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segunda-feira, 2 de julho de 2012

Boletim Ecetistas em Luta Edição Nacional N°398





Vitória no Contect: uma nova situação no movimento sindical


O balanço dos últimos acontecimentos na categoria dos trabalhadores dos Correios e do movimento operário brasileiro é fundamental para a compreensão das tarefas dos revolucionários para a próxima etapa. Leia aqui o balanço discutido na XX Conferência Nacional do PCO 

1.1. A vitória do bloco de oposição no XI Contect (Congresso Nacional dos Trabalhadores dos Correios) é a expressão mais avançada do ascenso do movimento operário brasileiro que deve se generalizar na próxima etapa. A vitória da oposição nos Correios inaugura uma nova situação política no movimento sindical.
1.2. Essa nova etapa, caracterizada pela generalização das lutas operárias, já vinha sendo anunciada por uma série de fatos recentes. O número de greves pelo menos dos dois últimos anos para cá vem aumentando de maneira muito visível.
1.3. Entre os diversos casos, destacam-se as greves da construção civil nas obras do PAC. Nas obras da hidrelétrica do Jirau, em Rondônia, uma revolta contra as péssimas condições de trabalho, obrigou o governo federal a colocar a Força Nacional de Segurança para conter os trabalhadores.
1.4. Mais recentemente foi a vez dos professores protagonizarem greves que saíram do controle da burocracia sindical. No Piauí, uma greve de mais de 60 dias passou por cima da burocracia sindical do PT ao PSTU. Em São Paulo, os professores municipais, há anos sem fazer greve, colocaram o pelego da diretoria do sindicato para correr após a traição à greve.
1.5. Mas foi nos Correios que se expressou com clareza a tendência de mobilização da classe operária que já está se desenvolvendo. Em 2011, os trabalhadores realizaram uma greve de 28 dias, a maior dos últimos 15 anos, passando por cima da burocracia sindical, que só conseguiu acabar com a greve depois do golpe do TST. Mais importante do que a enorme mobilização e radicalização da greve foi sua importância política. A presença do PCO na categoria, mais precisamente o trabalho de imprensa partidária, foi o que dirigiu politicamente a greve, a ponto de o próprio ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, ter sido forçado a admitir este fato.
1.6. O resultado do Contect, com a vitória da oposição, é a expressão direta da revolta das bases da categoria e o resultado do trabalho de agitação e propaganda desenvolvido há anos pelo partido nos Correios. Mas não apenas isso. É uma expressão organizada e consciente dessa tendência que mostra o enorme potencial de evolução política da classe operária para uma ação política consciente na presente etapa.
1.7. Portanto, a vitória da oposição abre uma nova etapa de luta no movimento sindical, caracterizada pela luta aberta contra a dominação da burocracia sindical e pela tendência à organização independente da classe operária. 

2. Crise da burocracia 

2.1. A crise da burocracia sindical verificada nos Correios é uma tendência geral de todo o movimento operário. O exemplo dos Correios é a expressão avançada dessa crise.
2.2. O que determina a crise da burocracia é a contradição existente entre a política pró-imperialista levada adiante pelo governo do PT e as massas. Esta contradição não se manifestou claramente por um longo período fundamentalmente pela política de estabilidade estabelecida pelo imperialismo em escala mundial.
2.3. A burocracia sindical, para defender o regime político contra-revolucionário, está cada vez mais comprometida com a própria política pró-imperialista do governo federal e demais governos.
2.4. Na medida em que aumentam as lutas operárias, as massas necessariamente entram em choque com a burocracia sindical, que cumpre um papel de barreira de contenção do movimento.
2.5. Esse choque é determinante para o aprofundamento da crise da burocracia. O desenvolvimento das lutas operárias no País tende a tornar cada vez maior contradição e é inevitável que o movimento de massas passe por cima da burocracia, já que como condição para sua luta contra a burguesia está a superação da burocracia. 

