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sexta-feira, 5 de outubro de 2012

A“vitória dos trabalhadores” segundo o PCdoB

Para diretoria do Sintect-SP, miséria é igual a vitória
O PCdoB publicou o jornal do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de São Paulo (Sintect-SP) tentando mais uma vez iludir os trabalhadores. Para a diretoria do sindicato, a greve desse ano foi uma “vitória”. Segundo os divisionistas do PCdoB, a categoria obteve avanços “inclusive no TST”.

O trabalhador, estupefato, assiste novamente ao circo montado pelos traidores da categoria, que no ano passado também tiveram coragem de afirmar que a greve de 28 dias tinha sido uma vitória. Para o PCdoB, “vitória” deve ter outro significado. Ter sete dias descontados, ter um aumento miserável, ter que compensar os dias no final de semana e ser perseguido pela chefia, ter esses dias descontados, ter dado a brecha para a empresa criar o SAP essa é a vitória do PCdoB/CTB.

Esse ano, com medo da mobilização, a empresa e o TST procuraram amenizar os ataques aos trabalhadores. É certo que a derrota poderia ter sido maior – sempre pode – mas o resultado dessa greve não representa nenhum avanço nas conquistas do trabalhador.

O julgamento no TST

Para a diretoria pelega do Sintect-SP, o TST teria sido favorável aos trabalhadores. Será mesmo?

No jornal está dito que a greve não foi considerada abusiva. É verdade. Mas por que então os trabalhadores serão obrigados a compensar os dias, sob pena de terem descontos no salário?

A cláusula 11 que trata do Convênio Médico dos trabalhadores foi mantida. É fato que a ECT gostaria de destruir esse direito. É fato também que isso só não ocorreu porque a empresa tem medo da reação dos trabalhadores. Mas isso não tem nada a ver com “avanço”, primeiro porque a empresa vai continuar tentando na comissão paritária criada para discuti o assunto. Segundo, e óbvio. Se um ladrão quer roubar o seu carro, mas não consegue, não significa que você teve um avanço, apenas que você conseguiu evitar que tirasse o carro que já era seu. Mas o mais cômico de tudo é que, no caso do Convênio médico, seria como se a vítima fosse obrigada a discutir com o ladrão em quais condições poderá ficar com o carro.

O mesmo raciocínio pode ser feito em relação ao vale extra. A empresa queria roubar os trabalhadores, mas não conseguiu. Melhor para os trabalhadores, mas nada de avanço.

O reajuste de 6,5% ou como o trabalhador não vai poder comer tomate

Essa maravilha de reajuste imposto pelo TST, 6,5%, é apresentado pela diretoria do Sintect-SP como uma vitória.

O PCdoB mostra mais uma vez que consegue se superar no peleguismo. Vejamos porque.

A diretoria do Sintect-SP está fazendo exatamente aquilo que a empresa queria quando apresentou as propostas de 3% e depois 5,2%. Queria que os sindicatos pelegos, como é o caso dos quatro sindicatos divisionistas (São Paulo, Rio de Janeiro, Bauru e Tocantins), usassem como parâmetro as propostas da empresa. Comparados aos 3%, 6,5% é mais do que o dobro, mas é claro que está muito longe de ser uma “vitória” ou um “avanço”.

É nisso que consiste o ilusionismo da empresa. Como o Sintect-SP é controlado diretamente pela direção da ECT, os traidores do PCdoB inda judaram a empresa a criar esse ilusionismo. É para isso que serve o rebaixamento da pauta. Segundo afirmam em seu jornal “[os sindicatos divisionistas] souberam arrancar a planilha de custos da empresa e achar a hora certa para apresentar uma contraproposta coerente”. Isso pode ser entendido como rebaixamento da proposta do sindicato, que não por coincidência foi bem parecida com a própria proposta miserável da ECT de 5,2%.

O rebaixamento da pauta é parte do ilusionismo criado pelos patrões e pelos sindicalistas traidores. Está muito claro ainda que se não houvesse rebaixamento da pauta, o próprio TST teria outros parâmetros para decidir o índice, por exemplo os 43,7% reivindicados pela categoria, com base nas perdas históricas do trabalhador.

Por fim, o trabalhador sabe que 6,5% não é nada. Sabe que só o feijão teve um aumento de 30% e o tomate, 76,46%, ao longo do ano. Qualquer um sabe também que a tendência é piorar. Essa é a “vitória” segundo os traidores do PCdoB. A continuar com as “vitórias” do PCdoB, a categoria vai ter que viver só de arroz, e olhe lá.

