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segunda-feira, 11 de junho de 2012

O PSTU na contra-mão da história: a tarefa dos trabalhadores é construir o sindicato único


Ao contrário do que diz o PSTU e a Conlutas, a tarefa dos revolucionários é a luta pela unidade dos trabalhadores em um sindicato nacional da categoria. Nesse texto, procuramos analisar o que diz o programa de Ação da Internacional Sindical Vermelha sobre o tema no capítulo “Sindicatos profissionais e sindicatos industriais” 

O movimento sindical dos trabalhadores dos Correios, após anos de desenvolvimento que desembocaram na crise terminal da burocracia sindical, depara-se com dois caminhos que serão decisivos para o seu desenvolvimento em uma luta abertamente revolucionária contra os patrões. De um lado, a política pequeno-burguesa da ala esquerda dessa mesma burocracia sindical, representada pelos morenistas do PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado) e os grupelhos que formam a Conlutas sob a ditadura desse partido. A saber, a política que tenta convencer os operários de que os expedientes, manobras e golpes da burocracia sindical, representada pela sua ala majoritária PT-PCdoB, são, não uma crise mas uma demonstração de força e que a melhor coisa que um trabalhador “puro e honesto” deveria fazer era abandonar a Federação Nacional da Categoria (Fentect) e formar outra federação.
De outro lado, a política revolucionária que reflete os anseios mais profundos e necessários da evolução política da classe operária, em particular dos trabalhadores dos Correios, a saber: partir para cima da burocracia sindical que, conforme já está claro para as amplas massas de trabalhadores ecetistas,  representa um barreira para a sua luta contra os patrões. Mais importante e como conclusão imediata dessa nacessidade: a unificação dos trabalhadores nacionalmente e união das forças da classe para derrotar o inimigo comum que é a direção nacional dos Correios. 
Para isso, a Corrente Ecetistas em Luta (PCO) defende, não só a unificação em torna à Fentect, mas a luta pela formação de um sindicato único para a categoria ecetista. Para entender melhor a necessidade dessa unificação dos trabalhadores, vejamos o que nos ensinou o Programa de Ação da Internacional Sindical Vermelha, escrito por Alexandre Lososvsky, da organização que reunia organizações sindicais de todo o mundo, da qual fizeram parte dos dirigentes da Revolução Russa, Vladimir Lênin e Leon Trótski.

A unificação dos trabalhadores como necessidade histórica

Analisemos a questão da tendência da classe operária a se desenvolver em uma organização cada vez mais centralizada, conforme nos explica o capítulo 3 “Sindicatos Profissionais e Sindicatos  Industriais”. Segundo nos mostra o programa revolucionário para os sindicatos, “a própria lógica da luta de classes colocou esta questão [da formação de organizações amplas] para os sindicatos [grifo nosso]. Já antes da guerra, incluindo os sindicatos ingleses mais antigos, mais impregnados de espírito corporativo que as demais organizações profissionais, iniciaram a fusão gradual dos sindicatos isolados em federações mais fortes para poder lutar contra as federações patronais”. 
O que significa ? Significa que o desenvolvimento da luta de classes, ou seja, o próprio desenvolvimento político da classe operária, da luta contra os patrões, evoluiu necessariamente para a formação de organizações sindicais cada vez mais unitárias e cada vez mais abertamente destinadas à luta direta contra a classe patronal. Segundo nos explica o capítulo em questão, os sindicatos profissionais, que são as primeiras organizações dos trabalhadores, unidos por um mesmo ofício e que atuavam sob um “rígido corporativismo”, esses sindicatos são o ponto de partida dos sindicatos operários e tinham como objetivo central não a luta de classes mas a ajuda mútua entre seus membros.
Daí é importante também que o próprio desenvolvimento do capitalismo, que evoluiu para um estágio superior de organização social – trustes, cartéis, monopólios – torna necessária a centralização cada vez maior da classe operária.
Em uma palavra, a unificação da classe operária em sindicatos industriais, ou seja, em um sindicato único de um determinado ramo da indústria nacional, é uma tendência presente do próprio desenvolvimento econômico e político da sociedade capitalista, quer dizer, do desenvolvimento da luta de classes. 
Por fim, e muito importante, é que os patrões se unificaram não somente nas grandes corporações capitalistas, que no atual estágio do capitalismo imperialista mais parecem grandes impérios econômicos. Os empresários se unificaram também politicamente, em grandes federações patronais, no Brasil a FIESP e a Fenebam, por exemplo. Os trabalhadores isolados e da mesma forma, sindicatos isolados, ficariam em ondições de desigualdade em relação aos patrões. 
Defender qualquer tipo de isolamento, por meio da divisão em outras organizações, ainda que seja com as melhores e mais puras intenções, constitui um crime e uma traição aos trabalhadores. Mais criminoso ainda na atual etapa do imperialismo, da formação das grandes corporações. 