3. A falência da Conlutas: a crise do centrismo de direita 

3.1. Uma das conclusões políticas mais importantes que o movimento sindical deve extrair da vitória do bloco de oposição nos Correios diz respeito à experiência definitiva com a política do centrismo de direita, que atua como braço esquerdo da frente popular, em particular o PSTU/Conlutas. A FNTC nos Correios, conhecida como Federação Anã, foi colocada na lona.
3.2. Quanto mais o PSTU/Conlutas insiste na ruptura com a Fentect, mais isolado vai ficando no movimento. A Federação Anã, que começou com meia-dúzia de sindicatos, chegou ao congresso da Fentect com três e agora deve perder todos os seus componentes; está em franca dissolução. É importante notar que a crise do centrismo se dá no exato momento em que este desenvolve uma acentuada demagogia esquerdista (sindicatos revolucionários puros), o que dá a medida da sua crise.
3.5. A própria Conlutas e a sua política estão em xeque após a experiência nos Correios. Há uma clara tendência de reorganização do movimento operário.
3.6. Conforme vem sendo dito desde o início pelo PCO a experiência nos Correios mostrou que a organização de uma oposição classista e revolucionária dentro da CUT é uma tarefa mil vezes mais importante para a luta real da classe operária que a criação de organizações artificiais e sectárias como a Conlutas.
3.7. A falência da Conlutas não é apenas uma crise de sua política, mas uma crise do próprio centrismo enquanto instrumento de contenção da classe operária. O centrismo de direita tentará modificar a sua política, mas a sua autoridade como pretensa ala radical da frente popular, ou seja, a autoridade para levar adiante a política da frente popular com uma política de demagogia esquerdista está comprometida em seu caso mais radical.
3.8. O principal exemplo da completa crise da burocracia centrista, tendo como seu maior representante o PSTU/Conlutas, foi a greve dos metroviários em São Paulo. Isso demonstra que se abre um abismo entre a demagogia esquerdista e a política efetivamente direitista que leva adiante o que não pode mais ser resolvido por malabarismo verbais e manobras de segunda ordem.
3.9. O PSTU/Conlutas está na direção do maior sindicato de metroviários do País, o da capital paulista.
3.10. Enquanto trabalhadores do metrô de sete capitais fizeram semanas de greve, o sindicato de São Paulo, apesar da gigantesca tendência de luta da categoria, realizou uma greve de apenas 12 horas.
3.11. Para ser mais claro, enquanto os sindicatos dirigidos pela burocracia da CUT faziam as greves, o PSTU, à frente do maior sindicato, fazia o papel de uma verdadeira tropa de choque do governo do PSDB.
3.12. A greve, ainda que tenha durado apenas metade de um dia, transformou a maior cidade do País em um caos. O movimento poderia ter se alastrado para outras categorias, manifestações populares explodiram na Zona Leste e os governos Alckmin e Kassab quase entraram em colapso com a ação dos trabalhadores. O PSTU prestou um grande serviço aos tucanos. 

4. O deslocamento à esquerda 

4.1. O principal fator da vitória do bloco de oposição nos Correios é o enorme deslocamento da categoria à esquerda.
4.2. A últimas greves, principalmente a do ano passado, são claros sinais desse deslocamento. Por isso, a vitória da oposição não pode ser entendida pelo partido como um acontecimento ocasional ou como um acerto de cúpula.
4.3. A própria possibilidade de formação do bloco oposicionista é um produto direto da revolta nas bases. Esse deslocamento dos trabalhadores à esquerda é o que pressiona e desloca o ativismo centrista para a esquerda. Até mesmo setores da própria burocracia são jogados para a esquerda.
4.4. A experiência do bloco de oposição revela claramente que as condições estão dadas nas bases de todos os sindicatos do País para a constituição e o crescimento de oposições sindicais classistas.
XX. A base para estas oposições é o deslocamento à esquerda de uma ampla base centrista, que se liberta da burocracia da frente popular (das suas alas oportunista e centrista de direita) e evolui à esquerda acompanhando as massas.
4.5. O partido deve lançar-se a incentivar e contribuir ativamente para o surgimento dessas organizações, ajudando as diversas correntes e militantes centristas a evoluir no sentido das posições revolucionárias da classe operária. Em primeiro lugar nos Correios, mas também em todas as categoria, já que essa é uma tendência geral no movimento operário. 

5. O aparecimento das oposições 

5.1. Essa tendência ao surgimento de oposições classistas, ligada à crise da burocracia sindical, deve ser entendida como uma tendência à recuperação dos sindicatos e organizações sindicais em geral pela classe operária.
5.1. As oposições, e o exemplo dos Correios deixou isso claro, surgem dentro dessas organizações, não fora. Por exemplo, a greve dos Correios aconteceu dentro da Fentect e os trabalhadores se organizaram ali e passaram por cima da burocracia.
5.2. A tarefa de reconquistar os sindicatos deve ser central para o movimento.
5.3. A luta sindical, porém, não é um fim em si mesma, mas um meio para a luta pelo poder da classe operária e pelo socialismo. A atuação nos sindicatos só fará sentido se tiver como principal fim a construção do próprio partido revolucionário, ou seja, a organização política da classe operária.
5.4. O PCO deve colocar claramente que a luta contra a burguesia só será bem sucedida se os trabalhadores estiverem organizados politicamente dentro do partido operário, independente e se esta luta se transformar plenamente em luta política.
5.5. Em hipótese alguma a bandeira e o programa do partido devem estar dissolvidos em uma política sindical, pelo contrário, o partido, mesmo lutando por uma política comum com diversos setores dentro dos sindicatos, deve desenvolver a sua agitação sindical e política e a sua propaganda de forma independente e trabalhar sempre pela organização política independente da classe operária. As massas necessitam de orientações e bandeiras corretas para se desenvolver no sentido revolucionário.
5.6. A construção do partido é a tarefa central dos militantes revolucionários porque a evolução da luta não se dá no sentido de reformas econômicas, mas da luta política pelo poder. 