Se a derrota não foi tão grande quanto no ano passado é porque a categoria está mobilizada, inclusive contra os traidores do movimento.

Denúncia: Falta de condições de trabalho é rotina em Divinópolis

Grande adesão ao movimento paredista em Divinópolis reivindicou além de melhores salários o fim do descaso da ECT para com os trabalhadores do interior do estado. Trabalhadores estão sem material para realização do trabalho Os trabalhadores já denunciaram por diversas vezes o descaso da direção da ECT para com os ecetistas do interior do estado de Minas Gerais. Mais uma vez a denuncia de falta de material para realização do trabalho retorna as manchetes deste periódico sindical.

O Obsurdo que está colocado mais uma vez para os trabalhadores de Divinópolis é a falta de bolsa para carteiros nas unidades desta cidade. O descaso é tão grande que os trabalhadores são obrigados a saírem com "sacos de DA" nas costas pelo fato de não terem bolsas apropriadas para realização das entregas diárias.

Nós da direção do SINTECT-MG não vamos permitir em hipótese alguma, que a ECT economize dinheiro ao deixar de fornecer um material essencial para o trabalho de carteiro e prejudique a saúde dos trabalhadores. Exigimos que a direção da ECT/DR/MG forneça o equipamento necessário (bolsa para carteiros) para a realização da entrega domiciliária sob pena de uma nova paralisação das atividades por falta de condições de trabalho nestas unidades.

Enviaremos também cópia desta denúncia para a SRTE-MG( Superintendência Regional do trabalho e Emprego de Minas Gerais) para que seja averiguado as condições de trabalho dos ecetistas da cidades de Divinópolis.

Salientamos que a participação no movimento de greve é direito constituído e legal de qualquer trabalhador e portanto não aceitaremos nenhum tipo de retaliação contra os participantes do movimento paredista.

Por melhores condições de trabalho, não à privatização dos Correios!

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

O que está por trás do divisionismo na categoria dos Correios

As lições da campanha salarial
A manobra divisionista do PCdoB/CTB nos sindicatos de São Paulo e Rio de Janeiro tem que ser entendida pelos trabalhadores como um golpe puramente patronal
No início do ano, o PCdoB, segundo principal grupo de sustentação da burocracia da Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios) e responsável por todas as derrotas e traições sofridas pela categoria, anunciou que iria desfiliar da federação os principais sindicatos que dirigem: São Paulo e Rio de Janeiro. Com o final da campanha salarial, fica muito fácil notar os motivos dessa manobra contra o movimento dos trabalhadores.

Em primeiro lugar, a divisão das duas maiores bases sindicais é uma política diretamente promovida pela direção da ECT para confundir a categoria na campanha salarial. Essa cartada foi dada como resposta à enorme tendência de luta dos trabalhadores que já havia sido demonstrada na greve passada.

A burocracia sindical mostrou-se incapaz de controlar o movimento ascendeste da categoria. Os 28 dias de greve em 2011 foram resultados da revolta da categoria contra a burocracia sindical. Os trabalhadores passaram por cima de todas as assembleias, todas as vezes que as diretorias dos sindicatos quiseram derrotar a greve. O final da greve só foi possível por meio da utilização da ditadura do TST.

Em segundo lugar, como consequência da mobilização de 2011, tanto a burocracia sindical como a direção da ECT previam o fortalecimento de uma política combativa dentro da Fentect, representada pelos setores oposicionistas. Essa tendência foi comprovada pela vitória do bloco de oposição no congresso.

A saída de São Paulo e Rio de Janeiro da Fentect, com total apoio da máquina da empresa, foi a tentativa de garantir que o movimento nacional não ficasse completa e definitivamente nas mãos dos setores combativos da categoria. Foi para isso que serviu a confusão gerada pelos divisionistas.

É importante esclarecer que, mesmo se o bloco de oposição não tivesse ganho a maioria da federação, o aumento da força dos setores oposicionistas era líquido e certo. Se o PCdoB/CTB continuasse na Fentect, a margem de manobra da empresa e da burocracia sindical ligada a ela seria muito reduzida e o movimento seria colocado sob a direção política da oposição inevitavelmente.

