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quarta-feira, 3 de abril de 2013
ECT não abre mão do GCR e dos 10% para o "setor estratégico"
Não adianta rebaixar a pauta: Direção dos Correios se recusa a negociar. Só a mobilização da
categoria com a ampliação do Comando de Negociação, pode garantir conquistas
para os trabalhadores
Na reunião quer seria para a empresa dar uma resposta sobre a proposta apresentada pela Fentect os negociadores da ECT disseram que não vão abrir mão do GCR (Gestão de Competências e Resultados) nem da parcela reservada na PLR para o setor estratégico, no montante de 10%.
A Empresa confirma o que já deveria ser um entendimento geral entre os trabalhadores e os sindicalistas: não adianta rebaixar a pauta, a ECT vai usar isso para desmoralizar as reivindicações da categoria e no final impor a sua proposta. A experiência da campanha salarial do ano passado foi definitiva. E isso mais uma vez foi demonstrado na reunião do dia 2.
A empresa quer impor a escravidão nos setores de trabalho e a Fentect não pode ser conivente com isso. Não é possível assinar um acordo que autorize a empresa a manter o GCR, o SAP (Sistema de Avaliação de Produtividade) que são sistemas de controle absoluto e assedio dos trabalhadores.
Tudo isso enquanto a ECT está sendo brutalmente sucateada, falta gente para dar conta do serviço e não existem condições para a realização do trabalho.
Para garantir a PLR da categoria, linear e sem metas, é preciso mobilizar a base e acabar com o balcão de negócios para sindicalistas traidores que se transformaram as negociações com a ECT.
Ampliar o Comando, exigir transparência e a abertura de contas da empresa, são medidas urgentes para mudar os rumos da negociação da PLR dos trabalhadores dos Correios.
ECT quer exigir critérios, sem apresentar seus lucros para os trabalhadores
O que os patrões querem com a PLR? A Participação nos Lucros foi a maneira que a os patrões
encontraram para exigir produtividade através do pagamento de um abono que não
está vinculado necessariamente ao lucro, mas a metas e critérios
É por isso que em 2011 a empresa fez questão de mudar as negociações sobre a PLR. A história dessa traição começa com o acordo dos ditos representantes dos trabalhadores com a mudança no calendário de negociação.
Antes de 2011 as discussões eram feitas para discutir a Participação nos Lucros do ano anterior. Ou seja, em 2013 se discutiria a PLR dos trabalhadores sobre a base do lucro de 2012. Neste quase os quase 1 bilhão apresentado pela ECT ao governo no ano passado.
A parte a ser paga a título da PLR nos Correios é definida depois que a empresa repassa a parte do governo, por ser empresa pública. Ainda que antes de 2011 a empresa nunca tenha aberto suas contas e apresentado na mesa de negociação os balancetes pra a discussão da PLR ela ao menos era baseada em números, em valores.
Depois de 2011 isso mudou. Agora a empresa senta para discutir a PLR do ano corrente, ou seja, sem que a empresa tenha auferido seus lucros, e sequer saiba qual o montante que será destinado para esse pagamento.
Por isso a chamada negociação é uma farsa e só pode ser feita com base no estabelecimento de metas e critérios. A negociação é a empresa exigindo a “produtividade” dos trabalhadores sem se comprometer com nada.
Assim como o traidor Luiz Eduardo do Ceará (PCdoB), foi beneficiado pela empresa por mudar a data-base da categoria de dezembro para o meio do ano, no caso da PLR o traidor foi o Nilson Rodrigues (MRL-PR).
Agora a empresa tirou da gaveta a PLR de 2011 foi rejeitada por mais de 11 bases sindicais e apresenta com a ajuda dos sindicalistas traidores como se fosse uma grande conquista. Em 2011 o cavalo de Tróia era a mudança da data de negociação, dessa vez é a reserva de 10% do montante da PLR para a direção da empresa. A pergunta é, quem será o traidor a assinar o acordo?
