da Fentect para cumprir de fato o papel de direção nacional, tornando-a amplamente representativa de todas as regiões e setores. Para pôr fim aos “comandos de negociação” minoritários cujos integrantes foram – em sua grande maioria – comprados pela direção da ECT, com cargos e vantagens nos últimos anos, após as assinaturas de acordos salariais prejudiciais aos trabalhadores, chamamos a eleger um amplo comando de mobilização e negociação, para a próxima campanha salarial, com representantes de todas as bases sindicais – eleitos e revogáveis pelas assembleias da categoria, cujos integrantes (assim como todos dirigentes sindicais) sejam expulsos do movimento sindical dos correios e tratados como traidores caso aceitem qualquer cargo de confiança da direção da empresa. Propomos que o estatuto da Fentect traga a proibição de qualquer dirigente sindical assumir qualquer cargo na empresa durante seu mandato e três anos após o término do mesmo sob pena de processos criminais e indenizações, adiante dos prejuízos trazidos à categoria.
Não há e não pode haver lugar nas organizações sindicais para os carrascos dos trabalhadores, para os que se venderam para os patrões e venderam a luta operária na organização sindical.

A burocracia está em crise: unidade da categoria e de todos os setores de oposição para derrotar a burocracia e levar os trabalhadores à vitória

A burocracia sindical da Fentect e da maioria dos sindicatos controlados pelo bloco traidor PCdoB/CTB-Articulação/PT atravessa a maior crise de sua história, resultado da experiência de uma grande parcela da categoria com a sua traição a serviço dos patrões.
A burocracia do PCdoB-Articulação/PT chega ao congresso amplamente repudiada pela categoria, dividida e abatida por uma redução da sua bancada. Ao contrário do último congresso, no qual os setores de oposição tiveram apenas cerca de 25% dos delegados contra 75% de delegados do bloco PCdoB-PT, nesse Contect, a bancada dos setores que se declaram de oposição está próxima de 50%, um crescimento de 100%, com possibilidades de derrotar a burocracia traidora.
Isso reflete parcialmente a situação na base da categoria, onde esses sindicalistas traidores do bloco majoritário são amplamente repudiados e não têm mais o apoio dos trabalhadores em lugar algum. A situação não está ainda decidida a favor dos trabalhadores por conta dos mecanismos burocráticos e fraudes no processo de eleição e da capitulação de setores que se declaram de oposição, como o PSTU/Conlutas, que se recusou a participar da eleição de delegados em alguns sindicatos, ajudando a aumentar a bancada dos traidores, deixando claro que a política de ruptura e de fuga é uma tábua de salvação para a ala do sindicalismo vendida para os patrões.

É hora de virar o jogo, de derrotar a burocracia e fazer avançar nossa luta

Os sindicalistas reunidos em SP, militantes de diferentes forças da oposição (Ecetistas em Luta/PCO, MRL, Intersindical, Independentes), chamam todos os trabalhadores e os sindicalistas que se reivindicam de oposição, inclusive da Conlutas, a se somarem à luta para derrubar a burocracia pelega e colocar a Fentect efetivamente sob o controle das bases,  estabelecendo uma nova direção para o movimento nacional, que não pode ser uma mera troca de pessoas, mas de métodos, de  organização e de programa.

Organizar a campanha salarial nacional unificada, sob o comando da categoria para derrotar o nazismo do SAP e a privatização

Nossa campanha salarial 2012 vai se dar num quadro de agravamento da crise e de intensificação das lutas operárias no Brasil contra os “planos de austeridade” que representam um aprofundamento do ataque à classe trabalhadora e ao povo.
Já há sinais claros dessa tendência nas lutas dos trabalhadores dos transportes, da construção civil, professores etc.
Propomos que o Contect e as assembleias de base da categoria deliberem um plano de mobilização que se posicione claramente na defesa das reivindicações dos trabalhadores diante da crise, tendo como pontos centrais a luta contra a privatização – para a qual é fundamental chamar a unidade com os petroleiros e outras categorias das empresas estatais e serviços públicos –, a defesa da reposição integral das perdas salariais da categoria, contra as medidas de superexploração adotadas pela direção da ECT: fim do SAP, terceirização, das dobras, defesa do convênio médico e contra o PCCS da escravidão.

Organizar já a campanha salarial

É preciso aprovar a imediata preparação da campanha salarial; começando por organizar assembleias na base dos sindicatos dissidentes para unificar a campanha salarial e convocar um Conrep (Conselho de Representantes) massivo para organizar a greve da categoria para o começo do segundo semestre.
A campanha salarial diz respeito à vida e aos interesses de 150 mil trabalhadores e não pode ser tratada como um assunto privado de meia dúzia de sindicalistas. Para tanto é preciso adotar medidas tais como a distribuição da proposta de pauta aprovada no Congresso em toda a categoria através de uma publicação especial; o aumento do número de membros do Comando Nacional de Mobilização e Negociação com a presença de um representante de cada sindicato (eleito e revogável em assembleia) mais 10 eleitos no Contect ou Conrep e que o acordo coletivo só possa ser assinado com a aprovação de 2/3 dos sindicatos de todo o País.

Trabalhador dos correios, fique de olho no seu interesse!

O XI Congresso não é um assunto de interesse de sindicalistas, mas de todos os trabalhadores. Ali serão tomadas decisões da maior importância para vida dos 150 mil trabalhadores dos correios.
Estaremos informando pela internet o andamento do congresso para que os trabalhadores possam fiscalizar quem está a favor e quem está contra a unidade da categoria, a luta para derrotar os sindicalistas vendidos e patronais e quem está enganando o trabalhador.
Não permita que o seu interesse seja manipulado por pessoas que não têm interesse na nossa luta.


São Paulo, 4 de junho de 2012."
 