Sindicato é igual a federação? 

Os “espertalhões” do PSTU e os grupelhos da Conlutas, diante da completa falta de argumentos diante dos fatos, da experiência histórica e dos ensinamentos do marxismo, procuram distrair o debate com um argumento que sequer poderia ser levado a sério. Mas apenas para esclarecer, abriremos uma concessão aos charlatões da política pequeno-burguesa.
Segundo os pequeno-burgueses que formam a mambembe inteligentsia de esquerda no País, os exemplos de Lênin e Trotski, e dos marxistas em geral, não servem para nada porque eles tratam dos sindicatos e não da federação. Conclusão brilhante: sindicato não é federação, federação não é sindicato. A conclusão é é puro besteirol político.
Qualquer pessoa normal perguntaria: mas por que o método utilizado pelos marxistas para os sindicatos não deve ser usado para as federações? Afinal de contas, uma federação nada mais é do que uma agremiação superior de sindicatos. Claro como o céu.
Para fugir da discussão, os pequeno-burgueses inventaram essa brilhante teoria. Com isso, procuram escondem que uma federação é diferente de um sindicato apenas na medida em que um sindicato é uma forma mais inicial de organização sindical.
Porém, o texto da Internacional Sindical Vermelha deixa tudo mais claro: as federações nada mais são do que a forma como se manifesta a tendência à fusão e unificação dos sindicatos isolados. “Já antes da guerra, incluindo os sindicatos ingleses mais antigos, mais impregnados de espírito corporativo que as demais organizações profissionais, iniciaram a fusão gradual dos sindicatos isolados em federações mais fortes para poder lutar contra as federações patronais [grifo nosso]”.
O caso da Fentect é bem esclarecedor para o exemplo. A Fentect é uma federação composta por 35 sindicatos regionais de uma mesma empresa constituída nacionalmente e dirigida pelo governo federal. Esses 35 sindicatos são um resquício de uma organização inferior dos trabalhadores que ainda não se completou plenamente, na medida em que divide e categoria que está sob o domínio de uma empresa nacional e centralizada. A Fentect, por outro lado, guarda em muitos aspectos a tendência à unificação dos trabalhadores dos Correios em um sindicato único. Isso porque, apesar das características “federativas” por assim dizer, ela acaba sendo a centralizadora nacional das lutas dos trabalhadores em todas as questões relevantes e na mais importante delas que é a assinatura do contrato coletivo de trabalho.
Nesse sentido, o rompimento com a Fentect é uma política criminosa e traidora, mas também uma política radicalmente anti-marxista por parte do PSTU e da Conlutas. Essa política procura ir contra a evolução mais do que óbvia da organização dos trabalhadores dos Correios, uma política sem sentido, para dizer o mínimo.

Contrato coletivo versos contrato individual

Nessa mesma ideia, vale a pena dar uma palavra sobre a organização dos trabalhadores para obter dos patrões o contrato coletivo de trabalho.
A experiência da luta dos trabalhadores e o próprios desenvolvimento do capitalismo, conforme já demonstramos acima, impulsionou a tendência da classe operária de se unificar.
No início de tudo, o trabalhadores individual entendeu que era necessário se unir aos demais para se fortalecer e conseguir dos patrões um contrato de trabalho mais favorável do que poderia conseguir sozinho. Formaram-se os primeiros sindicatos. Logo, os trabalhadores organizados perceberam que deveriam unificar os sindicatos profissionais e se unir aos demais companheiros de uma mesma categoria ou ramo industrial, pois a luta de classe torna-se mais aguda e os patrões mais poderosos. Se não houver uma luta unificada, não só não será possível obter um acordo salarial mínimo, como os empresários irão retirar os direitos já conquistados. 
Quer dizer, a organização em sindicatos e federações é a condição para que o trabalhador consiga o seu contrato coletivo de trabalho que é coletivo justamente por que tende a unificar massas cada vez maiores de trabalhadores. A Conlutas faz justamente o contrário: quer dividir a Fentect contra a própria ideia de contrato coletivo. A continuar com o raciocínio brilhante dos puros do PSTU/Conlutas, o trabalhadores deveria abandonar e tentar a sorte sozinho. Voltar no mínimo dois séculos na história.