A categoria não deve aceitar a PLR como uma chantagem contra a categoria, e continuar defendendo uma PLR linear e sem metas. Além da ampliação do Comando de Negociação da Fentect, para que as negociações com a ECT deixem de ser um balcão de negócios para os sindicalistas traidores, como Luiz Eduardo e Nilson Rodrigues.
PLR: As ilusões disseminadas pelos sindicalistas pelegos (parte II)
Os sindicalistas traidores querem deixar a categoria de fora das
decisões para poder aprovar um acordo de PLR que favorece a empresa
Quando um sindicalista pelegos do PT e do PCdoB entram na sala fechada com os patrões, sua única preocupação é saber o que fazer para satisfazer a vontade do patrão, que são seus colegas de partido, no caso dos Correios. Por isso, uma das ilusões que esses sindicalistas pelegos tentam apresentar para a categoria é a de que é possível conquistar alguma coisa sem mobilização.
Avanços sem nenhuma mobilização
Entre quatro paredes, sindicalistas e representantes patronais podem fazer o que bem entender. Quando o comando de negociação dos trabalhadores está dominado por uma maioria de pelegos e traidores, como era até o ano passado, as reuniões de negociação com a empresa se tornavam um verdadeiro balcão de negócios. Ali, muito sindicalista foi comprado em troca da cabeça do trabalhador, que é sempre o último a saber, o última a falar e o último a decidir.
Foi assim que muitos acordos contra os interesses da categoria foram assinados pelos pelegos do PT e do PCdoB, incluindo várias PLRs, miseráveis, desiguais e cheios de critérios.
Por isso, a tarefa de qualquer sindicalista minimamente comprometido com os interesses dos trabalhadores é mobilizar a categoria. É preciso tomar todas as iniciativas para que a massa dos trabalhadores possam intervir nas negociações. Denúncias, comandos amplos, assembleias, atos públicos, greves, panfletos, cartazes, vídeos etc. Apenas a pressão dos mais de 110 mil trabalhadores dos Correios é capaz de colocar a faca no pescoço da direção da ECT.
A ECT não quer transparência nas negociações para que a categoria não saiba o que ocorre na mesa de negociação. Se o trabalhador assistisse tudo ao vivo, ficaria muito mais complicado para a empresa defender os absurdos contra os trabalhadores que normalmente defende. Ficaria ainda mais difícil pressionar os sindicalistas para aceitar esses absurdos.
Quem defende que as negociações devem ser escondidas, sem a intervenção dos trabalhadores, sem um comando de negociação amplo, sem denúncia do que está sendo proposto pela direção dos Correios são os sindicalistas patronais do PT e do PCdoB/CTB. Isso porque querem ter mantidos os seus interesses particulares que em grande medida são idênticos aos dos seus correligionários que estão do outro lado da mesa de negociação. Nunca é demais lembrar que os negociadores da empresa são justamente do PT e do PCdoB.
O golpe dos Correios com a vinculação da PLR 2013 com a de 2012
O que os patrões querem com a PLR? Empesa não conseguiu garantir a reserva de 10% da Participação
nos Lucros para a cúpula junto ao DEST e agora quer o aval da Fentect para
aprovar essa traição
As reuniões foram retomadas em fevereiro com a Fentect querendo rediscutir a PLR 2012, e a ECT insistindo que não falaria mais desta PLR, apenas faria reuniões se fosse para discutir a PLR 2013.
Os negociadores da ECT apresentaram então a proposta da empresa para 2013 que é a mesma proposta de 2012.
Essa proposta é a escravização da categoria. Entre outras coisas mantém as metas vinculadas ao GCR, a chantagem de que uma única falta resulta no corte de 50% do que seria recebido pelo trabalhador, e inaugura a reserva de 10% do valor da PLR a ser pago exclusivamente para o tal “setor estratégico” da empresa.
Aqui chegamos no impasse em que se encontra a direção da empresa. A PLR 2012 não teve acordo com a Fetnect e foi protocolada pela ECT junto ao DEST (Departamento de Coordenação e Controle das Empresas Estatais) unilateralmente.
