sábado, 2 de junho de 2012

Destruir ou conquistar os sindicatos?


Para criar uma frente revolucionária é necessário abandonar os velhos sindicatos, ou, de maneira geral, deles apartar os setores re­vo­­lucioná­rios? Encontraremos a resposta a esta pergunta examinando o papel dos sindicatos antes, durante e depois da guerra.
Os sindicatos operários nasceram como órgãos de autodefesa da classe operária. À medida que as relações capitalistas cresciam e se desenvolviam, à medida que as formas de exploração tornavam-se mais complexas, os sindicatos operários passavam também a formas de organização mais complexas e, na luta contra os exploradores, a uma tática igualmente mais complexa. No passado, cada operário con­frontava-se com capitalistas isolados; mais tarde o operário isolado confrontava-se com o capitalista coletivo; o estágio seguinte do de­­sen­vol­vimento consiste na luta da organização operária contra a organização patronal, e a classe operária agrupada no seio de suas orga­nizações econômicas e políticas luta contra a organização patronal e o Estado burguês.

Cooptação das Organizações operárias pelo Estado

Durante várias décadas, na maioria dos países capitalistas, os sindicatos operários lutaram para melhorar a situação da classe operária, adptando-se, no entanto, ao marco do regime burguês. A guerra pôs a nu, com evidência espantosa, o apego dos meios dirigentes operários com seu capitalismo nacional. Em suma, os sindicatos operários se encontraram na base de toda a política de guerra dos  últimos anos. Para os dirigentes dos sindicatos, o bem-estar da classe operária estava ligado à situação de sua indústria nacional no mercado mundial. Encontramo-nos frente, não só à rivalidade das classes dominantes da Alemanha e Grã-Bretanha, mas também frente à rivalidade dos sindicatos alemães e britânicos, pois cada um dos lados amarrava sua sorte à extensão e à conquista de novos mercados. Po­demos observar um curioso fenômeno: no curso de seu de­sen­volvimento, a classe operária criou organizações de autodefesa contra a burguesia e estas mesmas organizações se converteram, a um certo grau de desenvolvimento, em uma parte integrante do sistema capitalista. As instâncias dirigentes dos sindicatos que se entrelaçaram intimamente com o Estado burguês abordaram todos os problemas do ponto de vista dos interesses nacionais, de tal modo que as organizações operárias que tinham como objetivo a luta contra o Estado burguês transformaram-se na base principal de todo o sistema ca­pi­talista. Esta contradição entre a necessidade essencial da classe operária de ter sua organização separada e a a­pro­ximação das organizações existentes com o aparato capitalista e burguês manifestou-se com particular evidência durante a guerra e o período imediatamente posterior.
Antes da guerra, os sindicatos contavam com cerca de dez mi­lhões de membros no total. Imediatamente depois, a massa operária pe­netrou amplamente nos sindicatos, pois a guerra a havia arrancado de sua situação ordinária. O operário isolado sentia-se impotente, in­de­ciso. A es­tabilidade relativa das relações burguesas havia desa­pa­recido, os fundamentos da sociedade haviam sido comovidos e o ope­rário mais atrasado ingressou, ele também, no sindicato para encontrar uma resposta aos problemas que o atormentavam. Nos países mais importantes, a maioria dos operários já se encontra organizada. O nú­mero dos trabalhadores sindicalizados na Inglaterra já passou os oito milhões; na Alemanha, ultrapassa a cifra de doze milhões (incluídos os sindicatos cristãos e liberais). Na Áustria alemã (seis mi­lhões de ha­bitantes), há perto de um milhão de operários sindicalizados. Na Bélgica, aproximadamente a mesma quantidade. Em uma palavra, ob­servamos um enorme movimento espontâneo da massa operária em direção aos sindicatos, o que amplia, de um golpe, o velho quadro da organização. Nasceram poderosas federações que contavam com mi­lhões de membros e que deveriam constituir a arma principal na luta da classe operária por seus interesses nesse primeiro período, em que o Estado se encontrava debilitado e a luta social se exarcebava, quan­do ninguém sentia-se seguro do amanhã, nessa época de ímpeto revolucionário.
Este primeiro período, de crescimento, acaba ao fim de 1920. O ano de 1921 abre uma etapa de retrocesso das organizações ope­rárias; apesar de tudo, os sindicatos agrupam ainda dezenas de milhões de o­pe­rários organizados em todos os países. Este enorme exército or­ganizado influi sobre todo o mundo capitalista, que está obrigado a levar em conta estas organizações da classe operária.
Os sindicatos operários, que haviam desempenhado um papel tão considerável durante a guerra, deviam ainda desempenhar outro igualmente importante, no pensamento de seus dirigentes, depois do fim da car­nificina internacional. Os vencedores haviam reforçado o papel dos sin­dicatos operários na política contemporânea ao admitir seus di­ri­gen­tes para participar da elaboração de certos artigos do Tratado de Ver­salhes[1] e para intervir, com os mesmos direitos que os patrões na Or­ganização Internacional do Trabalho, dependente da Sociedade das Nações. Esta foi a mais alta recompensa para os sindicatos re­formistas na arena internacional, da política de colaboração levada a cabo em cada país. No quadro nacional, os dirigentes sindicais ten­diam a uma liquidação rápida e pacífica dos resultados da guerra, ao aumento da produção, ao veloz restabelecimento das relações capitalistas normais, oferecendo sua colaboração e não pedindo mais que a pa­ri­dade em toda a espécie de conferência convocada pelo governo. Assim nasceu uma filosofia do direito paritário. Floresceu magnificamente na Alemanha e encontra sua expressão nas decisões da Internacional de Amsterdã, destinadas a estabelecer a paz social. No período de pós-guerra, os sindicatos serviram de base a todo tipo de gabinetes de coalizão; intervieram como força inimiga contra as ações revolucionárias da ala esquerda do movimento operário, entravando a marcha ascendente do movimento revolucionário em todos os países com todo o peso de seu poderoso aparelho.