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Plenária nacional decide ação comum da oposição no Contect para derrotar o peleguismo


A plenária foi o primeiro passo para unificar a oposição contra os traidores e os que querem destruir a unidade nacional dos trabalhadoresA plenária foi o primeiro passo para unificar a oposição contra os traidores e os que querem destruir a unidade nacional dos trabalhadores 

Cerca de uma semana antes da realização do XI Contect (Congresso Nacional dos Trabalhadores dos Correios) vários grupos que formam a oposição nacional, de vários estados, estiveram presentes em uma primeira Plenária da Oposição em São Paulo.
Estiveram presentes na reunião, cerca de 40 companheiros representando diretorias ou oposições sindicais do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Campinas, Ribeirão Preto, Minas Gerais, Uberaba, Juiz de Fora, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Brasília, Mato Grosso, Goiás, Tocantins, Sergipe, Paraíba, Ceará, Piauí, Amazonas e Roraima.
A forças políticas representadas foram as seguintes: companheiros da corrente Ecetistas em Luta (PCO), companheiros do MRL, companheiros da Intersindical,  da Alternativa Ecetista, do MUTE (RJ) e independentes.
Os integrantes da reunião representam aproximadamente 100 delegados dos 264 eleitos para o XI Congresso da Fentect, ou seja, cerca de 40% do Congresso. Entre as diretorias              representadas na plenária encontrava-se a diretoria do Sintect-MG, neste momento, o maior sindicato da Federação Nacional.
Se considerarmos que a delegação ao Congresso é não apenas baseada em um sistema não proporcional, como em um mecanismo burocrático de representação comum aos sindicatos brasileiros em geral, fica claro que a oposição é amplamente majoritária na base da categoria que tem se levantado de maneira sistemática contra as correntes tradicionais da burocracia sindical, a corrente majoritária do PT, a Articulação Sindical, O PCdoB e o PSTU/Conlutas.

Demonstração de força

A plenária da oposição foi uma demonstração de força política e unidade da oposição contra a burocracia traidora da Articulação/PT e da política divisionista e igualmente traidora do PSTU/Conlutas e do PCdoB, refletindo as tendências de luta na base da categoria.
O que unifica a oposição é justamente essa luta contra a burocracia sindical dos Correios que vem traindo sistematicamente os trabalhadores há anos.
A unidade da oposição é mais importante no momento em que a burocracia sindical entra em uma crise terminal. De um lado, a Articulação/PT em completa crise agravada pela saída da Federação, de seu principal aliado na burocracia da Fentect, o PCdoB. De outro lado, o PCdoB e o PSTU/Conlutas que, diante da mesma crise, estão rompendo com a Fentect na tentativa de dividir o movimento dos trabalhadores e enfraquecer suas tendências de luta.
Vale ressaltar o papel do PSTU/Conlutas que, nesse momento de crise, decide dividir a oposição em uma nítida manobra para ajudar a Articulação a se manter na Fentect.

“A hora é agora!”

A plenária da oposição mostrou um contraste marcante com as reuniões do movimento sindical dos Correios. Foram aproximadamente oito horas de discussão civilizada, de troca de opiniões, de formulação de propostas de maneira de maneira democrática, permitindo que todos se expressassem livremente na discussão.
As discussões na plenária foram todas dirigidas no sentido de organizar os companheiros ali presentes para formular um programa para combater a burocracia a fim de retomar definitivamente a Fentect para os trabalhadores.
Verificou-se um consenso na ideia de que a burocracia sindical da Articulação está com os dias contados nos Correios após as traições que tiveram o seu ápice no acordo bianual de 2009. Da mesma maneira, as intervenções dos companheiros presentes à reunião eram unânimes em denunciar a manobra divisionista do PCdoB e do PSTU/Conlutas como sendo um ataque à organização nacional da categoria, à sua unidade e um serviço prestado aos patrões.
Foi discutido o enorme retrocesso da burocracia e a sua divisão como resultado da falência completa da sua política e da sua rejeição crescente pelos trabalhadores.
A análise da estimativa do quadro de delegados para o congresso constatou que o conjunto dos setores que se dizem de oposição – que inclui, entre outros, o PSTU/Conlutas e seus aliados na chamada Federação Anã - está com pouco menos de 50% do número de delegados, contra 25% no congresso passado. Independente do resultado final da composição da diretoria, que certamente será mais favorável aos trabalhadores em relação às diretorias anteriores, o equilíbrio de forças deve garantir que várias propostas importantes para o avanço da luta da categoria sejam aprovadas, propostas essas que serão colocadas pela oposição como a ampliação da diretoria e do comando de negociação da campanha salarial.
Na avaliação de todos os presentes não está descartada a possibilidade, inclusive, de que a oposição, se se mantiver unida, venha a sair vitoriosa do congresso, o que significaria uma enorme vitória para a luta dos trabalhadores. O grande obstáculo para esta vitória é a oposição aberta do PSTU/Conlutas e de seus aliados em derrotar os pelegos no congresso. O PSTU/Conlutas considera que a derrota da oposição no congresso lhe daria argumentos para convencer outros sindicatos a romper com a federação e criar um aparelho próprio, mesmo ao preço da liquidação da unidade nacional da categoria. Nas eleições para delegados, o PSTU/Conlutas convenceu um dos sindicatos seus aliados a não eleger delegados para o congresso, retirando, dessa forma, cinco delegados oposicionistas do Contect. No Rio de Janeiro, o próprio PSTU comandou a abstenção da sua bancada na assembleia para a eleição de delegados, deixando de eleger mais cinco delegados e dando, de presente, cinco delegados para o bloco PT-PCdoB. Verificou-se em outros lugares, como o Rio Grande do Sul, que outro aliado do PSTU, o Grupo Movimento Revolucionario/Luta pela Base não se empenhou  na eleição de delegados.
Isso quer dizer que o bloco sindical da direção da empresa já começa com a vantagem de pelo menos 15 delegados entregues voluntariamente pelo PSTU/Conlutas e seus aliados ao governo Dilma e à direção da ECT. Mesmo assim, a oposição mantém uma importante presença no congresso, que se beneficia do fato de que a burocracia sindical da empresa está desmoralizada pela rejeição dos trabalhadores e pela ruptura do bloco PT-PCdoB, bem como pelo fato de que é a sua política a responsável pela atual crise da federação, ou seja, foi a sua política que abriu as portas para a política liquidacionista tanto do PCdoB como do PSTU/Conlutas.
Essa situação no Congresso é expressão da mobilização da categoria que está passando por cima da burocracia e buscando uma nova direção e uma nova organização para o seu movimento.

Propostas para retomar a Fentect

Após a análise da situação política e da situação do movimento nacional dos Correios, foram debatidas propostas políticas para serem defendidas no Congresso. Uma nova reunião foi marcada para antes do Congresso, em Fortaleza, para que sejam aprovados os eixos de discussão que a oposição defenderá no Contect.
Também ficou decidido que será lançado um manifesto conjunto defendendo a luta contra a burocracia traidora da Articulação Sindical/PT e os divisionistas traidores do PCdoB e do PSTU/Conlutas.
Foi discutido um amplo conjunto de reivindicações para reorganizar a Fentect que são uma saída de bases e classista para a crise em que a política burocrática colocou a organização, tais como a ampliação dos órgãos deliberativos e medidas efetivas de organização das lutas. Houve consenso em torno do fato de que estas propostas não se limitam ao congresso, mas se dirigem a orientar a luta da categoria no próximo período.
O movimento de oposição nacional que começa a se organizar na plenária de S. Paulo fará um amplo chamado às bases para que se mobilizem para impor esta política, seja de um modo ou de outro e para impedir a ação daqueles que querem destruir o movimento nacional dos trabalhadores dos Correios conquistado pelas lutas dos trabalhadores e colocado em risco pelas três correntes que o vem dirigindo burocraticamente há mais de duas décadas: PT/Articulação, PCdoB e PSTU.

sábado, 2 de junho de 2012

Destruir ou conquistar os sindicatos?