Nosso lema: uma patrão, um sindicato

O capítulo que estamos analisando começa da seguinte forma: “um dos pontos essenciais do nosso programa de ação revolucionária é a organização dos sindicatos por indústria”. Nada poderia ser mais simples. Em seguida, o programa ainda explica que “devemos opor à união industrial centralizada dos empresários, a união industrial centralizada dos trabalhadores. Neste, como em todos os terrenos, os patrões levam muita vantagem sobre os operários”.
O raciocínio, à parte todos os argumentos já apresentados acima, é uma aula básica de política. Se os patrões estão organizados em uma empresa só (como é o caso dos Correios) ou estão organizados em uma federação industrial, por ramo da indústria, os trabalhadores tem maiores condições de se opor aos ataques se sua organização estiver no mesmo sentido que é o da união. 
E “quais são os princípios fundamentais de um sindicato industrial?” – pergunta o texto – “são muito simples: todos os operários e todos os empregados de uma empresa devem filiar-se ao mesmo sindicato. Esta ideia tão simples como é, provoca, sem dúvida, toda uma revolução no processo contemporâneo de construção dos sindicatos. Nossa luta é: “uma empresa, um sindicato[grifo nosso].” Essa ideia “simples”, se bem estudada e tratada com seriedade por aqueles que procuram estabelecer o marxismo como parâmetro para sua atividade política, acaba de uma vez por todas com a ideia de dividir a Fentect e ao mesmo tempo mostra que a política é o completo oposto disso. Ao invés de dividir, a tarefa é unificar, mais ainda, centralizar os trabalhadores de uma mesma categoria para enfrentar os patrões.

A ordem do dia é construir o sindicato nacional

Ao contrário do que estão tentando colocar em prática os esquerdistas pequeno-burgueses do PSTU e da Conlutas, a corrente Ecetistas em Luta (PCO) já apresentou em seu programa a defesa do sindicato único dos trabalhadores dos Correios. Essa proposta será defendida em todos os lugares, entre a oposição, no Congresso e principalmente na base da categoria. Essa política, não surge apenas da necessidade de se opor à tentativa do PSTU e do PCdoB de dividir a organização da categoria, mas principalmente faz parte dos anseios e da própria necessidade das massas trabalhadores, especialmente dos Correios.
Como nos explica o programa da Internacional Sindical “o essencial é impulsionar em todos os países a construção de sindicatos industriais”. Essa é a tarefa, no campo das organizações de massa da classe operária, dos revolucionários.
A luta por sindicatos industriais (nacionais) é uma obrigação dos revolucionários. Mais do que isso, “a luta agravou-se tanto em todos os países, que a fusão rápida dos sindicatos da mesma indústria é uma questão de vida ou morte para a classe operária”.
Por isso mesmo, a luta contra aqueles que procuram estabelecer a confusão entre os trabalhadores, dizendo que deveriam romper com os atuais sindicatos e federações, que deveriam se abdicar da luta contra a burocracia para correrem para federações cujas principais características são a falta de trabalhadores e a “limpeza moral”. A luta contra esses elementos deve ser considerada parte da luta encarniçada contra a burocracia sindical de conjunto. Não é possível comtemporizar minimamente com as ideias divisionistas no interior do movimento sindical, pois essas levariam a classe operária à sua morte como classe social organizada.
Temos que avançar até a criação de sindicatos industriais, não a passo de tartaruga como fazem os dirigentes reformistas, que não avançam mais do que a situação os obriga, mas sim com ímpeto revolucionário. Temos que lutar em cada fábrica, em cada empresa, contra o espírito de ofício e o corporativismo [grifos nossos]. Isto não é um esquema abstrato, carente de vida. Trata-se de adaptar a estrutura orgânica dos sindicatos aos combates que a classe operária trava atualmente”.
Por fim, é necessário que os trabalhadores dos Correios, como uma das categorias mais avançadas organizativamente, preparem o terreno para a evolução de toda a classe operária brasileira em sindicatos nacionais, que representem uma mesma categoria de um mesmo ramo da indústria. Essa é a essência do programa marxista sobre os sindicatos, defendido pela III Internacional de Lênin e Trótski, essa é a tarefa dos revolucionários e dos trabalhadores avançados dos Correios e de todo o País, assim como a luta contra toda e qualquer tendência burocrática de direita ou de esquerda que impede o desenvolvimento dessa luta.

sábado, 9 de junho de 2012

Trabalhadores dos Correios: As tarefas centrais do XI Contect


Defender a unidade da categoria na sua luta contra os patrões e o governo, derrotar a burocracia traidora, reorganizar a Fentect e organizar a mobilização contra a privatização e os ataques do governo Dilma aos trabalhadores 