A saída do PCdoB, usando o fato de terem os dois maiores sindicatos do País, deu uma sobrevida à política patronal dentro do movimento sindical. Isso ficou comprovado pela forma como a ECT utilizou os quatro sindicatos divisionistas para confundir e pressionar a Fentect. No final, o reagrupamento do PCdoB com o PT também mostrou que desde o começo, a intenção era enfraquecer a diretoria majoritária da Fentect, ou seja, a política combativa levada adiante pelo movimento de oposição.

Até certo ponto, a manobra divisionista deu resultado. Conseguiu confundir parte da categoria e os setores vacilantes do próprio bloco de oposição. A ação do bloco burocrático PT-PCdoB-PSTU novamente levou a categoria à derrota. No entanto, essa pode ter sido a última vez, a crise da burocracia sindical chegou ao ponto máximo.

Em terceiro lugar, a saída dos sindicatos de São Paulo e Rio de Janeiro é a expressão mais acabada da crise terminal da burocracia. A ala mais em crise é justamente o PCdoB/CTB na diretoria desses dois sindicatos.

A revolta da categoria contra essas diretorias pode ser medida pelo tamanho da ditadura patronal imposta pelo PCdoB dentro desses sindicatos. Como foi possível verificar, a revolta apenas aumentou, o que obrigou o PCdoB a fazer assembleias fechadas, com capangas e todo o tipo de aparato policialesco para impedir a participação dos trabalhadores. As diretorias dos sindicatos de São Paulo e Rio de Janeiro se transformaram em meros agentes patronais, totalmente desligados da categoria e alheios aos interesses dos trabalhadores. Em São Paulo, na Praça da Sé, o PCdoB também precisou contratar capangas para agredirem os trabalhadores pesentes, o que só aumentou sua crise.

A posição da Fentect também foi decisiva para aumentar ainda mais a crise dessa burocracia. Foram feitas quatro assembleias em São Paulo e no Rio de Janeiro. O trabalhador, apesar de toda a confusão, sabe que existe uma organização que se opõe à ditadura do PCdoB. As assembleias e o trabalho de imprensa e agitação realizados pela Fentect nos dois estados serviram para esclarecer os trabalhadores e pressionar o PCdoB, que foi inclusive obrigado a decretar a greve.

A próxima tarefa da Fentect e da oposição nacional é organizar o movimento nacional para unificar os trabalhadores ecetistas. A Fentect representa mais de 60% da categoria, é a maior parte dos trabalhadores em nível nacional. Esse movimento nacional é o que vai abrir caminho para libertar os trabalhadores de São Paulo e Rio de Janeiro da ditadura do PCdoB.

Essa campanha salarial deixou claro: a ECT quer atacar o plano de saúde da categoria

Os ataques da direção dos Correios aos direitos dos trabalhadores vêm de todos os lados
A direção dos Correios, desde o início da campanha salarial, mostrou interesse em fazer mudanças no plano de saúde do trabalhador. A empresa procurou de todas as formas tornar obscuras as mudanças que pretende realizar no convênio e em nenhum momento deixou transparente para os trabalhadores quais mudanças seriam essas. Em seus documentos, a única desculpa que a empresa utilizou foi uma suposta adequação do convênio médico, previsto na Cláusula 11 do Acórdão, a novas normas da ANS (Agência Nacional de Saúde) que ninguém sabe exatamente o que seriam.

Na reta final da campanha, no entanto, a direção dos Correios admitiu na mesa da reunião de conciliação com o TST que precisa reduzir custos. De acordo com a própria Ata da reunião do dia 25 de setembro está dito: “No tocante ao Plano de Saúde, [a ECT] salientou que a empresa preocupa-se com o alto custo de tal benefício, bem assim com o crescimento desse custo [grifo nosso]. Ressaltou, ademais, a necessidade de realizar adaptações no Plano de Saúde para atender às exigências do órgão regulador.”

“Reduzir custos” é destruir o convênio

Os trabalhador dos Correios sabe que a “preocupação” da direção da ECT em diminuir os custos do plano de saúde é na realidade uma preparação para um enorme ataque contra esse direito.

Apesar das tentativas da empresa de esconder o que realmente pretende fazer, os ataques devem vir de todos os lados. Investigando a fundo as mudanças, dá para imaginar que as intenções da ECT são as piores possíveis para a categoria. Por exemplo, mudar o teto de reembolso no uso do plano para o trabalhador e seus dependentes. Outra mudança que deve estar na mira da ECT são as regras para os dependentes.