6. Correios: a manifestação da tendência geral 

6.1. O que está acontecendo nos Correios não deve ser encarado pelos militantes partidários como um fenômeno isolado.
6.2. Por uma série de fatores – históricos, políticos e econômicos – o movimento dos Correios manifestou primeiro aquilo que é a tendência geral de todo o movimento operário brasileira na próxima etapa.
6.3. Em todas as categoria está o germe para o desenvolvimento daquilo que temos visto nos Correios: a mobilização de 28 dias, a queda da burocracia, a vitória da oposição, a falência do centrismo.
6.4. É uma questão de curto tempo para que o mesmo processo comece a aflorar nas demais categorias e se transforme em uma tendência geral do movimento operário. 

7. Os motores da evolução do movimento 

7.1. Não resta dúvida que a crise capitalista que tomou conta do mundo todo é, também no Brasil, o principal motor da evolução das lutas da classe operária.
7.2. Em relação ao continente europeu, a aparente estabilidade que manteve o governo brasileiro, fez com que o movimento operário entrasse em luta um pouco mais tardiamente. A máscara econômica do governo está caindo e o movimento operário começa a despertar de seu sono de duas décadas.
7.3. Mas para desespero da burguesia brasileira, o movimento operário do País conta com a experiência acumulada desde o último ascenso da classe operária, 30 anos atrás, a formação do PT, da CUT, dos sindicatos independentes etc.
7.4. A experiência dos anos 80, quando eclodiram as maiores lutas operárias da história do País, ainda não foi concluída.
7.5. A burguesia não conseguiu superar aquela etapa de crise. O novo ascenso da classe operária será, em grande medida, uma continuação mais desenvolvida das lutas dos anos 80.
7.6. Sem dúvida, essa experiência da classe operária brasileira será decisiva como motor das lutas, aliada ao fator econômico. 

8. O partido diante da nova situação 

8.1. Diante da nova etapa política do movimento operário brasileiro, o partido deve colocar-se como fator decisivo para o desenvolvimento das lutas operárias em um sentido revolucionário. Para isso é necessária a organização dessa tendência de luta.
8.2. Em primeiro lugar, o partido deve delimitar-se com todas as tendências burocráticas. O papel do partido revolucionário é a defesa prática e intransigente dos interesses reais (imediatos e históricos) da classe operária. Para isso, é necessária a luta por uma política de independência de classe.
8.3. Em segundo lugar, o partido deve lançar-se na organização de um movimento de massas independente, contra a conciliação de classes, contra o oportunismo político da burocracia sindical e do governo de frente popular.
8.4. Em terceiro lugar, é preciso desenvolver um programa verdadeiramente revolucionário para os sindicatos. Esse programa deve ser defendido com toda a energia em todas as situações, de maneira a educar os operários sobre a necessidade de lutar politicamente contra a burguesia.
8.5. Em quarto lugar, o partido deve trabalhar no sentido da unificação das lutas dos trabalhadores. A maior vitória dos trabalhadores está condicionada a uma maior centralização política de suas lutas. Somente essa centralização política nacional permitirá a evolução do movimento operário na luta contra o Estado capitalista e seu regime.
8.6. Por último, toda a política travada nos sindicatos e no movimento operário em geral só fará sentido se estiver de acordo com a luta por um partido operário. A necessidade do partido operário é um desenvolvimento necessário da luta dos trabalhadores contra a burguesia. 

9. As próximas tarefas 

9.1. A autoridade adquirida nos Correios deve ser usada para a atuação nas demais categorias do movimento operário. Uma prioridade deve ser os petroleiros. A Fentect deve propor à FUP uma campanha conjunta contra a privatização e a terceirização.
9.2. As vitórias nos Correios e em outras categoria devem ser usadas para ampliar e generalizar o movimento de luta.
9.3. A base da evolução revolucionária é essa generalização.
9.4. A vitória da oposição nos Correios é o prenúncio do ascenso operário que deve tomar conta do País na próxima etapa. Os revolucionários devem estar preparados para a atuação enérgica no movimento.