Entre os dias 12 e 17 de junho será realizado, em Fortaleza, Ceará, o XI Congresso da Federação Nacional dos trabalhadores da ECT.
O congresso vai se realizar no momento em que uma das maiores conquistas da luta da categoria está colocada sob uma grave ameaça: a unidade nacional dos trabalhadores dos correios.
Em cada luta parcial, em cada greve, em cada mobilização, um dos maiores avanços que os trabalhadores podem conquistar é o avanço na sua consciência e na sua organização na luta contra os patrões. Nos correios, a experiência histórica da categoria levou à sua organização nacional, em uma entidade única, que possibilitou à categoria por meio de sua luta nacional, até momento, obter importantes conquistas e barrar a privatização dos Correios, tal como se deu com centenas e milhares de outras empresas estatais em todo o País, desde os governos Collor até os governos do PT.
A unidade nacional é um dos pilares da combatividade demonstranda pela categoria dos correios que, indubitavelmente, esteve na dianteira do movimento grevista do país em todo o período de refluxo do governo FHC para cá, como pode ser facilmente constatado pelo número de greves que realizou.
Esta importante conquista dos ecetistas está ameaçada, em primeiro lugar, pela ação criminosa da burocracia patronal do PCdoB, ligada há anos aos setores do PMDB e do DEM (grupo de Sarney e outros) que sempre detiveram postos-chaves na administração da ECT para aí defender os interesses dos grandes capitalistas contra os trabalhadores. Depois de assumir as direções de importantes sindicatos da categoria como o de SP e do RJ, bem como no comando da própria federação e de trair todas as campanhas salariais e demais luta da categoria, bem como apoiar as propostas de privatização da empresa, esses sindicalistas traidores - em meio à profunda crise – passaram a defender abertamente a divisão da federação nacional e a construção de novas “federações”. Uma política que tem o claro objetivo de defender os interesses dos patrões e do governo em dividir os trabalhadores e enfraquecer sua luta.
Esta operação dos gangsteres sindicais do PCdoB/CTB de defender a divisão dos trabalhadores a serviço dos patrões, está sendo apoiada por outra ala minoritária da burocracia sindical, o PSTU/Conlutas, que - apesar de se declarar como “socialista” - adotou a política antimarxista e contrarrevolucionária de “aplaudir todas as rupturas” e passou a defender a construção de “sua” própria federação, conhecida na categoria por “federação anã”, por agrupar pouco mais de 5% dos trabalhadores da categoria, com o apoio de dirigentes sindicais de apenas cinco sindicatos, nos quais a categoria não foi consultada ou mesmo informada sobre esta importante decisão “revolucionária” e que, em alguns, casos (como o da Paraíba) conta com a rejeição explicita até mesmo da maioria da diretoria daqueles sindicatos.
Essa iniciativa tem de ser respondida pelo conjunto das entidades de luta da categoria em todo País e pelo Contect. A principal arma dos ecetistas em sua luta, a sua união e sua organização nacional devem ser defendidas ferrenhamente contra estas tendências criminosas que se esforçam para dividir a categoria e entrega-la de mãos e pés amarrados à direção da ECT e à burguesia em geral.
Para se opor à esta política divisionista os setores classistas e combativos da categoria e o conjunto dos trabalhadores precisam avançar na sua unificação, passando por cima da divisão que a burocracia procura impor, dando passos decisivos no sentido de eliminar toda a ambiguidade da organização nacional, principalmente por meio da criação do sindicato nacional dos trabalhadores dos Correios, proposta que precisa ser amplamente debatida nos locais de trabalho, em assembleias e congresso regionais da categoria em todo o País.
A criação de um sindicato nacional implica em uma reorganização completa da organização sindical dos trabalhadores dos Correios, possibilitando criar uma organização local, municipal e regional mais adequada para a luta e efetivamente colocar a luta nacional sob o controle das bases.

Organizar a categoria na luta contra a privatização, pela base em SP, RJ e todo o País

Toda esta operação criminosa de setores da burocracia de dividir a categoria e enfraquecer sua luta, se dá, não por acaso, no exato momento em que a crise capitalista faz crescer o “apetite” dos grandes monopólios que há muito desejam impor a privatização dos Correios e que buscam impor na empresa planos de aumento da exploração dos trabalhadores (SAP e outros) e de ataque às conquistas realizadas nas suas lutas (plano médico e outros).
Não pode haver a menor dúvida de que a política divisionista de setores da burocracia sindical serve aos planos dos tubarões que querem privatiza a ECT. Querem dividir e “desarmar” os trabalhadores, porque o único verdadeiro inimigo da privatização é a classe operária, em primeiro lugar, os trabalhadores dos correios.
O Contect não só deve repudiar a divisão como adotar medidas que aprofundem a unificação da luta da categoria. Contra a política divisionista das diretorias pelegas de SP e RJ (e outros), abrir sedes da organização nacional da categoria nestes estados e impulsionar pela base a organização da mobilização da categoria contra a privatização em defesa das reivindicações dos ecetistas.
Na base destes sindicatos é preciso também construir oposições classistas para expulsar os pelegos traidores dos sindicatos e retomar essas organizações locais para as mãos dos trabalhadores.