Teoria da destruição dos sindicatos

Por outra parte, os sindicatos, ao mesmo tempo que obs­ta­cu­lizavam o movimento revolucionário, estavam obrigados a lutar pela melhoria da situação econômica dos operários e defender seu nível de vida por via de acordos ou de greves. Deste modo, no período de pós-guerra, os sindicatos seguiram o caminho das reformas, lutando con­tra a revolução social. Este desempenho anti-revolucionário do núcleo dirigente dos sindicatos provocou uma reação nos meios o­perários de espírito revolucionário. Surgiu a teoria segundo a qual, os sindicatos operários, organizações aliadas ao Es­tado burguês, deveriam ser des­truídos e deviam criar-se no­vos sindicatos em seu lugar. Esta teo­ria ori­ginou-se na A­le­manha, a partir de uma série de derrotas dos operários revolucionários. Nasceu e desenvolveu-se no país onde a bu­rocracia sindical havia esmagado com o maior cinismo os princípios essenciais da luta de clas­ses, onde o sistema paritário havia encontrado sua expressão na Ar­beitsgemeinschaft (comissão paritária de patrões e empregados) e onde a burguesia, depois da revolução de novembro de 1918 reconheceu que os sindicatos operários haviam salvado o Estado (isto é, a pro­priedade) da anarquia e da desagragação. Os operários da esquerda ra­ciocinavam assim: os sindicatos operários são conservadores, sus­tentam o governo, praticam a colaboração de classes, lutam contra o movimento revolucionário e contra a própria idéia da revolução so­cial; portanto, é necessário separarmo-nos deles e formar sindicatos pró­prios, talvez pouco numerosos mas, pelo menos, revolucionários.
Os sindicatos operários são, em sua maioria, conservadores; na hora atual, desempenham um papel contra-revolucionário; encontram-se no terreno da colaboração de classes. Todos  esses fatos não são postos em dúvida, mas esta é uma razão para destruir os sin­di­catos operários? Além disso, o que exatamente quer dizer "destruir os sindicatos operários”? Os sindicatos não estão constituidos só pelas sedes e pelos cofres sindicais; são organizações criadas no curso de vá­rias décadas, que agrupam milhões de operários. Há muitas razões que explicam porque as massas operárias se encontram nestes sin­dicatos conservadores.
Não há dúvida que nos sindicatos está a melhor parte, a mais ativa, a mais consciente da classe operária. Mas esta parte, no entanto, não alcançou um nível suficiente de atividade e de consciência. Não importa, é necessário tomar partido por ela, é necessário tomar a classe operária tal como é. Por que é necessário destruir os sindicatos operários e criar outros, pequenos sindicatos, podendo-se conquistar a massa operária e, por seu intermédio, os sindicatos?
A teoria da destruição dos sindicatos está baseada no pressuposto de que os sindicatos reformistas não são em nada aproveitáveis para os operários. No entanto, esta afirmação é contraditória com os fatos. Se os sindicatos não fossem de nenhum proveito à classe operária, jamais te­riam atraído milhões de trabalhadores. Há muito tempo teriam mor­rido naturalmente. Na realidade observamos fatos diametralmente opostos: não só os operários não se afastam dos sindicatos como tam­bém estes são as únicas organizações que conservaram sua u­nidade, apesar da aguda luta que se desenrolou no interior da classe operária no período do pós-guerra. Não há um só país no mundo onde não haja dois ou três partidos operários em guerra entre si; mas a despeito da diferenciação política, os sindicatos operários continuam unidos e inteiros; os operários de todas as tendências continuam freqüentando os sindicatos e lutando conjuntamente. Deve-se este fato ao acaso? É certo que não. Os velhos sindicatos conservadores, ainda agora, realizam uma tarefa muito importante para o operário: a defesa de seus interesses imediatos contra a investida frenética do capital. Os sindicatos desempenham o papel de um teto comum sob o qual bus­cam refúgio todos os operários em épocas de intempérie social. Os interesses materiais dos operários, a questão dos salários, da jornada de trabalho, do trabalho feminino e infantil, dos seguros etc. agrupam os trabalhadores, forçam-nos a manterem-se unidos em um mesmo sindicato. Voltar as costas aos sindicatos significa, no momento atual, voltar as costas às massas; predicar a destruição dos sindicatos sig­nifica provocar a indignação das amplas massas que vêem nos sindicatos reformistas os defensores de seus interesses materiais i­me­diatos. O dever do revolucionário é estar em todas as partes onde se encontram as massas para traçar no seio de suas organizações uma linha de direção que demonstre diante delas as vantagens da tática revolucionária em relação à tática reformista.