A declaração da empresa na reunião com o TST mostra que a direção dos Correios quer colocar em marcha uma destruição do convênio médico.

A julgar pelos recentes ataques ao plano de saúde, dá para perceber bem quais as intenções da empresa. Terceirização dos ambulatórios, demora para a aquisição de guias médicas, fechamento de hospitais conveniados, fechamentos de ambulatórios, contratos cortados em cidades do interior.

O convênio médico da categoria é uma das principais conquistas da luta dos trabalhadores. Para que a empresa aumente seus lucros, que vão parar nos bolsos dos capitalistas que querem privatizar os Correios, é preciso cortar cada vez mais os direitos dos trabalhadores.

Apenas para se ter uma ideia, vamos levar em conta um plano de saúde da Unimed (mais simples do que o dos Correios). O corte do convênio médico pode representar uma perda salarial, no mínimo, de R$ 513,94 por mês, ou R$ 6.167,28 por ano, para um trabalhador cujo convênio cubra ele e sua esposa (os dois com uma idade entre 34 e 38 anos) e duas crianças. Esse valor pode aumentar bastante, dependendo da idade e da quantidade de pessoas. É um aumento substancial no salario do trabalhador.

A empresa não conseguiu mudar o plano de saúde nessa campanha salarial, com medo da revolta da categoria. Porém, os trabalhadores devem se atentar ao fato de que a ECT vai tentar de todas as formas atacar esse e outros direitos. Somente a mobilização será capaz de frear esses ataques.

TCU estipula fim da terceirização em estatais

Determinação do Tribunal de Contas da União (TCU) obriga as empresas publicas a acabarem com a terceirização das atividades-fim nas estatais, obrigando o governo a contratar trabalhadores concursados
De acordo com a decisão do TCU as empresas estatais terão até o dia 30 de novembro para apresentar um plano de substituição de funcionários terceirizados que exerçam atividades-fim.

A regra vale para todas as cerca de 130 empresas públicas da administração indireta, sociedades de economia mista e subsidiárias sob a responsabilidade do Departamento de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Dest) do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (Mpog). As estatais estarão sujeitas a multa de até R$ 30 mil, caso a decisão não seja cumprida.

As privatizações aumentaram enormemente a contratação de trabalhadores terceirizados. A política das empresas tem sido reduzir ao máximo os custos com os trabalhadores. Promovem o arrocho salarial, demissões, corte de direitos trabalhistas, a hora extra não remunerada ou o banco de horas.

 
Petrobras, Correios...

 
Depois da privatização, a Petrobras demitiu mais da metade dos trabalhadores e os substituiu por trabalhadores terceirizados. Hoje são cerca de 260 mil trabalhadores terceirizados na Petrobrás, mais de 80% de toda a mão-de-obra.

Os Correios, por exemplo, deixam de realizar contratações por meio de concursos públicos para, aos poucos, ir substituindo os atuais funcionários, na medida em que se aposentam ou são demitidos, por trabalhadores terceirizados, que possuem contratos de trabalho temporário e recebem salários em média 50% inferiores.

Em agosto, a direção da ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos) utilizou a desculpa de um suposto “apagão postal”, em decorrência da ameaça de quebra nos contratos das franquias, para anunciar um “plano de contingência”. Esse plano nada mais era do que um conjunto de ataques aos trabalhadores no sentido da privatização dos Correios. Entre as medidas que mais chamaram a atenção foi o anúncio da contratação de 10 mil MOTs (Mão de Obra Temporária), ou seja, 10 mil terceirizados.

 
O Tribunal de Contas da União deu o braço a torcer...


O TCU foi forçado a reconhecer, depois de anos de luta dos trabalhadores contra a terceirização, que esta forma de contratação é uma aberração jurídica. “A terceirização de atividades finalísticas ou que constam nos planos de cargos das empresas estatais é ato ilegítimo e não encontra o amparo legal, segundo interpretação da Constituição – que aponta que a investidura em emprego público depende de aprovação prévia em concurso, exceto no caso de cargos em comissão”.(fonte: Agencia Brasil).

Portanto, os trabalhadores terceirizados são escravos. Não existe o direito a sindicalização nem qualquer regulamentação trabalhista. Os terceirizados podem ser demitidos a qualquer momento e os que possuem contratos de trabalho com o término já previamente definido, sem qualquer garantia de renovação, desempenham as piores funções, trabalham em ritmo muito acelerado e, constantemente, sofrem com atrasos de salários.