A causa da crise é a política patronal de todas as alas da burocracia, cujo centro é o PT/Articulacão

A causa da crise que atravessa a Fentect está na política levada adiante por todas as alas da burocracia, ou seja, pelo conhecido Bando dos Quatro (PT, PCdoB, PSTU e Psol, embora este último partido tenha pequena presença no movimento sindical dos correios). A crise é a culminação de anos de luta da categoria contra a política patronal que se inicia na década de 1990 e vem até os dias de hoje, com uma enorme perda de autoridade das correntes burocráticas.
O centro desta política durante o governo FHC, ou seja, no momento de maior intensidade do ataque da burguesia contra os trabalhadores dos correios, foi o PSTU que serve como eixo para a dominação da burocracia sindical sobre os sindicatos dos correios e a federação nacional impondo uma política sistemática de derrota das greves e a vitória do congelamento salarial e das demissões dos famigerados PDV’s (ver o folheto das edições Causa Operária contendo a história e o balanço das lutas da categoria dos correios).
A crise da política patronal na era PSTU/Conlutas levará à formação do bloco PT-PCdoB que não apenas se mostra incapaz de superar a crise como a leva a um aprofundamento que culmina na campanha salarial de 2009 com a assinatura do acordo bianual contra a vontade da esmagadora maioria dos trabalhadores. A resposta a esta traição será a greve de 28 dias em 2011, onde os trabalhadores encurralam a burocracia sindical a tal ponto que esta é obrigada a delegar ao TST (manobra criada e colocada em prática pelo PSTU inúmeras vezes nos anos de 1990) a tarefa de acabar com a greve.
A ruptura vertical do bloco pelego, com a anunciada saída do PCdoB da Fentect, com o apoio do PSTU, abre uma crise termina na burocracia sindical de conjunto que atinge a própria integridade da federação nacional e da unidade da categoria.
Na impossibilidade de continuar dominando um movimento sindical nacional organizado, a burocracia explora a insatisfação da categoria com uma saída claramente contrarrevolucionária: a destruição do movimento nacional dos correios para dominar em pequenos feudos que seriam um novo e maior obstáculo ao desenvolvimento da luta da categoria.
Uma das tarefas do XI Contect é a de deixar claro para toda a categoria qual política e quais forças são responsáveis pela crise atual e que a superação da crise passa pela completa rejeição desta política em todas as suas variantes, ou seja, do PT/Articulação, PCdoB e PSTU e pela construção de uma nova direção para os sindicatos, ou seja, de fortes oposições sindicas a partir das bases em cada sindicato, e na Fentect.

Contra a divisão, revolucionar a organização da categoria e colocar as direções e o comando sob o controle dos trabalhadores