Subestimação das massas e superestimação da burocracia

Se o ponto de vista dos elementos de esquerda acerca da i­nu­tilidade dos sindicatos fosse justo, equivaleria declarar impossível a revolução social, pois a revolução social é irrealizável se essas dezenas de milhões de operários organizados nos sindicatos não tomam parte dela. Podemos sonhar com a revolução, po­rém, fazê-la sem os sindicatos, é impossível. Os últimos meses de luta puseram em relevo todo o mal que pode causar a destruição dos sindicatos. Se nossos camaradas britâncios houvessem adotado este ponto de vista, teriam retirado dos sindicatos todos os elementos revolucionários, teriam feito o mesmo com a federação de mineiros, que protagonizou uma greve de três meses apesar do reformismo de alguns de seus chefes. Aí está o perigo: a teoria da destruição dos sindicatos não só é pessimista em relação à massa operária, como exagera também o peso da burocracia sin­dical. E assim podemos observar situações verdadeiramente gro­tes­cas: os homens que se propõem derrubar o regime capitalista, abater o capitalismo na Grã-Bretanha, França e Estados Unidos, são os mes­mos que duvidam poder destruir a burocracia sindical destes países. Os Gompers[2], os Thomas, os Grassman, os Oudegeest lhes parecem in­vencíveis, enquanto, ao mesmo tempo, não perdem a esperança de vencer os representantes, por excelência, do imperialismo contem­po­râneo.
Esta tática de pessimismo e desespero nada tem em comum com o espírito revolucionário; é o testemunho de um grande nervosismo e de um débil discernimento revolucionário. Por esta razão, tanto a In­ternacional Comunista como a Internacional Sindical Vermelha re­­­chaçam enérgica e categoricamente a palvra-se-ordem de “destruição dos sindicatos”, colocando em seu lugar a de “conquista dos sindicatos”. A experiência do ano passado mostra a  justeza desta tática. Na França, na Itália, na Alemanha, em todos os países, o movimento sindical revolucionário se amplia e cresce. Entretanto, não é poderoso o bastante para derrubar a velha burocracia, mas é suficientemente forte para influir sobre a tática sindical em cada país, para colocar com precisão os problemas que a burocracia sin­dical se esforça em escamotear.
A meta a cumprir é confrontar os dirigentes sindicais com as massas operárias no terreno da luta de todos os dias, para arrancar estas massas da influência de seus chefes conservadores, ideológica e praticamente. Este trabalho desemboca na destruição da influência da burocracia conservadora no interior dos sindicatos e não na destruição dos sindicatos. Preconizamos o ingresso nos sindicatos, não para alinhar-se por trás das reivindicações e princípios reformistas, mas para conquistar as massas e transformar os sindicatos em um instrumento da revolução social, contra seus dirigentes reacionários.
Precisamente porque a reivindicação de destruição dos sindicatos leva a uma ruptura com as massas, a um isolamento dos operários revolucionários, a uma retração do movimento, a uma simples atividade de seita, é que a Internacional Sindical Vermelha proclama estas bandeiras : “estar com as massas! Ingressar nos sindicatos! Este é o único caminho da vitória”!


[1] Tratado de Versalhes — Assinado em 28 de junho de 1919 pelas potências imperialistas vencedoras da I Guerra Mundial — EUA, o Império Britânico, a França, a Itália, Japão e seus aliados —, por um lado, e a Alemanha, por outro. Seu objetivo foi o de fixar a partilha do mundo entre as potências imperialistas que trataram de impor pesadas sanções à Alemanha derrotada: reparações de guerra, ocupação militar da região do Reno, desarmamento do país etc. As condições do tratado somente não foram mais draconianas porque os vencedores recuaram diante do terror à disseminação da revolução proletária, contra a qual procuravam fixar um novo status mundial com a criação da Sociedade das Nações.
[2] Samuel Gompers (1850-1924) — Um dos fundadores e principal dirigente da Federação Americana do Trabalho (AFL); seguiu a política de convivência pacífica e colaboração com a burguesia.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Federação Anã: ”Mais pelega” que a Fentect




O PSTU/Conlutas divulga amplamente que a Fentect é pelega, mas este argumento não passa de um discurso sem qualquer conteúdo real.