O Relatório da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE) aponta que acidentes de trabalho na Ceming são provocados pelas péssimas condições de trabalho a que são expostos os trabalhadores terceirizados. Nos últimos 12 meses, a Petrobras registrou 17 óbitos por acidentes de trabalho na empresa, sendo que 15 deles com terceirizados.

 
... mas é preciso manter a luta contra as terceirizações

 
A nova diretoria da Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios) havia ganho uma liminar expedida pela 13ª Vara do Trabalho do Distrito Federal (DF) impedindo a ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos) de contratar mão-de-obra terceirizada para exercer atividades-fim de carteiro, OTT (Operador de Triagem e Transbordo), atendente, técnico ou especialista de Correios.

No entanto, a empresa entrou com uma liminar que cancelou a decisão. Cinicamente, a empresa alegou que “as entregas domiciliares são as atividades finalísticas consideradas pela empresa. Segundo os Correios, não há terceirização nesse setor e só há contratação de trabalhadores temporários em períodos específicos, quando há mais demanda pelo serviço, como no Dia das Mães e no Natal”(idem). Qualquer trabalhador ecetista, no entanto, sabe que a empresa está mentido.

O processo dos trabalhadores dos Correios deixa claro que somente a decisão judicial não será suficiente para resolver o problema. A única maneira de lutar contra a terceirização e todos os ataques aos trabalhadores é, em exigir a incorporação de todos esses trabalhadores aos quadros da empresa, para que tenham os mesmos direitos dos concursados.

A vitória contra a terceirização só será possível por meio da luta unificada dos trabalhadores concursados e terceirizados, em defesa da sua incorporação ao corpo de funcionários das empresas estatais, sem concurso, com direitos, salários e benefícios iguais aos dos concursados.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Aconteceu no julgamento do TST


Os divisionistas do PCdoB foram os principais auxiliares da empresa no reajuste miserável da campanha salarial dos Correios

A proposta rebaixada dos divisionistas serviu de parâmetro para o TST impor cada vez menos aos trabalhadores
Em determinado momento do julgamento do dissídio da campanha salarial dos Correios, um dos Ministros biônicos do TST afirmou durante o debate do índice de reajuste que o tribunal estabeleceria: “acho que 6,5% está bom, já que os dois sindicatos dos dois maiores fluxos postais do País pediram 5%”.

Esse Juiz, maliciosamente, estava se referindo ao rebaixamento da proposta feito pelos quatro sindicatos divisionistas (dirigidos pela máfia sindical do PCdoB) durante a campanha salarial.

Para quem não se lembra, um dia antes da ECT apresentar sua proposta ridícula de 5,2%, os sindicatos divisionistas apresentaram uma proposta de 5% de reajuste mais 5% de aumento real. Essa inciativa dos pelegos rendeu elogios por parte da empresa no boletim interno “Primeira Hora”.

Esse rebaixamento da proposta dos sindicatos divisionistas não adiantou nada. A empresa, que sequer podia negociar com eles, continuou rejeitando e se mostrando intransigente até o final da campanha salarial.

O ministro do TST não elogiou os divisionistas, mas usou sua proposta rebaixada como parâmetro para o índice que seria imposto pelo julgamento. O ocorrido ensina algumas lições aos trabalhadores.

Em primeiro lugar e mais óbvio: os sindicatos divisionistas do PCdoB/CTB estão agindo de forma casada com a ECT.

Em segundo lugar: não adianta rebaixar a pauta para agradar a empresa. Se a empresa for intransigente, continuará sendo intransigente. Os Correios mostraram que nada iria fazê-los oferecer mais, a não ser que a mobilização e a luta da categoria. Só assim seria possível impor um reajuste melhor: à força.

Em terceiro lugar e mais importante: rebaixar a pauta não faz a empresa negociar ou melhorar sua proposta. Pelo contrário, faz a empresa oferecer cada vez menos. É a lógica de qualquer negociação. Ninguém oferece pouco por um produto que queira vender, na expectativa de conseguir mais.

Se não houvesse a proposta rebaixada dos divisionistas, o parâmetro usado pelos ministros do TST seria outro, talvez os 43,7% do índice da Fentect, que está muito longe de ser o miserável aumento de 6,5% imposto pelo TST.