Acontece que as inovações da empresa para essa PLR comprometeram a sua aprovação pelo departamento do governo. O principal problema é a reserva de 10% para a cúpula da empresa.
Por uma razão que ainda não foi completamente revelada, o DEST afirma que esse critério só poderá ser liberado se for fechado o acordo com os representantes dos trabalhadores.
Por isso a empresa aceitou colocar de volta na mesa de negociação a PLR 2012. A direção da empresa simplesmente não age por boa vontade para com os trabalhadores. Ou se move pela mobilização dos trabalhadores ou por interesses no sentido contrário, realizar algum ataque contra a categoria. Como é o caso dessas negociações da PLR.
A empresa está armando uma armadilha e os trabalhadores não podem cair nela. A ameaça de que não vai pagar a PLR é na verdade uma pressão para tentar forçar a Fentect a fechar um acordo que não representa as reivindicações da categoria, e a empresa aprovar a sua proposta que já foi rejeitada até mesmo pelo DEST.
É um golpe e o estabelecimento de um piso e um teto na PLR não resolve o problema. Essa é a proposta da empresa que afirma que não vai haver diferença maior que cinco vezes entre o menor e o maior valor a ser pago, mas na prática os que ganham mais vão continuar recebendo uma PLR muito maior, enquanto os que recebem menores salários vão receber a esmola de sempre.
A Federação deve aproveitar a situação e esclarecer os trabalhadores sobre o golpe da empresa e mobilizar a categoria para forçar uma PLR de verdade. Não é hora de ceder com base num acordo de portas fechadas. Nenhum acordo com os traidores deve ser feito, porque isso significa que a proposta da empresa será aprovada como se fosse uma vitória para a categoria.
Os sindicatos divisionistas da pelega Findect (do PCdoB e PMDB) que atuam na categoria para difundir a confusão e no final realizar a vontade da direção petista da empresa estão dispostos a aceitar as condicionantes e as metas. A Fentect não pode fazer o mesmo.
Assinar qualquer acordo que aceite os condicionantes, o GCR, o SAP, para o pagamento da PLR além da reserva de qualquer mínima porcentagem para a cúpula dos Correios é uma capitulação. Uma traição contra todos os trabalhadores ecetista.
PLR de verdade, é PLR linear, sem condicionantes, nem metas. PLR de verdade precisa estar baseada nos números dos lucros, com as contas da empresa aberta para os trabalhadores avaliarem e negociarem. PLR de verdade nos Correios deve ser de no mínimo 2.500,00 para todos os trabalhadores.
O que os patrões querem com a eleição do representante no Conselho de Administração
Correios S.A.: No final do ano passado, a Fentect entrou com liminar pedindo a
paralisação da eleição do representante dos trabalhadores para o Conselho de
Administração da ECT
O Conselho de Administração foi criado com a Medida Provisória (MP532), editada por Dilma Rousseff, que mudou o estatuto dos Correios. Essa mudança foi um passo importante para a privatização da empresa, já que adequou o funcionamento da empresa de acordo com a lei de Sociedade Anônima (SA). O Conselho de Administração e o representante dos trabalhadores nesses conselho são parte dessa mudança. Ou seja, a própria existência desse conselho já é algo que deveria ser rejeitado pela categoria.
Mas há um problema mais importante. Por que as empresas de Sociedade Anônima têm esse órgão com um representante do trabalhador?
Um dos maiores trunfos dos patrões é terem o controle sobre o movimento sindical, mais ainda, a maior alegria do patrão é ver extintos todos os tipos de organização dos trabalhadores, assim ele poderia explorar à vontade seus funcionários. As empresas de Sociedade Anônima encontraram uma maneira de enfraquecer a representação sindical e controlar os trabalhadores: essa é a função desse Conselho de Administração.