O PSTU/Conlutas está propondo rachar com a Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores nas empresas de Correios e Telégrafos), pois esta seria “governista” e não representaria mais o interesse dos trabalhadores.
Vejam bem. O argumento da Conlutas não é o de que a maioria da direção da Fentect seja “governista” e não represente o interesse dos trabalhadores dos correios e sim, toda a Fentect, que além da maioria da direção tem uma minoria opositora, trinta e cinco sindicatos e organiza a luta de mais de 110 mil trabalhadores nacionalmente, além de contar com mais de uma dúzia de correntes políticas organizadas no seu interior. Segundo a “nova” teoria do PSTU/Conlutas todo este conjunto seria “governista” e “pelego”.
Essa afirmação não passa de uma enorme confusão política e teórica que revela que, na realidade, nem os dirigentes do PSTU/Conlutas e menos ainda os seus militantes sabem o que é uma organização sindical.
Nesta “nova” teoria, a organização sindical fica reduzida apenas à sua direção e nem mesmo a toda esta direção, mas apenas à facção majoritária desta direção, todo o resto perdendo completamente a importância.
Omitem que a Fentect possui uma direção, que sua composição é proporcional e com diversas correntes políticas. Conta com 35 sindicatos filiados e mais de 110 mil trabalhadores que podem influenciar e pressionar as suas direções sindicais.
Estão confundindo a entidade com a direção. Mas não é apenas confusão política e sim uma mistura de ignorância política crassa com oportunismo com interesses bem claros que não correspondem à defesa dos trabalhadores, mas a um carreirismo e na luta por interesses pessoais.
Ignoram que neste momento, em que a classe operária começa a superar um longo período de refluxo, há um enorme domínio da burocracia sindical sobre as organizações sindicais. Como uma organização trotskista deveriam ter claro que este fato é um fenômeno social e histórico inevitável. Leon Trotsky no livro Os sindicatos na época da decadência imperialista afirmou que “há uma característica comum no desenvolvimento ou, para sermos mais exatos, na degeneração das modernas organizações sindicais de todo o mundo: sua a aproximação e sua vinculação cada vez mais estreitas com o poder estatal. Esse processo é igualmente característico dos sindicatos neutros, social-democratas, comunistas e anarquistas. Somente este fato demonstra que a tendência a "estreitar vínculos" não é própria desta ou daquela doutrina, mas provém de condições sociais comuns a todos os sindicatos”. Isso significa, colocando em poucas palavras, que não tendo uma direção revolucionária, os sindicatos são quase que automaticamente integrados ao Estado burguês. Significa também que não há organização enquanto tal que esteja imune a este fenômeno, mas que somente uma luta permanente contra a burguesia pode garantir a existência de organizações independentes e de luta.
Para um revolucionário o grau de atrelamento de um sindicato ao governo ou ao Estado ou aos patrões de cada setor da produção não pode levar ninguém e menos ainda quem se diz revolucionário e marxista a abandonar a luta ou dividir as organizações simplesmente porque estas fantasias organizativas não correspondem à evolução do conjunto dos trabalhadores e a única base para a constituição de uma nova direção para o movimento é a própria evolução dos trabalhadores.
Tais questões fundamentais, no entanto, não fazem parte das preocupações dos dirigentes e militantes da Conlutas para quem tudo o que importa é a evolução do aparato sindical.

O peleguismo da Fentect

Se for realizada uma análise concreta da situação do movimento sindical nacional e das traições contra os trabalhadores, a Fentect passa longe de ser a entidade que mais traiu os trabalhadores, tomada na concepção do PSTU/Conlutas.
No momento em que o ataque tem se tornado cada vez mais agudo e sistemático contra a classe trabalhadora, com dezenas de sindicatos de várias categorias aprovando acordos bianuais seguidos, a Fentect somente aprovou um, e que somente foi aprovado através da fraude e de uma crise gigantesca. E depois desse fato, a imposição do acordo bianual nunca mais foi proposta e nem sequer mencionado. Ou seja, foi derrotado de maneira completa dentro da Fentect, apesar da vontade da sua direção de fazer como todos os demais sindicatos estatais vem fazendo, ou seja, instituir de uma vez por todas o acordo bianual.
Citamos este fato, porque este é o maior ataque contra os trabalhadores no último período e atinge diretamente o interesse fundamental do trabalhador que é o seu salário.
Este fato mostra que as federações e sindicato governistas não são todos iguais, não são instrumentos obedientes nas mãos da burocracia, mas são diretamente influenciados pelos trabalhadores. Na verdade o acordo bianual e outros ataques dentro dos Correios foram derrotados pela mobilização e luta dos trabalhadores e pela luta de partidos dentro da organização da Fentect, com todas as restrições burocráticas existentes.
É importante lembrar que o único acordo bianual foi aprovado devido a fraude, senão nunca teria sido aprovado. O acordo bianual foi derrotado devido à dura luta travada pelos trabalhadores e pelos setores oposicionistas dentro da Fentect e dos sindicatos, em primeiro lugar, a corrente Ecetistas em Luta ligada ao PCO.
A burocracia sindical foi derrotada e sua política não foi implantada, e observe que os mesmos traidores continuam na ala majoritária da federação, mas não conseguem impor essa política devido aos trabalhadores. Da mesma forma, anteriormente, os trabalhadores rejeitaram e derrotaram a política estabelecida pelo governo FHC e defendida por toda a burocracia sindical de substituir os aumentos salariais por abonos e pela pretensa “participação nos lucros”.

A questão do abono

Outra derrota da burocracia sindical e da direção dos Correios foi à política de abono salarial. Enquanto o abono é colocado em praticamente todas as categorias como uma vitória pela burocracia sindical, nos correios os trabalhadores derrotaram essa política.
O abono foi implantando nos Correios pelo governo de Fernando Henrique Cardoso e apoiado pela direção da Fentect, nesse período nas mãos do PSTU, como uma grande vitória dos trabalhadores. É importante lembrar que todas as correntes políticas do movimento sindical – o famoso Bando dos Quatro (PT-PCdoB-Psol-PSTU) dos Correios apoiavam o abono, somente a corrente Ecetistas em Luta, do PCO era contra e realizou inúmeras campanhas contra o abono e denunciou a farsa do abano como um ataque ao salário do ecetista.
O abono foi derrotado dentro da Fentect pelos trabalhadores e não foi preciso derrotar essa política rachando a categoria. Apenas realizando uma firme campanha de denúncia e esclarecimento dos trabalhadores, com uma luta principista contra a burocracia sindical.
Estes fatos são a demonstração de que os trabalhadores podem e não apenas podem, mas efetivamente irão derrotar a burocracia sindical. Que a evolução da consciência da classe operária modifica as organizações sindicais e pode transformá-las completamente. Este conceito fundamental da luta de classes está totalmente ausente dos cálculos políticos do PSTU/Conlutas que não acredita nem na evolução da história nem no poder político dos trabalhadores, pois se os trabalhadores não são capazes de derrotar a burocracia sindical de segunda linha do PT, é óbvio que não serão também capazes de derrotar a burguesia local e o poderoso imperialismo mundial. Isso mostra que toda a conversa sobre a revolução mundial e a IV Internacional não passam... de conversa.