Depois da Fentect, é hora dos trabalhadores retomarem os sindicatos de São Paulo e Rio de JaneiroDepois da Fentect, é hora dos trabalhadores retomarem os sindicatos de São Paulo e Rio de Janeiro


É necessário ampliar a luta da oposição e, assim como os trabalhadores conseguiram derrotar o bloco da PT/Articulação da Fentect, chegou a hora de fazer o mesmo nos sindicatos de São Paulo e Rio, expulsando a quadrilha de bandidos do PCdoB 

A vitória da oposição classista no XI – Congresso Nacional dos Trabalhadores dos Correios, derrotando o bloco pelego (PT-PCdoB) da direção da Fentetc, pôs em pauta uma nova perspectiva para o movimento operário dos Correios.
A oposição estabeleceu o rodízio da secretaria geral para impedir a concentração de funções; acabou com a “panelinha” de que era composta o comando de mobilização e negociação da campanha salarial, a qual dava ensejo há várias traições; ampliou a diretoria da Fentect para 38 diretores, tornando-a mais representativa e, modificou substancialmente em vários pontos o estatuto da federação, dando-lhe um caráter mais democrático.  
Por outro lado, todas as teses que pregavam a “invencibilidade da burocracia” para tentar justificar o racha da federação, foram reveladas falsas. O congresso demonstrou de maneira implacável a crise e a enorme fragilidade da burocracia sindical, além da força e o poder dos trabalhadores, que representados pelo bloco de oposição (PCO, Intersindical, MRL e independentes) puderam derrubar a ditadura dos pelegos e retomar a Fentect.
A derrota da burocracia na principal organização sindical dos trabalhadores dos Correios é, portanto, um duro golpe contra a burocracia em seu conjunto, pois, com a subida da oposição na direção da Fentect está mais que colocada à possibilidade concreta de reorganização de todas as entidades da categoria, ou seja, da retomada dos sindicatos que estão sob o controle da burocracia sindical para colocá-los a serviço dos interesses dos trabalhadores.  
Nesse sentido, coloca-se, portanto, como uma das tarefas principais do movimento derrubar a quadrilha de traidores do PCdoB/CTB dos sindicatos de São Paulo e Rio de Janeiro e impedir a divisão da categoria.   

O último reduto da burocracia 

O PCdoB/CTB sempre foi um dos maiores inimigos da categoria e, nesse momento, sem dúvida alguma, sobretudo depois da queda do PT na direção da Fentect, são um dos maiores obstáculos à luta dos trabalhadores.
Na direção dos dois maiores sindicatos dos Correios, organizaram sob o comando da empresa os principais ataques (PCCs da escravidão, acordo bianual, SAP etc) contra a categoria, liquidando campanhas salariais inteiras, assinando os piores acordos e traindo sistematicamente as mobilizações dos trabalhadores em troca de cargos e outros privilégios.       
Porém, embora estejam sob o controle desses importantes sindicatos, a dominação do PCdoB não é mais que artificial e precária, apoiada apenas e tão somente pela direção da empresa que os colocou na diretoria por meio da fraude, da corrupção e da violência, insustentável diante de qualquer mobilização massiva dos trabalhadores.
O racha criminoso do PCdoB desfiliando os sindicatos de São Paulo e Rio de Janeiro da Fentect, apenas aprofundou a sua crise na medida em que a proposta de divisão foi completamente rejeitada pela categoria, colocando o PCdoB numa situação ainda maior de isolamento, agora, refugiado e escondido nos escritórios dos poucos sindicatos que ainda dirigem.
O fracasso da política divisionista é tamanha, que eles tiveram que realizar uma assembleia fantasma para oficializar “legalmente” a desfiliação do Sintect-SP e Sintect-RJ, pois, sem a fraude, seria impossível que aprovassem numa assembleia de trabalhadores o racha da federação, encaminhando uma pauta própria de negociação salarial em separado do restante da categoria.
A fraqueza dessas diretorias é evidente e pouco a pouco os trabalhadores estão expulsando os pelegos e retomando as organizações sindicais para uma direção classista e de luta.
Nos últimos anos, depois de inúmeras traições e de várias experiências que os trabalhadores realizaram com a burocracia, foi possível constituir um enorme bloco de oposição e expulsar os pelegos da federação.  
Nesse momento, a burocracia sindical encontra-se em estado terminal, completamente dividida e rachada, sem nenhum apoio entre os trabalhadores. É hora de a vitória conquistada pela oposição na Fentect se estender para os sindicatos de São Paulo e Rio de Janeiro. Esta é, sem dúvida, a próxima etapa da luta que se travou no Congresso.
É necessário organizar os trabalhadores na base, denunciar sistematicamente os pelegos e impedir a divisão da categoria defendida pelo PCdoB a serviço dos patrões.
A corrente Ecetistas em Luta (PCO), juntamente com todos os setores combativos, chama todos os trabalhadores dos Correios, os militantes e ativistas a apoiarem essa iniciativa e formarem oposições em todos os sindicatos dirigidos por essa quadrilha de bandidos do PCdoB e expulsar a burocracia das organizações dos trabalhadores.