Para criar uma frente revolucionária é necessário abandonar os velhos sindicatos, ou, de maneira geral, deles apartar os setores re­vo­­lucioná­rios? Encontraremos a resposta a esta pergunta examinando o papel dos sindicatos antes, durante e depois da guerra.
Os sindicatos operários nasceram como órgãos de autodefesa da classe operária. À medida que as relações capitalistas cresciam e se desenvolviam, à medida que as formas de exploração tornavam-se mais complexas, os sindicatos operários passavam também a formas de organização mais complexas e, na luta contra os exploradores, a uma tática igualmente mais complexa. No passado, cada operário con­frontava-se com capitalistas isolados; mais tarde o operário isolado confrontava-se com o capitalista coletivo; o estágio seguinte do de­­sen­vol­vimento consiste na luta da organização operária contra a organização patronal, e a classe operária agrupada no seio de suas orga­nizações econômicas e políticas luta contra a organização patronal e o Estado burguês.

Cooptação das Organizações operárias pelo Estado

Durante várias décadas, na maioria dos países capitalistas, os sindicatos operários lutaram para melhorar a situação da classe operária, adptando-se, no entanto, ao marco do regime burguês. A guerra pôs a nu, com evidência espantosa, o apego dos meios dirigentes operários com seu capitalismo nacional. Em suma, os sindicatos operários se encontraram na base de toda a política de guerra dos  últimos anos. Para os dirigentes dos sindicatos, o bem-estar da classe operária estava ligado à situação de sua indústria nacional no mercado mundial. Encontramo-nos frente, não só à rivalidade das classes dominantes da Alemanha e Grã-Bretanha, mas também frente à rivalidade dos sindicatos alemães e britânicos, pois cada um dos lados amarrava sua sorte à extensão e à conquista de novos mercados. Po­demos observar um curioso fenômeno: no curso de seu de­sen­volvimento, a classe operária criou organizações de autodefesa contra a burguesia e estas mesmas organizações se converteram, a um certo grau de desenvolvimento, em uma parte integrante do sistema capitalista. As instâncias dirigentes dos sindicatos que se entrelaçaram intimamente com o Estado burguês abordaram todos os problemas do ponto de vista dos interesses nacionais, de tal modo que as organizações operárias que tinham como objetivo a luta contra o Estado burguês transformaram-se na base principal de todo o sistema ca­pi­talista. Esta contradição entre a necessidade essencial da classe operária de ter sua organização separada e a a­pro­ximação das organizações existentes com o aparato capitalista e burguês manifestou-se com particular evidência durante a guerra e o período imediatamente posterior.
Antes da guerra, os sindicatos contavam com cerca de dez mi­lhões de membros no total. Imediatamente depois, a massa operária pe­netrou amplamente nos sindicatos, pois a guerra a havia arrancado de sua situação ordinária. O operário isolado sentia-se impotente, in­de­ciso. A es­tabilidade relativa das relações burguesas havia desa­pa­recido, os fundamentos da sociedade haviam sido comovidos e o ope­rário mais atrasado ingressou, ele também, no sindicato para encontrar uma resposta aos problemas que o atormentavam. Nos países mais importantes, a maioria dos operários já se encontra organizada. O nú­mero dos trabalhadores sindicalizados na Inglaterra já passou os oito milhões; na Alemanha, ultrapassa a cifra de doze milhões (incluídos os sindicatos cristãos e liberais). Na Áustria alemã (seis mi­lhões de ha­bitantes), há perto de um milhão de operários sindicalizados. Na Bélgica, aproximadamente a mesma quantidade. Em uma palavra, ob­servamos um enorme movimento espontâneo da massa operária em direção aos sindicatos, o que amplia, de um golpe, o velho quadro da organização. Nasceram poderosas federações que contavam com mi­lhões de membros e que deveriam constituir a arma principal na luta da classe operária por seus interesses nesse primeiro período, em que o Estado se encontrava debilitado e a luta social se exarcebava, quan­do ninguém sentia-se seguro do amanhã, nessa época de ímpeto revolucionário.
Este primeiro período, de crescimento, acaba ao fim de 1920. O ano de 1921 abre uma etapa de retrocesso das organizações ope­rárias; apesar de tudo, os sindicatos agrupam ainda dezenas de milhões de o­pe­rários organizados em todos os países. Este enorme exército or­ganizado influi sobre todo o mundo capitalista, que está obrigado a levar em conta estas organizações da classe operária.
Os sindicatos operários, que haviam desempenhado um papel tão considerável durante a guerra, deviam ainda desempenhar outro igualmente importante, no pensamento de seus dirigentes, depois do fim da car­nificina internacional. Os vencedores haviam reforçado o papel dos sin­dicatos operários na política contemporânea ao admitir seus di­ri­gen­tes para participar da elaboração de certos artigos do Tratado de Ver­salhes[1] e para intervir, com os mesmos direitos que os patrões na Or­ganização Internacional do Trabalho, dependente da Sociedade das Nações. Esta foi a mais alta recompensa para os sindicatos re­formistas na arena internacional, da política de colaboração levada a cabo em cada país. No quadro nacional, os dirigentes sindicais ten­diam a uma liquidação rápida e pacífica dos resultados da guerra, ao aumento da produção, ao veloz restabelecimento das relações capitalistas normais, oferecendo sua colaboração e não pedindo mais que a pa­ri­dade em toda a espécie de conferência convocada pelo governo. Assim nasceu uma filosofia do direito paritário. Floresceu magnificamente na Alemanha e encontra sua expressão nas decisões da Internacional de Amsterdã, destinadas a estabelecer a paz social. No período de pós-guerra, os sindicatos serviram de base a todo tipo de gabinetes de coalizão; intervieram como força inimiga contra as ações revolucionárias da ala esquerda do movimento operário, entravando a marcha ascendente do movimento revolucionário em todos os países com todo o peso de seu poderoso aparelho.