A política de privatização

O processo de privatização das empresas estatais foi colocado em marcha pelo governo neoliberal de FHC. E desde então uma infinidade de empresas foi privatizadas, seja em maior ou menor grau. Nesse processo o Correio é uma das menos atacadas e esse processo é extremamente defensivo. Isso só ocorre porque os trabalhadores estão derrotando as tentativas de privatização da ECT. E apesar de toda a burocracia do Bando dos Quatro apoiar todas essas políticas citadas e tentar desmobilizar a categoria para implantá-las, foram derrotadas pela luta dos trabalhadores centralizados pelo aparato dos sindicatos e da Fentect, contra a direção destes aparatos.

PSTU/Conlutas propõe rachar a Fentect

O PSTU/Conlutas propõe rachar a Fentect, dividindo a categoria, e criar a FNTC (Federação Nacional dos Trabalhadores nos Correios) e que foi apelidada pelos trabalhadores de Federação Anã, devido ao pequeno número de sindicatos e de trabalhadores na sua base (apenas 6% do total). Isso porque a Fentect estaria dominada pelos “governistas” do PT e do PCdoB e não corresponde mais aos interesses dos trabalhadores, e que deve ser criada uma outra federação de luta, pura e livre dos pelegos e “governistas”.
A federação criada proposta pelo PSTU/Conlutas agrupou os menores sindicatos do país e possui menos de 7% dos trabalhadores. São eles: Sintect-AM, Sintect-PB, Sintect-PI, Sintect-SJO, Sintect-VP e Sintect-PE.
São pequenos sindicatos que não possuem força para impor sua política contra a direção da ECT, que vai negociar com a Fentect e enfiar goela abaixo desses sindicatos a proposta da campanha salarial apresentada pelos patrões. Ou seja, vão ficar a reboque da política da Fentect e da direção da empresa e, pior, sem poder influir na luta interna da federação. Do ponto de vista da luta sindical e política é uma política de autoisolamento.
A divisão dos trabalhadores pode ainda contribuir para a manutenção do PT na direção da Fentect, pois a burocracia sindical do PT e do PCdoB vive a maior crise da sua história no movimento dos Correios e corre um grande risco de perder no Congresso da Fentect. A mobilização da categoria nos últimos anos, que levou o bloco dominante PT-PCdoB à sua crise final, está resultando em um quadro muito favorável aos setores oposicionistas no Congresso.
A saída do PCdoB na Fentect é o resultado dessa crise. A decisão é desesperada de quem foi atropelado pela mobilização dos trabalhadores em São Paulo e no Rio de Janeiro para tentar uma sobrevida através da traição que é a divisão da categoria.
Para piorar a situação do bloco pelego, a pequena maioria de delegados não garante um maioria política real e sólida. O bloco está todo esfacelado e enfraquecido, abrindo ainda mais as possibilidades para a oposição, tanto no congresso como na campanha salarial.
O racha do PSTU/Conlutas leva uma parte da oposição e somente facilita e dá uma sobrevida a burocracia do PT a frente da federação.
O problema fundamental para o bloco pelego dominante é que perdeu completamente a autoridade sobre os trabalhadores e, neste momento, somente sobrevive às custas de controlar precariamente um aparelho. Este problema é totalmente ignorado pelo PSTU/Conlutas e pelos seus aliados.


A nova federação criada pelo PSTU/Conlutas será mais combativa do que a Fentect?

Diante de todos os fatos apresentados fica uma pergunta: a nova federação do PSTU/Conlutas será mais combativa do que a Fentect?
Podemos utilizar como base para responder a este pergunta a experiência de outras categorias. Nos petroleiros existe um “clone” da federação anã dos Correios cuja atividade como “federação”durante os últimos seis anos podemos utilizar para tirar conclusões importantes dessa experiência.
O exemplo dos petroleiros é exatamente igual ao que está ocorrendo nos Correios. Nos petroleiros todos os sindicatos do país estavam filiados a FUP (Federação Única dos Petroleiros), que assim como na Fentect foi dominada pela burocracia sindical do PT.
Em 2006, o PSTU/Conlutas aliciou e iludiu cinco sindicatos para romper com a “governista” FUP para a criação de uma nova federação combativa e livre de pelegos. Para isso criaram a FNP, no início Frente Nacional dos Petroleiros que depois originou a Federação Nacional dos Petroleiros, formada por apenas cinco sindicatos e com um número reduzido de trabalhadores em comparação com a FUP, exatamente o mesmo processo que está sendo colocado em marcha nos correios.
Em comparação com a FNTC, a FNP é o dobro em representação dos trabalhadores relacionados aos seus respectivos rachas. O racha foi a partir de sindicatos pequenos em relação aos da FUP, onde possui seis sindicatos com uma base de aproximadamente 35 mil trabalhadores, quando a FUP possui 12 sindicatos e mais de 150 mil trabalhadores, ou seja pouco mais de 20% dos trabalhadores. Isso signica que a FNP poderia ter até mesmo mais influência do que a projetada federação anã dos correios.
Com essas informações podemos tirar a conclusão que são casos iguais para a mesma condição e situação.