domingo, 1 de julho de 2012

Oposição na direção da Fentect aprova completa reorganização da Campanha Salarial

A vitória da oposição na federação representa um expressivo avanço da luta contra a burocracia traidora e pela reorganização dos sindicatos dos trabalhadores         
    

A oposição unificada (PCO, MRL, Intersindical e independentes) que retomou a direção da Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios) derrotando o bloco pelego do PT-PCdoB, reorganizou toda a estrutura de funcionamento da federação de maneira ampla e democrática, com base nos interesses da categoria, retirando da burocracia sindical o monopólio sobre a entidade e colocando a Fentect a serviço dos interesses dos trabalhadores e de suas lutas.
A importância dessas modificações na principal entidade da categoria se dá principalmente pelo fato da Fentect ser, efetivamente, a única federação da categoria responsável por negociar e assinar o contrato coletivo de trabalho dos funcionários dos Correios, de maneira que as transformações ocorridas nessa entidade são extremamente relevantes para os trabalhadores.
Nesse sentido, as mudanças promovidas pela oposição foram bastante significativas, destoando profundamente da diretoria anterior e até mesmo de várias organizações sindicais de outras categorias.
Além do estatuto que foi modificado substancialmente, a diretoria foi ampliada de 13 para 38 diretores, aumentando a participação dos sindicatos de maneira verdadeiramente representativa e, a secretaria geral, antes concentrada nas mãos de meia dúzia de pelegos do PT, agora será alternada a cada seis meses entre vários membros da oposição, dificultando a reprodução das traições cometidas pela antiga direção do PT-PCdoB, que se utilizavam desse cargo para assinarem os piores acordos à revelia do restante da diretoria e dos interesses dos trabalhadores.

Uma campanha salarial de luta!

Porém, umas das modificações mais importantes diz respeito às negociações salariais da categoria.
A oposição aprovou um comando amplo, efetivamente democrático, com um representante por sindicato, formando o CNMCS (Comando Nacional de Mobilização da Campanha Salarial), com um total de 41 membros, que só poderão assinar o acordo se pelo menos 23 sindicatos, de um total de 35, aprovarem a proposta em assembleia, garantindo que o acordo seja amplamente discutido com os trabalhadores de base. Ou seja, uma proposta que liquida com o maldito balcão de negócios de compra e venda de sindicalistas pelos patrões para que assinassem acordos que favorecessem a ECT, traindo descaradamente a categoria.
Um esquema escandaloso de corrupção, comandado diretamente pela direção da empresa e o governo para intervirem nas organizações sindicais e desmoralizar a luta dos trabalhadores.
O modo, portanto, de como se dará a campanha salarial é uma verdadeira revolução para organização da luta da categoria, abrindo uma nova perspectiva no movimento sindical dos trabalhadores dos Correios, mas também, na medida em que seja vitoriosa, a outras categorias operárias do País, que não encontram nenhum paralelo nessa forma de organização de campanha salarial.
Entre as reivindicações principais, dos 265 delegados presentes no XI – Congresso da Federação dos Trabalhadores ficou acordado que o índice para o reajuste salarial será de 43,07%, mais R$ 200,00 (duzentos reais) linear, e a Pauta Nacional de Reivindicações 2012/2013, terá como base a mesma que já foi aprovada no último CONREP (Conselho de Representantes da Federação Nacional dos Correios). Um avanço profundamente significativo em relação às campanhas salariais anteriores!
Diferente da forma de negociação estabelecida pelos pelegos do PT-PCdoB, que negociam cada item em separado: perda histórica, inflação antiga e inflação dos últimos 12 meses e aumento real, dando uma margem de manobra maior para os patrões rebaixarem as propostas e confundir o trabalhador sobre o cálculo real de perdas e ganhos, a oposição unificou todos os itens em um só percentual “cheio” de 43,07%, concentrando e unificando a categoria em torno de um só índice, o que facilita a compreensão da categoria sobre o que está sendo conquistado e aumenta o poder de pressão dos trabalhadores.
Há também dezenas de outras reivindicações econômicas e políticas, como o piso salarial de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para atender minimamente as necessidades de uma família operária, conforme prevê a Constituição Federal, a luta contra o PCCs da escravidão, o SAP e a privatização da empresa, propostas essas que foram todas defendidas e assinadas em momentos anteriores pela burocracia sindical a serviço dos patrões.
Várias outras propostas que também fogem completamente do esquema tradicional dos pelegos, que sempre descartam, rebaixam ou usam de reivindicações importantes da categoria para fazer demagogia, serão discutidas no próximo CONREP, de maneira que esses pontos aprovados pela Fentect sob a direção da oposição são apenas indicativos, podendo ser aprovadas muitas outras reivindicações dos trabalhadores.
Dessa forma, a oposição dá um novo direcionamento para a luta dos trabalhadores dos Correios, colocando a Fentect, principal organização da categoria, sob o controle dos trabalhadores de base.