Primeiro balanço da Campanha Salarial nos Correios

Texto do Boletim Ecetistas em Luta 
Leia aqui um resumo do balanço publicado após o término da campanha salarial dos trabalhadores dos Correios na semana passada
Enfraquecido, mas não completamente derrotado, o bloco pelego fez de tudo para impedir o desenvolvimento da luta dos trabalhadores dos Correios e impor uma derrota à categoria, a qual somente não foi pior devido a que a oposição conseguiu realizar a greve e impediu a tentativa de entregar importantes conquistas dos trabalhadores


A campanha contra a pauta


Desde o primeiro momento, a direção da ECT começou uma campanha dizendo que a pauta era exagerada e fora da realidade. O que eles queriam dizer é que não estavam dispostos a dar nada aos trabalhadores. Os sindicalistas do PT, sob o comando da direção da ECT começaram uma campanha dizendo que a pauta era um exagero com o intuito de desmoralizar a campanha salarial e preparar o espírito dos trabalhadores para aceitar o que a direção da ECT tinha a oferecer, ou seja, nada.

A ideia de que os trabalhadores estão pedindo “demais” é uma típica ideia patronal. Para os patrões, os trabalhadores devem regular suas reivindicações pelas necessidades da empresa e não pelas suas próprias necessidades e a pauta deve ser elaborada de tal forma para que seja aceitável para os patrões.

Todo movimento sindical combativo e classista sabe que os interesses dos trabalhadores e dos patrões são opostos e impossíveis de conciliar e que somente por meio da luta os trabalhadores podem conseguir o que precisam. Os patrões não entendem outra linguagem a não ser a força.


As negociações


No dia 26 foram iniciadas as negociações. Durante todo o tempo, a empresa mostrou que não estava disposta a negociar seriamente. No início, o Comando de Negociação dos trabalhadores teve que exigir que a empresa discutisse ponto por ponto as cláusulas da Pauta.

No dia 2 de agosto, ignorando as reivindicações da categoria, a empresa apresentou um reajuste que foi considerado uma provocação: 3%.

Diante da indignação do trabalhador, no dia 5 de setembro a empresa apresentou mais um proposta que foi igualmente considerada como uma provocação: 5,2% de reajuste e mais nada.


PCdoB fica fora das negociações


Conforme foram se desenvolvendo os acontecimentos, ficou claro que a saída do PCdoB da Fentect foi uma política incentivada diretamente pela direção da ECT, mais especificamente pelo líder da Comissão de Negociação da empresa, o ex-sindicalista que virou chefe, Luiz Eduardo do Ceará.

O objetivo da empresa e da burocracia era retirar da campanha salarial os dois maiores sindicatos da categoria, o Sintect-SP e o Sintect-RJ. Em parte, essa manobra patronal foi bem sucedida na medida em que gerou uma enorme confusão na categoria.

A empresa utilizou os quatro sindicatos divisionistas (São Paulo, Rio de Janeiro, Bauru e Tocantins) para tentar chantagear a Fentect nas negociações. Enquanto a federação era caluniada, os divisionistas eram elogiados. A empresa convidava os quatro sindicatos para reuniões com o único objetivo de confundir o trabalhador, ao mesmo tempo em que reconhecia em diversos documentos oficiais que a única que seria capaz de negociar e assinar o acordo coletivo era a Fentect.


O comando de mobilização


O comando foi transformado em um Comando amplo de mobilização e negociação com seis membros da diretoria da Fentect mais um representante de cada sindicato, ou seja, 41 membros.

Esse novo comando garantiu o maior controle dos trabalhadores nas decisões da campanha salarial.

O mais importante de tudo: foi o fim do balcão de negócios na campanha salarial, em que a empresa comprava sindicalistas para aprovar acordos prejudiciais aos trabalhadores.

O Comando, como era de se esperar, atuou de maneira contraditória, refletindo a pressão da ala revolucionária da categoria e da ala oportunista, mas mostrou que é o melhor caminho para a evolução da categoria apesar dos dois grandes erros cometidos, sob influência do peleguismo, que foram o de não cumprir o calendário de mobilização, decisão tomada pelos sindicatos sem discussão no comando e o rebaixamento da pauta.


O PCdoB adia a data da greve


Depois da fracassada tentativa da Articulação/PT de adiar a greve, foi a vez dos do PCdoB/CTB tentar a mesma manobra patronal. Os sindicatos divisionistas adiaram a greve para o dia 18.