E qual a realidade dessa nova federação?

A realidade dessa nova federação nos petroleiros é que ela se tornou nada mais e nada menos que um mero anexo da burocracia do PT e dá o aval para toda política de ataque ao movimento dos petroleiros.
A nova federação já assinou três acordos bianuais e pelo que tudo indica continuará aprovando nos próximos anos, pois não faz nenhum oposição aos acordos bianuais.
Também assinam todos os acordos salariais rebaixados impostos pela direção da Petrobrás e que foram negociados com a FUP. Reafirmamos que os acordos são exatamente iguais.
Um dos motivos é não possui força para negociar com a direção da Petrobrás e deixa o caminho livre para a burocracia sindical do PT na FUP negociar o que quiser com a empresa seguindo como o rabo segue o cachorro tudo o que é feito pela federação oficial. Tudo porque a oposição ficou ainda mais reduzida após o racha do PSTU/Conlutas dentro da FUP.
Os acordos bianuais e os acordos salariais rabaixados que foram impostos pela Petrobrás eram necessários de serem aprovados? Por que a direção da Federação Anã dos petroleiros do PSTU/Conlutas assinou os acordos? Os sindicalistas deveriam ter se colocado contrários à assinatura dos acordos bianuais e as propostas da Petrobrás e não assinando. Deveriam ter denunciando amplamente na base da categoria a tentativa da empresa em atacar os trabalhadores e explicar por que não estavam assinando. Mas o que houve foi um silêncio absoluto em torno do acordo bianual.
Não fizeram nada disso, a federação anã dos petroleiros, filiada à Conlutas, é uma simples sombra da FUP filiada à CUT.
Nos Correios o acordo bianual foi derrotado de maneira definitiva. O acordo bianual foi derrotado através de uma enorme campanha de denúncias e de mobilização dos trabalhadores. Particularmente a campanha foi realizada pela corrente Ecetistas em Luta através de boletins distribuídos amplamente na base de vários sindicatos.
A campanha foi tamanha que o quando o pelego do PCdoB do Sintect-RJ, “Ronaldão” (hoje aplaudido pelo PSTU), declarou que iria passar por cima do comando de negociação e assinar o acordo, foi impedido devido a dois ônibus com trabalhadores de Minas Gerais financiados pelo Sintect-MG e pela corrente Ecetistas em Luta para dar uma “coça” nos traidores. Fato que ocorreu e impediu a assinatura e abriu uma enorme crise no meio da burocracia sindical da Fentect. Para aprovar o acordo este mesmo PCdoB, que agora o PSTU elogia e apoia fraudou duas assembleias de trabalhadores porque não conseguiam aprovar o acordo de forma nenhuma.
A rejeição dos trabalhadores ao acordo bianual na Fentect foi tamanha que não houve nenhuma menção de novamente ser proposto nas campanhas salariais posteriores. Até mesmo o “pai” do acordo bianual, o secretário-geral da Fentect, José Rivaldo Talibã, foi obrigado a adotar o slogan “acordo bianual nunca mais”.
Talibã fez essa campanha mesmo ele e o PT sendo favoráveis ao bianual devido à imensa rejeição dos trabalhadores. Fica claro que os trabalhadores impuseram essa derrota para a burocracia sindical do PT e do PCdoB. Ou seja, derrotaram através da luta e da mobilização da categoria, derrotaram porque foi feita uma ampla denúncia do acordo bianual e os trabalhadores logo perceberam, através da discussão, que o acordo era uma armadilha patronal, e não com novos sindicatos ou federações. A campanha foi realizada a partir da luta e se apoiando nos trabalhadores, esclarecendo os trabalhadores e não nos aparatos sindicais.
A campanha contrária que está sendo feita pelo PSTU/Conlutas é o oposto desta realidade, a de que a burocracia sindical é impossível de ser derrotada e é preciso de um novo aparato de organização. Uma verdadeira farsa que revela apenas que o PSTU/Conlutas não quer derrotar os pelegos.
Em toda a campanha contra o acordo bianual o PSTU/Conlutas não teve nenhuma participação, somente atuou contra o bloco de oposição formado por 17 sindicatos contra o bianual.

E por que a federação anã dos petroleiros comandada pelo PSTU/Conlutas assinou 3 acordos bianuais?