Teoria da destruição dos sindicatos

Por outra parte, os sindicatos, ao mesmo tempo que obs­ta­cu­lizavam o movimento revolucionário, estavam obrigados a lutar pela melhoria da situação econômica dos operários e defender seu nível de vida por via de acordos ou de greves. Deste modo, no período de pós-guerra, os sindicatos seguiram o caminho das reformas, lutando con­tra a revolução social. Este desempenho anti-revolucionário do núcleo dirigente dos sindicatos provocou uma reação nos meios o­perários de espírito revolucionário. Surgiu a teoria segundo a qual, os sindicatos operários, organizações aliadas ao Es­tado burguês, deveriam ser des­truídos e deviam criar-se no­vos sindicatos em seu lugar. Esta teo­ria ori­ginou-se na A­le­manha, a partir de uma série de derrotas dos operários revolucionários. Nasceu e desenvolveu-se no país onde a bu­rocracia sindical havia esmagado com o maior cinismo os princípios essenciais da luta de clas­ses, onde o sistema paritário havia encontrado sua expressão na Ar­beitsgemeinschaft (comissão paritária de patrões e empregados) e onde a burguesia, depois da revolução de novembro de 1918 reconheceu que os sindicatos operários haviam salvado o Estado (isto é, a pro­priedade) da anarquia e da desagragação. Os operários da esquerda ra­ciocinavam assim: os sindicatos operários são conservadores, sus­tentam o governo, praticam a colaboração de classes, lutam contra o movimento revolucionário e contra a própria idéia da revolução so­cial; portanto, é necessário separarmo-nos deles e formar sindicatos pró­prios, talvez pouco numerosos mas, pelo menos, revolucionários.
Os sindicatos operários são, em sua maioria, conservadores; na hora atual, desempenham um papel contra-revolucionário; encontram-se no terreno da colaboração de classes. Todos  esses fatos não são postos em dúvida, mas esta é uma razão para destruir os sin­di­catos operários? Além disso, o que exatamente quer dizer "destruir os sindicatos operários”? Os sindicatos não estão constituidos só pelas sedes e pelos cofres sindicais; são organizações criadas no curso de vá­rias décadas, que agrupam milhões de operários. Há muitas razões que explicam porque as massas operárias se encontram nestes sin­dicatos conservadores.
Não há dúvida que nos sindicatos está a melhor parte, a mais ativa, a mais consciente da classe operária. Mas esta parte, no entanto, não alcançou um nível suficiente de atividade e de consciência. Não importa, é necessário tomar partido por ela, é necessário tomar a classe operária tal como é. Por que é necessário destruir os sindicatos operários e criar outros, pequenos sindicatos, podendo-se conquistar a massa operária e, por seu intermédio, os sindicatos?
A teoria da destruição dos sindicatos está baseada no pressuposto de que os sindicatos reformistas não são em nada aproveitáveis para os operários. No entanto, esta afirmação é contraditória com os fatos. Se os sindicatos não fossem de nenhum proveito à classe operária, jamais te­riam atraído milhões de trabalhadores. Há muito tempo teriam mor­rido naturalmente. Na realidade observamos fatos diametralmente opostos: não só os operários não se afastam dos sindicatos como tam­bém estes são as únicas organizações que conservaram sua u­nidade, apesar da aguda luta que se desenrolou no interior da classe operária no período do pós-guerra. Não há um só país no mundo onde não haja dois ou três partidos operários em guerra entre si; mas a despeito da diferenciação política, os sindicatos operários continuam unidos e inteiros; os operários de todas as tendências continuam freqüentando os sindicatos e lutando conjuntamente. Deve-se este fato ao acaso? É certo que não. Os velhos sindicatos conservadores, ainda agora, realizam uma tarefa muito importante para o operário: a defesa de seus interesses imediatos contra a investida frenética do capital. Os sindicatos desempenham o papel de um teto comum sob o qual bus­cam refúgio todos os operários em épocas de intempérie social. Os interesses materiais dos operários, a questão dos salários, da jornada de trabalho, do trabalho feminino e infantil, dos seguros etc. agrupam os trabalhadores, forçam-nos a manterem-se unidos em um mesmo sindicato. Voltar as costas aos sindicatos significa, no momento atual, voltar as costas às massas; predicar a destruição dos sindicatos sig­nifica provocar a indignação das amplas massas que vêem nos sindicatos reformistas os defensores de seus interesses materiais i­me­diatos. O dever do revolucionário é estar em todas as partes onde se encontram as massas para traçar no seio de suas organizações uma linha de direção que demonstre diante delas as vantagens da tática revolucionária em relação à tática reformista.

Subestimação das massas e superestimação da burocracia

Se o ponto de vista dos elementos de esquerda acerca da i­nu­tilidade dos sindicatos fosse justo, equivaleria declarar impossível a revolução social, pois a revolução social é irrealizável se essas dezenas de milhões de operários organizados nos sindicatos não tomam parte dela. Podemos sonhar com a revolução, po­rém, fazê-la sem os sindicatos, é impossível. Os últimos meses de luta puseram em relevo todo o mal que pode causar a destruição dos sindicatos. Se nossos camaradas britâncios houvessem adotado este ponto de vista, teriam retirado dos sindicatos todos os elementos revolucionários, teriam feito o mesmo com a federação de mineiros, que protagonizou uma greve de três meses apesar do reformismo de alguns de seus chefes. Aí está o perigo: a teoria da destruição dos sindicatos não só é pessimista em relação à massa operária, como exagera também o peso da burocracia sin­dical. E assim podemos observar situações verdadeiramente gro­tes­cas: os homens que se propõem derrubar o regime capitalista, abater o capitalismo na Grã-Bretanha, França e Estados Unidos, são os mes­mos que duvidam poder destruir a burocracia sindical destes países. Os Gompers[2], os Thomas, os Grassman, os Oudegeest lhes parecem in­vencíveis, enquanto, ao mesmo tempo, não perdem a esperança de vencer os representantes, por excelência, do imperialismo contem­po­râneo.
Esta tática de pessimismo e desespero nada tem em comum com o espírito revolucionário; é o testemunho de um grande nervosismo e de um débil discernimento revolucionário. Por esta razão, tanto a In­ternacional Comunista como a Internacional Sindical Vermelha re­­­chaçam enérgica e categoricamente a palvra-se-ordem de “destruição dos sindicatos”, colocando em seu lugar a de “conquista dos sindicatos”. A experiência do ano passado mostra a  justeza desta tática. Na França, na Itália, na Alemanha, em todos os países, o movimento sindical revolucionário se amplia e cresce. Entretanto, não é poderoso o bastante para derrubar a velha burocracia, mas é suficientemente forte para influir sobre a tática sindical em cada país, para colocar com precisão os problemas que a burocracia sin­dical se esforça em escamotear.
A meta a cumprir é confrontar os dirigentes sindicais com as massas operárias no terreno da luta de todos os dias, para arrancar estas massas da influência de seus chefes conservadores, ideológica e praticamente. Este trabalho desemboca na destruição da influência da burocracia conservadora no interior dos sindicatos e não na destruição dos sindicatos. Preconizamos o ingresso nos sindicatos, não para alinhar-se por trás das reivindicações e princípios reformistas, mas para conquistar as massas e transformar os sindicatos em um instrumento da revolução social, contra seus dirigentes reacionários.
Precisamente porque a reivindicação de destruição dos sindicatos leva a uma ruptura com as massas, a um isolamento dos operários revolucionários, a uma retração do movimento, a uma simples atividade de seita, é que a Internacional Sindical Vermelha proclama estas bandeiras : “estar com as massas! Ingressar nos sindicatos! Este é o único caminho da vitória”!