Contra o monopólio da burocracia, um dos aspectos fundamentais da luta no XI Contect e após será o de buscar aprovar medidas no sentido de uma verdadeira revolução interna na organização nacional da categoria, como a ampliação da direção nacional da categoria (para 30 membros, com apenas um ano de mandato), tornando-a amplamente representativa de todas as regiões e setores dos mais de 150 mil trabalhadores ecetistas, incluindo os terceirizados (mais de 30 mil). Para pôr fim aos “comandos de negociação” minoritários, de 7 pessoas, cujos integrantes pertencentes ao bloco burocrático foram – em sua grande maioria – comprados pela direção da ECT, com cargos e vantagens nos últimos anos em troca da assinatura de acordos salariais prejudiciais aos trabalhadores, eleger no Contect, um amplo comando de mobilização e negociação, para a próxima campanha salarial, com representantes de todas as bases sindicais – eleitos e revogáveis pelas assembleias da categoria, cujos integrantes (assim como todos dirigentes sindicais) sejam expulsos do movimento sindical dos correios e tratados como traidores caso aceitem qualquer cargo de confiança da direção da empresa, inclusive com processos judiciais, como quer boa parte dos trabalhadores.
Outro aspecto fundamental da luta no XI Contect é o da luta contra a tentativa desesperada da direção da empresa e de determinadas alas do PT de controlar os movimento sindical através do aparelho administrativo da ECT por meio de chefes, como se viu na assembleia de Campinas no processo de eleição de delegados. Esta tentativa mostra a completa liquidação de qualquer apoio das bases à política da burocracia patronal, que já não consegue se sustentar nem mesmo com o apoio do setor mais conservador e mais bem pago dos trabalhadores. Não há e não pode haver lugar para os carrascos dos trabalhadores, para os que se venderam para os patrões e venderam a luta operária na organização sindical. O XI Contect deve aprovar uma proibição absoluta da presença das chefias em cargos eletivos, assembleias e congresso de todos os elementos de confiança da ECT. Os trabalhadores devem expulsar, se necessário pela força, os chefes ou elementos diretamente ligados às chefias das organizações dos trabalhadores, das assembleias, congressos, eleições e direções sindicais.
Os membros do comando de negociação eleitos no Contect e nas assembleias de base da categoria, sendo ao menos um por sindicato da categoria, devem atuar em um verdadeiro sistema de colegiado, com rotatividade nos cargos e com os diretores da organização nacional da categoria atuando na base da categoria como impulsionadores de sua mobilização e da sua organização. Os recursos humanos e materiais pagos à Fentect com o dinheiro dos trabalhadores pelos sindicatos devem estar colocado à serviço dessa mobilização, da luta contra a privatização e na defesa dos interesses dos trabalhadores e não à serviço da manutenção de mordomias e privilégios para uma burocracia sindical parasitária em Brasília ou seja onde for e administrados com total conhecimento e controle das bases.

A burocracia está em crise: bloco de oposição para derrotar a burocracia e levar os trabalhadores à vitória

A burocracia sindical da Fentect e da maioria dos sindicatos controlados pelo bloco traidor PCdoB/CTB-Articulação/PT atravessa a maior crise de sua história. Tanto o PT/Articulação como o PCdoB e o PSTU fazem neste momento o impossível para ocultar e minimizar esta crise para que o trabalhadores não tomem consciência dos resultados da sua luta.
Sintomas importantes desta aguda crise (que reflete as divisões no interior da burguesia diante do agravamento da crise capitalista), aparte da própria divisão da Fentect, são os rachas no interior dessas alas da burocracia (como as direções do PCdoB divididas no RJ, DF etc. e a cisão no interior do PT com a criação do MUTE) e a drástica redução das bancadas dos sindicalistas traidores, responsáveis pela assinatura dos últimos acordos contra a categoria, no XI Contect. Estimativas, da própria burocracia, apontam que ao contrário do último congresso, no qual os setores de oposição tiveram apenas cerca de 25% dos delegados contra 75% de delegados do bloco PCdoB-PT, no encontro de junho próximo, a bancada dos setores que se declaram de oposição está próxima de 50%, um crescimento de 100%, com amplas possibilidades de rachas na “situação”.
Essa situação , reflete de modo muito distorcido a realidade na base da categoria, onde os sindicalistas traidores do bloco majoritário são amplamente repudiados, é o resultado de mecanismos burocráticos e fraudes no processo de eleição e da capitulação de setores que se declaram de oposição, como o PSTU/Conlutas, que se recusou a participar da eleição delegados em alguns sindicatos, ajudando a aumentar a bancada dos “governistas” em pelo menos 15 delegados, mostrando que sua política de ruptura é uma tábua de salvação para a ala mais direitista da burocracia sindical.
Nestas condições, os militantes da Corrente Nacional Ecetistas em Luta, chamam todos os trabalhadores e os sindicalistas que se reivindicam de oposição à conformação de um bloco de oposição no Contect que tenha como objetivos centrais a superação da atual crise atual por meio da única maneira possível, ou seja, colocando a Fentect sob o controle efetivo da sua base de trabalhadores, destruindo os entraves burocráticos à participação direta e efetiva dos trabalhadores nas decisões, tornando a atividade da federação transparente para os trabalhadores, em resumo, eliminando o caráter burocrático da entidade, estabelecendo uma nova direção para o movimento nacional, que não pode ser uma mera troca de pessoas, mas de métodos, instituições e de programa.
Este bloco de oposição começou a tomar forma no último dia 4, em S. Paulo, quando diversas correntes de oposição, representando vários sindicatos e oposições e contando com mais de 90 delegados ao XI Contect reuniram-se para discutir uma política unitária de luta contra o peleguismo (ver matérias nesta edição).