Nos petroleiros a FNP, ou federação anã, e o PSTU/Conlutas assinaram os 3 acordos bianuais e não denunciou em nenhum momento esse tremendo ataque porque não são contrários ao bianual.
Se fossem contrários estariam realizando campanhas e mobilizando os trabalhadores para evitar a assinatura dos acordos bianuais. Como não tem ninguém, ou nenhum grupo realizando uma campanha ampla na categoria contra o acordo bianual, a FNP não vê problema na assinatura desses acordos.
Nos Correios a situação foi de que havia uma ampla campanha realizada pelo PCO e por outros grupos que forçaram o PSTU/Conlutas e os sindicatos da Federação Anã a se colocarem contra o acordo bianual, mas que na verdade não eram contrários a esse tipo de acordo. Foi uma divergência imposta a eles pela mobilização dos ecetistas senão teriam assinado sem problema e oposição alguma. Como efetivamente estão fazendo nos petroleiros.

Mais “pelega” que a Fentect

Nesse sentido a Federação Anã do PSTU/Conlutas é muito mais “pelega” que a Fentect, pois assinaram já 3 acordos bianuais que só favoreceram os patrões e sua política de destruição da Petrobrás, enquanto que a Fentect assinou apenas um e já desistiu desta política por pressão das bases. No jogo para ver quem é mais pelego o placar mostra com toda a clareza: 3 x 1 para a federação anã! Conseguiram, como uma direção de “puros” antigovernistas da Conlutas ser mais pelegos que a organizaçãoo dirigida pelo PT governista que conta com cerca de 300 sindicalistas em cargos na estatal!
A FNTC não vai ser mais combativa e de luta do que a Fentect, pelo contrário vai atuar ainda mais contra os trabalhadores conforme o exemplo do seu “clone” nos petroleiros. Desafiamos qualquer pessoa a refutar nosso argumento de que FNTC vai ser mais pelega que a Fentect.

Metroviários SP: LER-QI participa da traição do PSTU/Conlutas


Após a traição do PSTU/Conlutas, que resultou no fim de uma das maiores greves dos metroviários de São Paulo, a Liga Estratégia Revolucionária, também parte da Conlutas, faz demagogia afirmando que a categoria mostrou sua força e tenta esconder a farsa afirmando que houve conquistas econômicas, pois apoiou e participou do golpe contra os trabalhadores

Em um pequeno balanço sobre a greve dos metroviários de São Paulo, a Ler-Qi faz um papel vergonhoso e capitulador  escondendo as traições do PSTU/Conlutas.  Afirma na matéria que “este ano os metroviários mostraram que todos estavam errados e que tem uma força capaz de parar a principal cidade do país”, para servir de consolo para os trabalhadores que realizaram uma enorme greve completamente à toa.
Também afirmam que houve avanços econômicos, uma manifestação extremada de demagogia e tentativa de enganar os trabalhadores, uma vez que todos sabem que a proposta aprovada é muito mais rebaixada que a apresentada pelo sindicato, e também pior do que a apresentada pelo juiz do TRT (Tribunal Regional do Trabalho), e rejeitada amplamente pelos trabalhadores na assembleia que deflagrou a greve.
A proposta aceita pela direção do sindicato foi de 6,09% quando a reinvindicação era de 22,06%. O aumento do adicional de risco de vida para os Agentes de Segurança (AS´s) e Agentes de Estação (AE´s) passou de 10% para 15% quando o pedido era para 30%, como acontece nos ferroviários, ou seja, apenas um reajuste da inflação. O governo nem tocou no assunto dos demitidos políticos da greve de 2007, na equiparação salarial, plano de saúde para os aposentados e na participação dos resultados. Qual seria os ganhos econômicos da categoria? Esta afirmação é claramente uma tentativa de esconder capitulação a traição do PSTU/Conlutas, justificando o injustificável, ou seja, acabar com agreve sem qualquer resultado ou qualquer motivo.

Ocultam a traição do PSTU/Conlutas

Para a LER-QI o “erro” (não a traição) do PSTU foi de não ter preparado a greve. Afirmam que “o Sindicato se negou a organizar setoriais nas linhas, no setor da operação, seguindo com uma lógica caudilhesca de que quem constrói a greve é apenas a diretoria do Sindicato e dificultando o surgimento de novos ativistas e setores de vanguarda”. Uma afirmação sem sentido porque apesar da diretoria do sindicato boicotar abertamente a greve, a greve aconteceu com a adesão de grande parte da categoria e que parou todos os setores do metrô.
O que a LER-QI oculta na sua análise foi a traição e a realização de uma assembleia-farsa pela direção do sindicato do PSTU/Conlutas para acabar com a greve.
O que realmente aconteceu e que a LER-QI quer ocultar dos seus militantes e dos trabalhadores é o seguinte. A direção do sindicato nunca foi a favor da realização da greve, exatamente o que aconteceu no ano passado, quando não houve greve, também sem nenhuma conquista. No entanto, a diretoria do PSTU/Conlutas vendo a impossibilidade de encerrar a greve numa assembleia dos trabalhadores foi obrigada a aceitar a deflagração da greve, com medo de confrontar os trabalhadores. Porém, trabalhou desde o primeiro minuto depois da deflagração da greve para abortar o movimento.
Tratou de manobrar de todas as maneiras para acabar com a greve. Mudou os horários da assembleia mais de uma vez, mudou o horário para as 12h em vez das 18h como sempre acontecia. Problemas no deslocamento dos trabalhadores, ativistas nos piquetes no horário da greve, mobilização de muitos militantes do PSTU (inclusive os conhecidos pelas traições em suas próprias categorias, como Zafalão da Apeoesp e Jacaré Cargo Amplo, dos Correios) em uma assembleia esvaziada.
Nesse sentido a LER-QI se calou e não denunciou uma linha da traição e das manobras.