A jogada teve efeito no restante da burocracia, acompanhada por uma ala vacilante do bloco de oposição: a FNTC, representada pelo Sintect-PE, e o MRL representado pelo Sintect-GO e PR. O recuo dos demais sindicatos deixou os trabalhadores de Minas Gerais e do Pará isolados na greve.

O adiamento da greve foi o primeiro golpe sofrido pela mobilização, já que deixou o movimento nacional a reboque dos traidores do PCdoB.


PCdoB rebaixa a sua proposta


Antes do adiamento da greve, o PCdoB já havia preparado mais um golpe na mobilização. Um dia antes de a empresa apresentar a proposta de reajuste de 5,2%, os divisionistas apresentaram uma proposta ainda mais rebaixada e muito parecida com a proposta da empresa.

A inciativa do PCdoB de rebaixar a pauta foi elogiada pela empresa, que mesmo assim não aceitou a proposta.

Mais uma vez o PCdoB mostrava tomava a frente na política patronal.


A importância da greve em Minas Gerais e Pará


Apesar de todo o boicote, os trabalhadores de Minas Gerais e do Pará iniciaram a greve no dia 11 de setembro, de acordo com o calendário da federação.

A diretoria do Sintect-MG, da corrente Ecetistas em Luta (PCO), defendeu e mobilizou os trabalhadores para a greve. Já no Pará, os trabalhadores da base passaram por cima da diretoria do Sindicato, da Articulação Sindical/PT, e aprovaram a greve.

A mobilização dos companheiros do Pará e de Minas Gerais teve importância fundamental como arma contra a desmobilização que a empresa, junto com os traidores, queriam gerar com o adiamento da greve. Se esses dois estados não tivessem entrado em greve, o adiamento da greve teria sido fatal para a desmobilização geral dos trabalhadores. Provavelmente sequer teria havido greve e os trabalhadores teriam sido obrigados a engolir, sem nenhuma luta, os miseráveis 5,2% da empresa.


A greve do dia 18

 
Finalmente, no dia 18, a burocracia sindical, pressionada pela greve no Pará e em Minas Gerais, foi obrigada a aprovar a greve nos principais estados. Os companheiros do bloco de oposição que haviam vacilado com a data da greve, aprovaram a paralisação e o movimento nacional começou aos trancos e barrancos.

Em São Paulo, onde a diretoria da máfia sindical do PCdoB havia ido à assembleia com a ideia de não aprovar a greve, os trabalhadores, mesmo com todo o controle da assembleia, obrigaram os pelegos a aprovarem a greve.


O PT pressiona pelo rebaixamento da pauta

 
Ficou claro nesta campanha salarial que o rebaixamento da pauta é uma jogada casada com a empresa para desmoralizar a perspectiva de luta real dos trabalhadores.

O rebaixamento não levou a campanha adiante, mas enfraqueceu a greve e concentrou toda a atenção dos sindicatos na possibilidade totalmente ilusória de uma negociação com a empresa que nunca aconteceu.

O rebaixamento da pauta serve também para confundir os trabalhadores a longo prazo que começam a acreditar que as campanhas salariais só podem conseguir migalhas, desmoralizando cada vez mais a perspectiva de luta.

No final, a política de rebaixamento, defendida pela ala direita do MRL, Federação Anã e os pelegos do PT levou a luta a um beco sem saída e ao enfraquecimento da mobilização.

Rebaixar a pauta não surtiu nenhum efeito. A empresa continuou recusando as propostas rebaixadas feitas pelo próprio TST e a campanha foi para julgamento.


A conclusão dessa campanha: luta x rebaixamento da pauta


A greve desse ano mostra mais claramente do que o ano passado que a única arma dos trabalhadores é sua luta e mobilização. A luta é para arrancar da empresa o máximo possível enquanto a empresa tenta diminuir ao máximo os ganhos do trabalhador.

Não adianta abaixar a guarda para os patrões. O que poderá garantir a vitória da categoria é sua medida de força com os patrões. A greve é a maior arma dos trabalhadores contra as inciativas dos patrões e dos tribunais de atacar os direitos da categoria.

O movimento dos correios enfrenta a seguinte situação: ou se organiza e prepara os trabalhadores para enfrentar a ditadura do TST e da empresa ou ficará anos sem qualquer conquista efetiva na campanha salarial.