Campanha salarial nacional unificada, sob o comando da categoria para derrotar a política do governo do PT-PCdoB

A degradação da situação econômica avança rapidamente no mundo todo e, apesar da propaganda enganosa da burguesia e do governo, o colapso mundial do capitalismo vai se fazer sentir de modo ainda mais intenso em nosso País nos próximos meses.
As “soluções” da burguesia e dos seus governos em todo o mundo são as mesmas: expropriar ainda mais os trabalhadores por meio das privatizações, arrocho salarial, ataques às aposentadorias, aumento da terceirização, redução nos gastos públicos com saúde, educação, inflação, demissões etc.
A campanha salarial dos trabalhadores dos correios, no segundo semestre, tende a se dar num quadro de agravamento da crise e de intensificação das lutas operárias no Brasil contra esses ataques. Já há sinais claros dessa tendência nas lutas dos trabalhadores dos transportes, da construção civil, professores etc.
A combativa greve dos correios no ano passado, demonstrou o enorme poder de mobilização e de luta dos ecetistas, que precisa ser desenvolvido e organizado para abrir caminho para a vitória não apenas da categoria, mas do conjunto da classe trabalhadora.
O XI Contect deve delibera um plano de mobilização que se posicione claramente na defesa das reivindicações dos trabalhadores diante da crise, tendo como pontos centrais a luta contra a privatização – para a qual é fundamental chamar a unidade com os petroleiros e outros categorias das empresas estatais e serviços públicos –, a defesa da reposição integral das perdas salariais da categoria e contra as medidas de superexploração adotadas pela direção da ECT: fim do SAP, terceirização, das dobras etc..
É preciso aprovar a imediata preparação da campanha salarial; começando por organizar assembleias na base dos sindicatos dissidentes para unificar a campanha salarial e convocar um Conrep (Conselho de Representantes) massivo para organizar a greve da categoria para o começo do segundo semestre.
A campanha salarial diz respeito à vida e aos interesses de 150 mil trabalhadores e não pode tratada como um assunto privado de meia dúzia de sindicalistas. Para tanto é preciso adotar medidas tais como a distribuição da proposta de pauta aprovada no Congresso em toda a categoria através de uma publicação especial; o aumento do número de membros do Comando Nacional de Mobilização e Negociação com a presença de um representante de cada sindicato (eleito e revogável em assembleia) mais 10 eleitos no Contect ou Conrep e que o acordo coletivo só possa ser assinado com a aprovação de 2/3 das assembleias de todos os sindicatos de todo o País.

A luta para derrotar a burocracia está em marcha

Algumas pessoas que não acreditam no poder da luta dos 100 mil trabalhadores dos correios – em parte porque nada fazem para organizar e reunir esta força – e outros que estão claramente a serviço dos patrões, têm declarado que não é possível derrotar a burocracia pelega e o governo.
Esta concepção absurda, derrotista e patronal contraria toda a experiência histórica da classe trabalhadora e suas lutas.
É preciso combater esta mentalidade derrotista e explicar aos trabalhadores e ativistas do movimento sindical dos correios que já foi colocado em marcha o processo para derrotar de forma cabal a burocracia sindical dos correios.
O XI Contect, burocrático e ainda dominado pela burocracia, é apenas uma das etapas desta luta e, embora muito importante e muito favorável para esta luta, não significa de forma alguma o acontecimento definitivo ou final desta luta, mas apenas uma etapa de uma luta que, no próximo período vai crescer em todo o país.
Nesse sentido, a tarefa fundamental, é organizar pela base, em cada sindicato, uma oposição sindical classista que organize, informe e eduque politicamente os trabalhadores para que estes possam superar toda e qualquer influência da burocracia patronal e retomar para si as suas organizações sindicais.
A emancipação dos trabalhadores só pode ser obra dos próprios trabalhadores e não de meia dúzia de dirigentes sindicais. Vamos, portanto, trabalhar para organizar e esclarecer os trabalhadores sobre as tarefas do próximo período. Esta é a tarefa de toda a oposição sindical dos correios.

Bloco de Oposição tem grandes chances de vitória....apesar do PSTU/Conlutas


Se houvessem sido eleitos delegados da oposição em São Paulo, São José do Rio Preto e Rio de Janeiro seria incontestável a vitória da Oposição 