Os patrões divulgam o seguinte engodo aos trabalhadores: “elejam o seu representante, pois agora você terão voz dentro da empresa. Não será mais necessário lutar, fazer greve e até mesmo se organizar nos sindicatos.” O importante mesmo é saber o que os patrões não dizem.
- O Conselho de Administração é um órgão totalmente controlado pela empresa. Desde a eleição até as tomadas de decisões. A eleição foi de um suposto representante dos trabalhadores, mas quem controlou tudo foi a direção da empresa. Inclusive a campanha eleitoral era comandada pelas chefias dentro dos setores – isso explica que apenas 20% da categoria votou - , que fazia abertamente a defesa da candidatura Luís Carlos Vargas, da Articulação Sindical/PT, que foi quem ganhou o primeiro turno;
- O Conselho de Administração, segundo o estatuto da ECT, é composto por sete membros escolhidos pela direção da empresa e pelo governo, ou seja, sete representantes diretos dos patrões, e mais um representante dos empregados. Não precisa ser muito esperto para saber que o representante do trabalhador não terá nenhuma voz;
- O fato de ter apenas um representante, o que é até ridículo, serve para manter sob controle o próprio representante. Quer dizer, não basta o representante dos trabalhadores ser um só, mas ele mesmo é um representante de confiança da empresa, que controlou a eleição e vai pagar todos os jetons, diárias, liberações para que ele seja bem obediente;
- Os patrões tentam convencer o trabalhador que a melhor coisa é a conciliação. Mas os trabalhadores aprenderam que se não houver mobilização e greve, o patrão nunca vai atender suas mínimas reivindicações. Portanto, não adiante fingir que o funcionário agora está representado, o que vale mesmo é saber quanto poder o trabalhador tem para arrancar do patrão tudo aquilo de que precisa para sobreviver. Esse é o bê-á-bá da política sindical.
terça-feira, 2 de abril de 2013
Correios: Milhões em patrocínios e nada para a PLR
Para favorecer empresários, a direção da ECT deixa o caminho
livre para gastar milhões de reais. Para negociar com os trabalhadores, quer
chantagear e impor critérios
Apenas para se ter uma ideia, em janeiro passado, a ECT realizou shows comemorativos dos 350 anos da empresa, em cinco capitais brasileiras. Os eventos faram gratuitos e participaram bandas e músicos famosos.
Na época, a imprensa anunciou que a ECT havia gasto R$ 15,5 milhões nos shows, sem contar o gasto com os cachês dos músicos, que não havia sido divulgado. Os Correios teriam contratado a empresa Trade Network Participação para organizar o evento. A denúncia é que o contrato foi feito sem licitação e o único argumento para o negócio seria a “notória especialização” da empresa para a organização de eventos.
Agora, as informações se fecham. A Trade Network incorporou outra empresa, chamada Geo Eventos, ligada à toda poderosa Rede Globo, que é a organizadora do Lollapalooza. Existe entre a direção da ECT e empresários um esquema estreito de favorecimento. Isso sem contar os patrocínios nos esportes e em outros eventos.
Enquanto a distribuição de milhões para a iniciativa privada corre livremente na empresa, a direção da ECT tenta de todas as formas evitar que os trabalhadores recebam uma PLR, no mínimo decente. A direção da empresa quer condicionar a PLR aos critérios para chantagear e aumentar a exploração da categoria. Nos últimos anos, a PLR paga pela empresa nunca passou dos R$ 900,00 para cada trabalhador, até mesmo a fatia do lucro destinada à PLR paga aos mais de 110 mil trabalhadores é menor do que o que é distribuído em patrocínios.
Os trabalhadores não são contra a participação dos Correios em atividades esportistas e culturais que sirvam para a população. Mas a categoria exige que seu trabalho seja respeitado.
Por isso, os trabalhadores não devem cair na armadilha da empresa, que se recusa a negociar de verdade e que quer pagar uma merreca de PLR em troca dos critérios e chantagens. Se tem milhões para empresários, tem que haver R$ 2.500,00 para todos os trabalhadores, sem nenhum critério.
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