[1] Tratado de Versalhes — Assinado em 28 de junho de 1919 pelas potências imperialistas vencedoras da I Guerra Mundial — EUA, o Império Britânico, a França, a Itália, Japão e seus aliados —, por um lado, e a Alemanha, por outro. Seu objetivo foi o de fixar a partilha do mundo entre as potências imperialistas que trataram de impor pesadas sanções à Alemanha derrotada: reparações de guerra, ocupação militar da região do Reno, desarmamento do país etc. As condições do tratado somente não foram mais draconianas porque os vencedores recuaram diante do terror à disseminação da revolução proletária, contra a qual procuravam fixar um novo status mundial com a criação da Sociedade das Nações.
[2] Samuel Gompers (1850-1924) — Um dos fundadores e principal dirigente da Federação Americana do Trabalho (AFL); seguiu a política de convivência pacífica e colaboração com a burguesia.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Federação Anã: ”Mais pelega” que a Fentect




O PSTU/Conlutas divulga amplamente que a Fentect é pelega, mas este argumento não passa de um discurso sem qualquer conteúdo real.

O PSTU/Conlutas está propondo rachar com a Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores nas empresas de Correios e Telégrafos), pois esta seria “governista” e não representaria mais o interesse dos trabalhadores.
Vejam bem. O argumento da Conlutas não é o de que a maioria da direção da Fentect seja “governista” e não represente o interesse dos trabalhadores dos correios e sim, toda a Fentect, que além da maioria da direção tem uma minoria opositora, trinta e cinco sindicatos e organiza a luta de mais de 110 mil trabalhadores nacionalmente, além de contar com mais de uma dúzia de correntes políticas organizadas no seu interior. Segundo a “nova” teoria do PSTU/Conlutas todo este conjunto seria “governista” e “pelego”.
Essa afirmação não passa de uma enorme confusão política e teórica que revela que, na realidade, nem os dirigentes do PSTU/Conlutas e menos ainda os seus militantes sabem o que é uma organização sindical.
Nesta “nova” teoria, a organização sindical fica reduzida apenas à sua direção e nem mesmo a toda esta direção, mas apenas à facção majoritária desta direção, todo o resto perdendo completamente a importância.
Omitem que a Fentect possui uma direção, que sua composição é proporcional e com diversas correntes políticas. Conta com 35 sindicatos filiados e mais de 110 mil trabalhadores que podem influenciar e pressionar as suas direções sindicais.
Estão confundindo a entidade com a direção. Mas não é apenas confusão política e sim uma mistura de ignorância política crassa com oportunismo com interesses bem claros que não correspondem à defesa dos trabalhadores, mas a um carreirismo e na luta por interesses pessoais.
Ignoram que neste momento, em que a classe operária começa a superar um longo período de refluxo, há um enorme domínio da burocracia sindical sobre as organizações sindicais. Como uma organização trotskista deveriam ter claro que este fato é um fenômeno social e histórico inevitável. Leon Trotsky no livro Os sindicatos na época da decadência imperialista afirmou que “há uma característica comum no desenvolvimento ou, para sermos mais exatos, na degeneração das modernas organizações sindicais de todo o mundo: sua a aproximação e sua vinculação cada vez mais estreitas com o poder estatal. Esse processo é igualmente característico dos sindicatos neutros, social-democratas, comunistas e anarquistas. Somente este fato demonstra que a tendência a "estreitar vínculos" não é própria desta ou daquela doutrina, mas provém de condições sociais comuns a todos os sindicatos”. Isso significa, colocando em poucas palavras, que não tendo uma direção revolucionária, os sindicatos são quase que automaticamente integrados ao Estado burguês. Significa também que não há organização enquanto tal que esteja imune a este fenômeno, mas que somente uma luta permanente contra a burguesia pode garantir a existência de organizações independentes e de luta.
Para um revolucionário o grau de atrelamento de um sindicato ao governo ou ao Estado ou aos patrões de cada setor da produção não pode levar ninguém e menos ainda quem se diz revolucionário e marxista a abandonar a luta ou dividir as organizações simplesmente porque estas fantasias organizativas não correspondem à evolução do conjunto dos trabalhadores e a única base para a constituição de uma nova direção para o movimento é a própria evolução dos trabalhadores.
Tais questões fundamentais, no entanto, não fazem parte das preocupações dos dirigentes e militantes da Conlutas para quem tudo o que importa é a evolução do aparato sindical.

O peleguismo da Fentect

Se for realizada uma análise concreta da situação do movimento sindical nacional e das traições contra os trabalhadores, a Fentect passa longe de ser a entidade que mais traiu os trabalhadores, tomada na concepção do PSTU/Conlutas.
No momento em que o ataque tem se tornado cada vez mais agudo e sistemático contra a classe trabalhadora, com dezenas de sindicatos de várias categorias aprovando acordos bianuais seguidos, a Fentect somente aprovou um, e que somente foi aprovado através da fraude e de uma crise gigantesca. E depois desse fato, a imposição do acordo bianual nunca mais foi proposta e nem sequer mencionado. Ou seja, foi derrotado de maneira completa dentro da Fentect, apesar da vontade da sua direção de fazer como todos os demais sindicatos estatais vem fazendo, ou seja, instituir de uma vez por todas o acordo bianual.
Citamos este fato, porque este é o maior ataque contra os trabalhadores no último período e atinge diretamente o interesse fundamental do trabalhador que é o seu salário.
Este fato mostra que as federações e sindicato governistas não são todos iguais, não são instrumentos obedientes nas mãos da burocracia, mas são diretamente influenciados pelos trabalhadores. Na verdade o acordo bianual e outros ataques dentro dos Correios foram derrotados pela mobilização e luta dos trabalhadores e pela luta de partidos dentro da organização da Fentect, com todas as restrições burocráticas existentes.
É importante lembrar que o único acordo bianual foi aprovado devido a fraude, senão nunca teria sido aprovado. O acordo bianual foi derrotado devido à dura luta travada pelos trabalhadores e pelos setores oposicionistas dentro da Fentect e dos sindicatos, em primeiro lugar, a corrente Ecetistas em Luta ligada ao PCO.
A burocracia sindical foi derrotada e sua política não foi implantada, e observe que os mesmos traidores continuam na ala majoritária da federação, mas não conseguem impor essa política devido aos trabalhadores. Da mesma forma, anteriormente, os trabalhadores rejeitaram e derrotaram a política estabelecida pelo governo FHC e defendida por toda a burocracia sindical de substituir os aumentos salariais por abonos e pela pretensa “participação nos lucros”.