A partir do próximo dia 12 inicia-se o Contect – Congresso Nacional dos Trabalhadores do Correio.
Publicamos abaixo o provável resultado da eleição de delegados nos 35 sindicatos que compõem a Fentect – Federação Nacional dos Trabalhadores do Correio - o qual mostra as enormes chances de vitória do bloco de oposição no próximo congresso e o verdadeiro crime contra a categoria feito pelo PSTU/Conlutas ao se recusar a eleger delegados em vários estados, os quais dariam maioria segura ao bloco de oposição impedindo a reeleição do traidor Talibã para a secretaria geral da Fentect.
De acordo com o mapa, o qual representa uma projeção bastante realista do posicionamento dos mais de 200 delegados que estarão presentes ao congresso, o bloco de oposição está praticamente empatado com o bloco da situação, situação que favorece muito a vitória da oposição uma vez que conhecido o fato de que a bancada liderada pelo coordenador da Articulação do PT, Rivaldo Talibã, comparece ao congresso extremamente dividida em função da política de apoio aberto à direção da ECT e de inúmeras traições aos trabalhadores, ampliada pela enorme disputa de facções dentro do próprio PT na direção da empresa.
Esta bancada terá enorme dificuldade para se manter coesa diante dos ataques políticos feitos pelo bloco de Oposição, pois refletirão em grande medida divergências que existem dentro da Articulação Sindical sobre a condução da última greve, das negociações da PLR, do PCCS e do funcionamento extremamente ditatorial imposto pela maioria da direção da Fentect.
A situação de virtual empate entre a Oposição e o bloco extremamente desgastado dos sindicalistas ligados à Articulação sindical só é possível em função da política, objetivamente de salvação deste grupo, levada a frente pelo PSTU/Conlutas.
Este grupo foi o responsável pela não eleição de delegados no sindicato do São José do Rio Preto, uma vez que aquele sindicato é membro da chamada Federação Anã, que pretende junto com o PCdoB dividir o movimento sindical do correio criando outras federações na categoria.
Somente este sindicato teria direito a estar presente no congresso com mais 5 delegados. No Rio de Janeiro o atual diretor da Fentect representando o PSTU, Heitor Fernandes, também se recusou a eleger delegados em assembleia onde esteve presente, ampliando com isso, a vantagem em número de delegados do grupo encabeçado por Zélia “Ginsp”, um racha do PCdoB que deve compor chapa com a Articulação Sindical.
Em São Paulo, a Corrente Ecetistas em Luta fez uma proposta pública de que fosse realizada assembleia para eleição de delegados, uma vez que a diretoria do sindicato de São Paulo anunciou uma semana antes do prazo final para eleição de delegados que não compareceria ao Congresso.
O PSTU/Conlutas se opôs frontalmente a tal proposta, levantando a possibilidade de entrar com pedido de impugnação de todo o congresso na hipótese de ser aceita a inscrição da maior delegação do país, uma vez que o sindicato da base de São Paulo não homologaria tal assembleia.
A somatória dos votos de Oposição em São José do Rio Preto, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul (neste estado a Conlutas é maioria da diretoria do sindicato e elegeu somente um delegado, num extremo corpo mole na eleição) garantiria de forma incontestável a vitória da Oposição, mostrando como a política de ruptura com a Fentect favorece diretamente a Articulação e o governo.
Mesmo com este enorme prejuízo à luta contra o sindicalismo patronal da Articulação do PT, está em pauta a possibilidade de vitória do bloco de Oposição uma vez que ainda não está definida a postura política do grupo liderado pelo ex-diretor do Sindicato de Ribeirão Preto, Rogério Ubine, o qual detém cerca de 10 votos no congresso e cogita a possibilidade de se juntar ao bloco de Oposição em função do enfrentamento na eleição daquela cidade, onde foi derrotado pela Articulação do PT, em eleição marcada por todo tipo de ataques entre as duas chapas.
Ainda fazem parte deste grupo delegados da Paraíba, os quais declaram abertamente que não votarão na Articulação.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Folheto: A atuação antioperária do PSTU/Conlutas em outras categorias

Publicamos aqui uma série de matéria onde analisamos a atuação patronal e antioperária do PSTU/Conlutas em outras categorias.


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Folheto: Por que “romper” com os sindicatos é uma política contra o movimento operário

Este folheto contém uma série de textos marxistas sobre a unidade da categoria, o problema da política de divisão dos sindicatos e qual deve ser o método de ação dos revolucionários.



Folheto: A federação anã e a política anti-trotskista do PSTU/Conlutas

O texto aqui presente procura esclarecer a posição marxista sobre os sindicatos no sentido de combater a política pequeno-burguesa disseminada no movimento operário pelo PSTU.


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Folheto: Balanço e História da Fentect


Publicamos aqui o folheto publicado pela corrente Ecetistas em Luta contendo a segunda parte da tese da corrente sindical dos militantes e simpatizantes do Partido da Causa Operária (PCO) nos Correios, a corrente Ecetistas em Luta. A tese será defendida no próximo Congresso da categoria, que vai ocorrer entre os dias 12 e 17 de junho.


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