Não à divisão da categoria! Os trabalhadores devem se unificar nacionalmente em uma única campanha salarial!

Os traidores da quadrilha sindical do PCdoB, que dirigem os sindicatos de São Paulo e Rio de Janeiro, afirmaram que pretendem dividir a categoria apresentando uma proposta de campanha salarial separado do restante dos sindicatos.
Esses sindicalistas (Peixe, Divisa, Ronaldão) conhecidos em todo País por serem verdadeiros capachos da empresa, traindo campanhas salariais inteiras, querem fazer os trabalhadores de idiotas afirmando que os sindicatos agora desfiliados da Fentect farão uma campanha salarial de luta, vitoriosa. Nada mais que uma demonstração de cinismo extremo! Pois, toda a categoria sabe perfeitamente que eles foram personagens principais das maiores traições cometidas contra os trabalhadores (PCCs da Escravidão, SAP, acordo bianual etc).
Afinal qual seria a vantagem para os trabalhadores dos Correios de São Paulo e Rio, comandados por essa quadrilha de bandidos fazerem uma campanha salarial isolada, por fora da Fentect, sem a pressão de uma mobilização nacional? Qual a vantagem de dividir o movimento grevista em duas propostas? Nenhuma, apenas serviria para os interesses patronais e da burocracia negociar separadamente, uma vez que enfraquece o poder de pressão das bases.
Não há, portanto, absolutamente nenhum interesse para categoria senão para os patrões, em dividir os trabalhadores, sobretudo no exato momento que a direção da Fentect foi retomada para a oposição.
É necessário denunciar o golpe do PCdoB como um atentado contra unidade dos trabalhadores, contra a luta dos ecetistas e partir para a base desses sindicatos, disputar a direção e expulsar os pelegos.
A corrente sindical Ecetistas em Luta (PCO) faz um chamado a todos os trabalhadores de São Paulo e Rio de Janeiro a rejeitar o divisionismo que os pelegos querem impor e se unificar com os trabalhadores de toda a categoria em uma única campanha salarial dirigida por uma oposição de base, efetivamente composta por trabalhadores e não por meia dúzia de burocratas sindicais.
Somente dessa forma será possível conquistar as reivindicações da categoria e enfrentar os ataques da empresa e do governo.

Ex-sindicalistas na direção da ECT começam as provocações contra o novo Comando Nacional de Negociações

No último congresso da Fentect – Federação Nacional dos Trabalhadores do Correio – foram aprovadas importantes mudanças na eleição do Comando Nacional de Negociações que acabam com o balcão de negócios na campanha salarial.         

                

O Ex-diretor da Fentect pelo PCdoB, Luiz Eduardo Rodrigues da Silva, o “Eduardo do Ceará”, hoje, gerente de negociações trabalhistas da direção do Correio, enviou no último dia 21, carta à federação informando que agendaram o início das negociações para o próximo dia 3 às 9 horas, já definindo inclusive o que será discutido na reunião.
Segundo ele “Na oportunidade será debatido o calendário de reuniões e as partes poderão apresentar temas a serem debatidos durante o processo de negociação. Desse modo, fica agendada a 1a. Reunião em 03/07/2012, com início às 9 horas na Sala de Reuniões da VIGEP – Edifício Sede da ECT – 8o. andar – Brasília”. (Clique aqui para ler o PDF, documento 1, documento 2)

A comunicação, obviamente, é uma provocação do ex-sindicalista, agora gerente da empresa, contra o novo comando de negociações, para forçar o início das negociações, quando sabe perfeitamente que o novo Comando de Negociações ainda não estará eleito, uma vez que não se trata do balcão de negócios dos comando anterior. O ex-sindicalista, Eduardo do Ceará, está atuando diretamente para impulsionar a campanha da empresa contra o novo Comando, tentando criar situações impossíveis para defender a volta da máfia dos 4 no Comando de Negociação.