A questão do abono

Outra derrota da burocracia sindical e da direção dos Correios foi à política de abono salarial. Enquanto o abono é colocado em praticamente todas as categorias como uma vitória pela burocracia sindical, nos correios os trabalhadores derrotaram essa política.
O abono foi implantando nos Correios pelo governo de Fernando Henrique Cardoso e apoiado pela direção da Fentect, nesse período nas mãos do PSTU, como uma grande vitória dos trabalhadores. É importante lembrar que todas as correntes políticas do movimento sindical – o famoso Bando dos Quatro (PT-PCdoB-Psol-PSTU) dos Correios apoiavam o abono, somente a corrente Ecetistas em Luta, do PCO era contra e realizou inúmeras campanhas contra o abono e denunciou a farsa do abano como um ataque ao salário do ecetista.
O abono foi derrotado dentro da Fentect pelos trabalhadores e não foi preciso derrotar essa política rachando a categoria. Apenas realizando uma firme campanha de denúncia e esclarecimento dos trabalhadores, com uma luta principista contra a burocracia sindical.
Estes fatos são a demonstração de que os trabalhadores podem e não apenas podem, mas efetivamente irão derrotar a burocracia sindical. Que a evolução da consciência da classe operária modifica as organizações sindicais e pode transformá-las completamente. Este conceito fundamental da luta de classes está totalmente ausente dos cálculos políticos do PSTU/Conlutas que não acredita nem na evolução da história nem no poder político dos trabalhadores, pois se os trabalhadores não são capazes de derrotar a burocracia sindical de segunda linha do PT, é óbvio que não serão também capazes de derrotar a burguesia local e o poderoso imperialismo mundial. Isso mostra que toda a conversa sobre a revolução mundial e a IV Internacional não passam... de conversa.

A política de privatização

O processo de privatização das empresas estatais foi colocado em marcha pelo governo neoliberal de FHC. E desde então uma infinidade de empresas foi privatizadas, seja em maior ou menor grau. Nesse processo o Correio é uma das menos atacadas e esse processo é extremamente defensivo. Isso só ocorre porque os trabalhadores estão derrotando as tentativas de privatização da ECT. E apesar de toda a burocracia do Bando dos Quatro apoiar todas essas políticas citadas e tentar desmobilizar a categoria para implantá-las, foram derrotadas pela luta dos trabalhadores centralizados pelo aparato dos sindicatos e da Fentect, contra a direção destes aparatos.

PSTU/Conlutas propõe rachar a Fentect

O PSTU/Conlutas propõe rachar a Fentect, dividindo a categoria, e criar a FNTC (Federação Nacional dos Trabalhadores nos Correios) e que foi apelidada pelos trabalhadores de Federação Anã, devido ao pequeno número de sindicatos e de trabalhadores na sua base (apenas 6% do total). Isso porque a Fentect estaria dominada pelos “governistas” do PT e do PCdoB e não corresponde mais aos interesses dos trabalhadores, e que deve ser criada uma outra federação de luta, pura e livre dos pelegos e “governistas”.
A federação criada proposta pelo PSTU/Conlutas agrupou os menores sindicatos do país e possui menos de 7% dos trabalhadores. São eles: Sintect-AM, Sintect-PB, Sintect-PI, Sintect-SJO, Sintect-VP e Sintect-PE.
São pequenos sindicatos que não possuem força para impor sua política contra a direção da ECT, que vai negociar com a Fentect e enfiar goela abaixo desses sindicatos a proposta da campanha salarial apresentada pelos patrões. Ou seja, vão ficar a reboque da política da Fentect e da direção da empresa e, pior, sem poder influir na luta interna da federação. Do ponto de vista da luta sindical e política é uma política de autoisolamento.
A divisão dos trabalhadores pode ainda contribuir para a manutenção do PT na direção da Fentect, pois a burocracia sindical do PT e do PCdoB vive a maior crise da sua história no movimento dos Correios e corre um grande risco de perder no Congresso da Fentect. A mobilização da categoria nos últimos anos, que levou o bloco dominante PT-PCdoB à sua crise final, está resultando em um quadro muito favorável aos setores oposicionistas no Congresso.
A saída do PCdoB na Fentect é o resultado dessa crise. A decisão é desesperada de quem foi atropelado pela mobilização dos trabalhadores em São Paulo e no Rio de Janeiro para tentar uma sobrevida através da traição que é a divisão da categoria.
Para piorar a situação do bloco pelego, a pequena maioria de delegados não garante um maioria política real e sólida. O bloco está todo esfacelado e enfraquecido, abrindo ainda mais as possibilidades para a oposição, tanto no congresso como na campanha salarial.
O racha do PSTU/Conlutas leva uma parte da oposição e somente facilita e dá uma sobrevida a burocracia do PT a frente da federação.
O problema fundamental para o bloco pelego dominante é que perdeu completamente a autoridade sobre os trabalhadores e, neste momento, somente sobrevive às custas de controlar precariamente um aparelho. Este problema é totalmente ignorado pelo PSTU/Conlutas e pelos seus aliados.


A nova federação criada pelo PSTU/Conlutas será mais combativa do que a Fentect?