Em todos os anos as negociações nunca começaram no início de julho, uma vez que sabido a necessidade de aprovação da pauta de negociações e a composição do Comando de Negociações pelas assembleias dos sindicatos além da legalização da nova diretoria da Fentect.
O ex-sindicalista, agora, defensor da direção da ECT, conhece perfeitamente, em detalhes, todo o processo. Ele convoca o Comando Nacional já para o próximo dia 3, sabendo que o mesmo não poderá estar presente, para impulsionar a política de divisão da categoria. Está criando situações impossíveis para que possam ser usadas pelas diretorias do Rio de Janeiro e de São Paulo para criticar a suposta ineficiência da Fentect, que justifiquem o seu isolamento da categoria nacional com a desfiliação da Federação.
Esta política do ex-sindicalista do PCdoB, agora gerente da ECT, não é surpresa, uma vez que conhecido o fato de que este elemento impulsionou a divisão da categoria, com promessas e estímulos aos dirigentes do PCdoB na diretoria dos sindicatos do Rio de Janeiro e São Paulo de negociações em separado com estes dois sindicatos.
A perfídia do representante da ECT deve ser combatida com uma campanha pública de explicação de como são importantes as mudanças aprovadas no congresso da Fentect, além da exigência de que as negociações não tenham a participação de nenhum ex-sindicalista, os quais traíram a categoria ao assumirem cargos de confiança da direção da ECT, ainda mais no caso do chamado “Eduardo do Ceará” o qual está envolvido diretamente com os sindicalistas do PCdoB no Rio de Janeiro e de São Paulo, os quais trabalham para tentar desmoralizar a Fentect, tentando justificar a traição que significa a divisão da categoria.

Uma mudança importantíssima

Pela primeira vez na história do movimento sindical dos trabalhadores do Correio, as negociações da campanha salarial deste ano serão realizadas por um Comando de Negociações composto por um representante de cada sindicato filiado à fentect e diretores da Fentect – Federação Nacional dos Trabalhadores do Correio.
Este comando amplo que deve contar com mais de 40 pessoas, em suas seções plenárias, põe por terra o esquema montado pela direção da ECT e pelo núcleo duro da burocracia sindical que comandou durante anos os principais sindicatos do Correio nacionalmente, do verdadeiro balcão de negócios em que se transformou as negociações da campanha salarial, através da compra de meia dúzia de sindicalistas.
Nos últimos anos a categoria viu estarrecida a direção da ECT e o governo conseguirem aprovar acordos salariais que trouxeram enormes prejuízos aos trabalhadores com a compra de 4 membros do Comando de Negociação, os quais tomaram decisões contra o interesse de mais de 100 mil trabalhadores.
No acordo salarial do bianual chegaram ao extremo de imporem esta enorme traição com a assinatura de somente 3 membros. Não faltaram cínicos e desclassificados para defenderem tal sistema como o ápice da democracia, com o argumento para idiotas de que os 4 ou 3 membros do comando representariam supostamente a vontade da categoria.
O acordo bianual, assinada pelos elementos Antonio Sérgio Campos, sindicalista baiano, Ronaldo Ferreira Martins, atual presidente do sindicato do Rio de Janeiro e expoente do PCdoB, além do histérico defensor da direção da Empresa e do Governo, Reginaldo Freitas de Souza, petista da diretoria do sindicato de Juiz de Fora, pioneiro na indicação de sindicalistas para virarem chefes na empresa, abriu enorme crise no movimento sindical por ter exposto que o esquema da máfia do 4, sempre e em todos os momentos significou trair a categoria, encoberta com todo tipo de desculpas.
A direção da ECT e as línguas de aluguel da empresa no movimento sindical estão tentando criticar tudo que é possível e impossível nas importantes mudanças feitas no último congresso da Fentect. O principal eixo é justamente o Comando de Negociação e as propostas sobre a campanha salarial. Estão desesperados para forçar a máfia dos 4 no Comando de Negociação.
O bloco de Oposição e os trabalhadores tem que rejeitar categoricamente qualquer compromisso com esta política do negociador da ECT e das suas línguas de aluguel no movimento sindical de defesa dos traidores, divisionistas das diretorias de São Paulo e do Rio de Janeiro.
O bloco de oposição e os trabalhadores devem pedir o afastamento imediato do chamado “Eduardo do Ceará” das atuais negociações da campanha salarial, exigir a indicação de novo negociador pela direção da ECT e não aceitar nenhum ex-sindicalista como negociador.
A atual direção da Fentect deve entrar com ação na Justiça contra os ex-sindicalistas que negociarem acordos trabalhistas na ECT, pois é evidente o conflito de interesses.
A negociação da campanha salarial é com a Fentect. Os trabalhadores não vão aceitar participação, nem negociação paralela com nenhum sindicato isoladamente e não vão aceitar imposições nas negociações. As negociações devem começam somente depois que o Comando de Negociação for aprovado nas assembleias e com data de comum acordo com a Fentect.