Diante de todos os fatos apresentados fica uma pergunta: a nova federação do PSTU/Conlutas será mais combativa do que a Fentect?
Podemos utilizar como base para responder a este pergunta a experiência de outras categorias. Nos petroleiros existe um “clone” da federação anã dos Correios cuja atividade como “federação”durante os últimos seis anos podemos utilizar para tirar conclusões importantes dessa experiência.
O exemplo dos petroleiros é exatamente igual ao que está ocorrendo nos Correios. Nos petroleiros todos os sindicatos do país estavam filiados a FUP (Federação Única dos Petroleiros), que assim como na Fentect foi dominada pela burocracia sindical do PT.
Em 2006, o PSTU/Conlutas aliciou e iludiu cinco sindicatos para romper com a “governista” FUP para a criação de uma nova federação combativa e livre de pelegos. Para isso criaram a FNP, no início Frente Nacional dos Petroleiros que depois originou a Federação Nacional dos Petroleiros, formada por apenas cinco sindicatos e com um número reduzido de trabalhadores em comparação com a FUP, exatamente o mesmo processo que está sendo colocado em marcha nos correios.
Em comparação com a FNTC, a FNP é o dobro em representação dos trabalhadores relacionados aos seus respectivos rachas. O racha foi a partir de sindicatos pequenos em relação aos da FUP, onde possui seis sindicatos com uma base de aproximadamente 35 mil trabalhadores, quando a FUP possui 12 sindicatos e mais de 150 mil trabalhadores, ou seja pouco mais de 20% dos trabalhadores. Isso signica que a FNP poderia ter até mesmo mais influência do que a projetada federação anã dos correios.
Com essas informações podemos tirar a conclusão que são casos iguais para a mesma condição e situação.

E qual a realidade dessa nova federação?

A realidade dessa nova federação nos petroleiros é que ela se tornou nada mais e nada menos que um mero anexo da burocracia do PT e dá o aval para toda política de ataque ao movimento dos petroleiros.
A nova federação já assinou três acordos bianuais e pelo que tudo indica continuará aprovando nos próximos anos, pois não faz nenhum oposição aos acordos bianuais.
Também assinam todos os acordos salariais rebaixados impostos pela direção da Petrobrás e que foram negociados com a FUP. Reafirmamos que os acordos são exatamente iguais.
Um dos motivos é não possui força para negociar com a direção da Petrobrás e deixa o caminho livre para a burocracia sindical do PT na FUP negociar o que quiser com a empresa seguindo como o rabo segue o cachorro tudo o que é feito pela federação oficial. Tudo porque a oposição ficou ainda mais reduzida após o racha do PSTU/Conlutas dentro da FUP.
Os acordos bianuais e os acordos salariais rabaixados que foram impostos pela Petrobrás eram necessários de serem aprovados? Por que a direção da Federação Anã dos petroleiros do PSTU/Conlutas assinou os acordos? Os sindicalistas deveriam ter se colocado contrários à assinatura dos acordos bianuais e as propostas da Petrobrás e não assinando. Deveriam ter denunciando amplamente na base da categoria a tentativa da empresa em atacar os trabalhadores e explicar por que não estavam assinando. Mas o que houve foi um silêncio absoluto em torno do acordo bianual.
Não fizeram nada disso, a federação anã dos petroleiros, filiada à Conlutas, é uma simples sombra da FUP filiada à CUT.
Nos Correios o acordo bianual foi derrotado de maneira definitiva. O acordo bianual foi derrotado através de uma enorme campanha de denúncias e de mobilização dos trabalhadores. Particularmente a campanha foi realizada pela corrente Ecetistas em Luta através de boletins distribuídos amplamente na base de vários sindicatos.
A campanha foi tamanha que o quando o pelego do PCdoB do Sintect-RJ, “Ronaldão” (hoje aplaudido pelo PSTU), declarou que iria passar por cima do comando de negociação e assinar o acordo, foi impedido devido a dois ônibus com trabalhadores de Minas Gerais financiados pelo Sintect-MG e pela corrente Ecetistas em Luta para dar uma “coça” nos traidores. Fato que ocorreu e impediu a assinatura e abriu uma enorme crise no meio da burocracia sindical da Fentect. Para aprovar o acordo este mesmo PCdoB, que agora o PSTU elogia e apoia fraudou duas assembleias de trabalhadores porque não conseguiam aprovar o acordo de forma nenhuma.
A rejeição dos trabalhadores ao acordo bianual na Fentect foi tamanha que não houve nenhuma menção de novamente ser proposto nas campanhas salariais posteriores. Até mesmo o “pai” do acordo bianual, o secretário-geral da Fentect, José Rivaldo Talibã, foi obrigado a adotar o slogan “acordo bianual nunca mais”.
Talibã fez essa campanha mesmo ele e o PT sendo favoráveis ao bianual devido à imensa rejeição dos trabalhadores. Fica claro que os trabalhadores impuseram essa derrota para a burocracia sindical do PT e do PCdoB. Ou seja, derrotaram através da luta e da mobilização da categoria, derrotaram porque foi feita uma ampla denúncia do acordo bianual e os trabalhadores logo perceberam, através da discussão, que o acordo era uma armadilha patronal, e não com novos sindicatos ou federações. A campanha foi realizada a partir da luta e se apoiando nos trabalhadores, esclarecendo os trabalhadores e não nos aparatos sindicais.
A campanha contrária que está sendo feita pelo PSTU/Conlutas é o oposto desta realidade, a de que a burocracia sindical é impossível de ser derrotada e é preciso de um novo aparato de organização. Uma verdadeira farsa que revela apenas que o PSTU/Conlutas não quer derrotar os pelegos.
Em toda a campanha contra o acordo bianual o PSTU/Conlutas não teve nenhuma participação, somente atuou contra o bloco de oposição formado por 17 sindicatos contra o bianual.

E por que a federação anã dos petroleiros comandada pelo PSTU/Conlutas assinou 3 acordos bianuais?

Nos petroleiros a FNP, ou federação anã, e o PSTU/Conlutas assinaram os 3 acordos bianuais e não denunciou em nenhum momento esse tremendo ataque porque não são contrários ao bianual.
Se fossem contrários estariam realizando campanhas e mobilizando os trabalhadores para evitar a assinatura dos acordos bianuais. Como não tem ninguém, ou nenhum grupo realizando uma campanha ampla na categoria contra o acordo bianual, a FNP não vê problema na assinatura desses acordos.
Nos Correios a situação foi de que havia uma ampla campanha realizada pelo PCO e por outros grupos que forçaram o PSTU/Conlutas e os sindicatos da Federação Anã a se colocarem contra o acordo bianual, mas que na verdade não eram contrários a esse tipo de acordo. Foi uma divergência imposta a eles pela mobilização dos ecetistas senão teriam assinado sem problema e oposição alguma. Como efetivamente estão fazendo nos petroleiros.

Mais “pelega” que a Fentect

Nesse sentido a Federação Anã do PSTU/Conlutas é muito mais “pelega” que a Fentect, pois assinaram já 3 acordos bianuais que só favoreceram os patrões e sua política de destruição da Petrobrás, enquanto que a Fentect assinou apenas um e já desistiu desta política por pressão das bases. No jogo para ver quem é mais pelego o placar mostra com toda a clareza: 3 x 1 para a federação anã! Conseguiram, como uma direção de “puros” antigovernistas da Conlutas ser mais pelegos que a organizaçãoo dirigida pelo PT governista que conta com cerca de 300 sindicalistas em cargos na estatal!
A FNTC não vai ser mais combativa e de luta do que a Fentect, pelo contrário vai atuar ainda mais contra os trabalhadores conforme o exemplo do seu “clone” nos petroleiros. Desafiamos qualquer pessoa a refutar nosso argumento de que FNTC vai ser mais pelega que a Fentect.

Metroviários SP: LER-QI participa da traição do PSTU/Conlutas


Após a traição do PSTU/Conlutas, que resultou no fim de uma das maiores greves dos metroviários de São Paulo, a Liga Estratégia Revolucionária, também parte da Conlutas, faz demagogia afirmando que a categoria mostrou sua força e tenta esconder a farsa afirmando que houve conquistas econômicas, pois apoiou e participou do golpe contra os trabalhadores

Em um pequeno balanço sobre a greve dos metroviários de São Paulo, a Ler-Qi faz um papel vergonhoso e capitulador  escondendo as traições do PSTU/Conlutas.  Afirma na matéria que “este ano os metroviários mostraram que todos estavam errados e que tem uma força capaz de parar a principal cidade do país”, para servir de consolo para os trabalhadores que realizaram uma enorme greve completamente à toa.
Também afirmam que houve avanços econômicos, uma manifestação extremada de demagogia e tentativa de enganar os trabalhadores, uma vez que todos sabem que a proposta aprovada é muito mais rebaixada que a apresentada pelo sindicato, e também pior do que a apresentada pelo juiz do TRT (Tribunal Regional do Trabalho), e rejeitada amplamente pelos trabalhadores na assembleia que deflagrou a greve.
A proposta aceita pela direção do sindicato foi de 6,09% quando a reinvindicação era de 22,06%. O aumento do adicional de risco de vida para os Agentes de Segurança (AS´s) e Agentes de Estação (AE´s) passou de 10% para 15% quando o pedido era para 30%, como acontece nos ferroviários, ou seja, apenas um reajuste da inflação. O governo nem tocou no assunto dos demitidos políticos da greve de 2007, na equiparação salarial, plano de saúde para os aposentados e na participação dos resultados. Qual seria os ganhos econômicos da categoria? Esta afirmação é claramente uma tentativa de esconder capitulação a traição do PSTU/Conlutas, justificando o injustificável, ou seja, acabar com agreve sem qualquer resultado ou qualquer motivo.

Ocultam a traição do PSTU/Conlutas

Para a LER-QI o “erro” (não a traição) do PSTU foi de não ter preparado a greve. Afirmam que “o Sindicato se negou a organizar setoriais nas linhas, no setor da operação, seguindo com uma lógica caudilhesca de que quem constrói a greve é apenas a diretoria do Sindicato e dificultando o surgimento de novos ativistas e setores de vanguarda”. Uma afirmação sem sentido porque apesar da diretoria do sindicato boicotar abertamente a greve, a greve aconteceu com a adesão de grande parte da categoria e que parou todos os setores do metrô.
O que a LER-QI oculta na sua análise foi a traição e a realização de uma assembleia-farsa pela direção do sindicato do PSTU/Conlutas para acabar com a greve.
O que realmente aconteceu e que a LER-QI quer ocultar dos seus militantes e dos trabalhadores é o seguinte. A direção do sindicato nunca foi a favor da realização da greve, exatamente o que aconteceu no ano passado, quando não houve greve, também sem nenhuma conquista. No entanto, a diretoria do PSTU/Conlutas vendo a impossibilidade de encerrar a greve numa assembleia dos trabalhadores foi obrigada a aceitar a deflagração da greve, com medo de confrontar os trabalhadores. Porém, trabalhou desde o primeiro minuto depois da deflagração da greve para abortar o movimento.
Tratou de manobrar de todas as maneiras para acabar com a greve. Mudou os horários da assembleia mais de uma vez, mudou o horário para as 12h em vez das 18h como sempre acontecia. Problemas no deslocamento dos trabalhadores, ativistas nos piquetes no horário da greve, mobilização de muitos militantes do PSTU (inclusive os conhecidos pelas traições em suas próprias categorias, como Zafalão da Apeoesp e Jacaré Cargo Amplo, dos Correios) em uma assembleia esvaziada.
Nesse sentido a LER-QI se calou e não denunciou uma linha da traição e das manobras.

Por que a LER-QI oculta a traição do PSTU/Conlutas?

Fica clara a capitulação da LER-QI em criticar apenas a preparação da greve pois participou ativamente da farsa e de que ajudaram o PSTU/Conlutas a encerrar a forte greve dos metroviários.
Apesar de afirmarem que são oposição à diretoria do Sindicato dos Metroviários, dominada pelo PSTU/Conlutas, o que foi visto nas assembleias foi um total apoio à política traidora que acabou com a greve.
Em nenhum momento houve uma qualquer denúnica verbal ou através de panfletos denunciando as manobras da diretoria do sindicato contra os trabalhadores e em favor do PSDB em São Paulo. O que foi observado foi justamente o contrário. O principal dirigente da LER-QI, que também é da categoria dos metroviários, defendeu a proposta traidora do PSTU/Conlutas para confundir ainda mais os trabalhadores.
Ocultam a traição e se dizem oposicionistas à diretoria dos sindicato, mas estão sempre a reboque das traições do PSTU. Não conseguem ter uma posição independente do PSTU e somente são uma cobertura de esquerda para uma política traidora.
Participaram ativamente da traição e ajudaram a diretoria a encerrar uma das maiores greves dos metroviários já realizada sem qualquer motivo. A proposta defendida juntamente com a diretoria do PSTU/Conlutas é uma traição a todos os trabalhadores metroviários.

Esse é o papel da Conlutas?

Esses setores fazem propaganda da suposta combatividade da Conlutas e sua independência diante dos governos. Mas na greve dos metroviários foi visto um total apoio ao governo do PSDB de Geraldo Alckmin.
A LER-QI revela uma total dependência e participa ativamente das traições e da política oportunista do PSTU.
A proposta apresentada pelo PSTU/Conlutas foi uma defesa do governo tucano, que estava contra a parede diante da greve. Também não denunciou a aliança entre o PSTU/Conlutas com a sublegenda do PSDB, o PPS, para ganhar a direção do sindicato. Fato que não diferenciou em nada a política do PSTU/Conlutas, atual diretoria, a do PCdoB/CTB, das gestões anteriores.
E os defensores da combatividade da Conlutas não só ficaram em silêncio, mas participaram ativamente.
Se for para fazer esse papel e, na melhor das hipóteses, realizar a mesma política da articulação do PT dentro da CUT, o argumento utilizado para rachar as organizações fica ainda mais falso.