Sindicato de Pernambuco continua na Fentect e integra bloco de oposição

Em reunião entre representantes do bloco de oposição da Fentect e a diretoria do Sintect-PE, os companheiros desse sindicato, que fazia parte da federação anã, não vão mais romper com a federação            
Nesta sexta-feira, dia 29, foi realizada uma reunião entre representantes do bloco de oposição da Fentect e a diretoria do Sintect-PE (Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de Pernambuco). A reunião é a segunda ocorrida entre o bloco de oposição e um sindicato integrante da FNTC (Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios), conhecida na categoria com federação anã. A primeira ocorreu na última segunda-feira, com a diretoria do Sindicato de São José do Rio Preto.
A reunião foi mais uma vitória dos trabalhadores. Os companheiros da diretoria do Sintect-PE decidiram abandonar a política de romper com a Fentect. Decidiram também integrar-se ao bloco de oposição.
A decisão dos companheiros de Pernambuco é correta e vai no sentido do desejo e das necessidades dos trabalhadores dos Correios, da unidade nacional do movimento. Com a vitória do bloco de oposição no Contect, ficou muito claro que a tarefa dos trabalhadores é organizar oposições classistas nas bases dos sindicatos para derrubar os traidores da Articulação Sindical do PT e do PCdoB. A política divisionista que o PSTU quer colocar em prática é, na realidade, uma política anti-operária que só pode servir aos patrões e à própria burocracia sindical.
Na reunião de São José do Rio Preto, os companheiros daquele sindicato afirmaram que iriam rediscutir a política de ruptura com a Fentect e sinalizaram no sentido de fazer parte do bloco de oposição.
O Sintect-PE também deverá participar do Comando de Negociação e Mobilização ampliado da campanha salarial, composto por um representante de cada sindicato, que foi aprovado no último Contect.
Com a decisão do Sintect-PE, a FNTC, como nova federação, praticamente está extinta, já que esse sindicato é o de maior base entre todos os que compunham a chamada Federação Anã.
Agora, resta apenas o Sintect-VP (Sindicato dos Trabalhadores do Vale do Paraíba), que já foi convidado formalmente para uma reunião com bloco de oposição. A categoria espera a resposta dos companheiros desse sindicato e espera que os trabalhadores da base do Vale do Paraíba não sejam abandonados à própria sorte pela diretoria desse sindicato.

São José do Rio Preto: Mais um sindicato deve abandonar a política da Federação Anã

Representantes do bloco de oposição se reuniram com os companheiros do Sintect-SJO para fazer um convite para se integrarem ao bloco de oposição dentro da Fentect                          
Na última segunda-feira, dia 25, uma comissão do bloco de oposição na Fentect esteve em reunião com a diretoria do Sintect-SJO (Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de São José do Rio Preto). A reunião foi uma iniciativa do próprio bloco de oposição e foram discutidos dois temas principais. Foi feito um chamado à diretoria daquele sindicato que reconsiderasse a posição de rompimento com a Fentect, com a vitória da oposição no congresso; e foi feito um convite formal para que a diretoria do sindicato se integrasse oficialmente no bloco de oposição.
A reunião com os diretores do Sintect-SJO é de fundamental importância já que este sindicato foi um dos maiores defensores da política desastrosa da Federação Anã de romper com a Fentect. A diretoria decidiu inclusive não mandar delegados ao congresso, o que poderia ter comprometido a própria vitória da oposição e, por pouco, não foi o que aconteceu.
Os companheiros do bloco de oposição chamaram a atenção dos diretores para a importância de mudar a orientação de sua política. A ausência do Sintect-SJO seria deixar os trabalhadores da base abandonados à própria sorte.
Os companheiros da diretoria do sindicato mostraram interesse em discutir a participação no bloco de oposição.. Também confirmaram a participação no comando de mobilização da Fentect que, conforme foi aprovado no congresso, teve o número de representantes ampliado para um por sindicato.
A reunião com os companheiros de São José do Rio Preto foi um importante passo para combater a política de destruição da Fentect e da unidade nacional da categoria levada adiante pela ala patronal do PCdoB em São Paulo e Rio de Janeiro..
A reunião em São José do Rio Preto foi a primeira. O bloco de oposição convidou formalmente os sindicatos de Pernambuco e do Vale do Paraíba para uma reunião com o mesmo tema. Os companheiros de Pernambuco já atenderam ao pedido, a reunião ocorreu nessa sexta-feira (ver matéria dessa edição).
Também serão propostas reuniões com as diretorias dos sindicatos de Bauru, Tocantins e Rio Grande do Norte, que defendem o rompimento com a Fentect.
Chamamos os trabalhadores dos Correios a pressionarem as diretorias dos sindicatos que querem dividir a Fentect a exigir a unidade e a denunciar o rompimento como uma política que serve apenas aos patrões.