Por que a LER-QI oculta a traição do PSTU/Conlutas?

Fica clara a capitulação da LER-QI em criticar apenas a preparação da greve pois participou ativamente da farsa e de que ajudaram o PSTU/Conlutas a encerrar a forte greve dos metroviários.
Apesar de afirmarem que são oposição à diretoria do Sindicato dos Metroviários, dominada pelo PSTU/Conlutas, o que foi visto nas assembleias foi um total apoio à política traidora que acabou com a greve.
Em nenhum momento houve uma qualquer denúnica verbal ou através de panfletos denunciando as manobras da diretoria do sindicato contra os trabalhadores e em favor do PSDB em São Paulo. O que foi observado foi justamente o contrário. O principal dirigente da LER-QI, que também é da categoria dos metroviários, defendeu a proposta traidora do PSTU/Conlutas para confundir ainda mais os trabalhadores.
Ocultam a traição e se dizem oposicionistas à diretoria dos sindicato, mas estão sempre a reboque das traições do PSTU. Não conseguem ter uma posição independente do PSTU e somente são uma cobertura de esquerda para uma política traidora.
Participaram ativamente da traição e ajudaram a diretoria a encerrar uma das maiores greves dos metroviários já realizada sem qualquer motivo. A proposta defendida juntamente com a diretoria do PSTU/Conlutas é uma traição a todos os trabalhadores metroviários.

Esse é o papel da Conlutas?

Esses setores fazem propaganda da suposta combatividade da Conlutas e sua independência diante dos governos. Mas na greve dos metroviários foi visto um total apoio ao governo do PSDB de Geraldo Alckmin.
A LER-QI revela uma total dependência e participa ativamente das traições e da política oportunista do PSTU.
A proposta apresentada pelo PSTU/Conlutas foi uma defesa do governo tucano, que estava contra a parede diante da greve. Também não denunciou a aliança entre o PSTU/Conlutas com a sublegenda do PSDB, o PPS, para ganhar a direção do sindicato. Fato que não diferenciou em nada a política do PSTU/Conlutas, atual diretoria, a do PCdoB/CTB, das gestões anteriores.
E os defensores da combatividade da Conlutas não só ficaram em silêncio, mas participaram ativamente.
Se for para fazer esse papel e, na melhor das hipóteses, realizar a mesma política da articulação do PT dentro da CUT, o argumento utilizado para rachar as organizações fica ainda mais falso.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Uma corrida por mais cargos, privilégios e verba estatal


A criação de novas federações que está sendo defendida pelos sindicalistas traidores do PCdoB e do PSTU/Conlutas é puro desespero diante da rejeição dos trabalhadores à sua política e uma disputa meramente por cargos e privilégios dados às federações. Um estelionato político contra os trabalhadores 

No momento de maior crise do bloco dominante da burocracia sindical dos Correios (PT-PCdoB), com a desfiliação dos sindicatos de São Paulo e Rio de Janeiro, dirigidos pelo PCdoB/CTB com a Fentect, o PSTU/Conlutas, estimulado por essa iniciativa, voltaram a propor a divisão da categoria para formar mais uma federação, a chamada Federação Anã, FNTC (Frente Nacional dos Trabalhadores dos Correios).
Se vitoriosa a divisão, os efeitos nocivos à luta da categoria serão claros: enfraquecerá o poder de pressão e organização dos trabalhadores em nível nacional, isolando os sindicatos sem nenhuma organização centralizada, unificada, que facilitará enormemente os ataques da ECT contra os trabalhadores, sobretudo durante a campanha salarial, as greves e as mobilizações, ou seja, a divisão significa claramente a perda de conquistas econômicas e políticas para a categoria, uma política que só poderia ter serventia para os patrões.
Sabendo disso, porém, deixando de lado os argumentos demagógicos do PCdoB, que são verdadeiros gangsters do movimento sindical e que tiveram um papel protagonista na aprovação dos piores acordos e ataques dos patrões contra os trabalhadores dos Correios (PCCS da Escravidão, acordo bianual, banco de horas etc), por que defende o PSTU/Conlutas com argumentos “esquerdistas” a formação de mais uma federação?
Trata-se apenas e tão somente dos benefícios particulares que a FNTC (Frente Nacional dos Trabalhadores dos Correios), a chamada Federação Anã conseguirá uma vez legalizada. É uma corrida desesperada por cargos, privilégios e verba estatal, que não tem nenhuma relação com a luta e os interesses dos trabalhadores para derrotar os pelegos e enfrentar a empresa.
O desespero é tamanho que pode ser comprovado no último manifesto da Federação Anã, em que o PSTU/Conlutas saudou de maneira entusiástica o racha do PCdoB procurando legitimar essa política de direita com uma cobertura de esquerda chegando até mesmo a propor uma aliança com o PCdoB para conseguir o número de sindicatos necessários para a legalização de uma nova federação e ainda foram além fraudando as assinaturas dos sindicatos da Paraíba e Piauí para tentar mostrar que essa política tem algum apoio, o que já foi desmascarado.
Fica claro, dessa forma, que a ruptura não é com a política do PT e da burocracia sindical, com o governo e a direção da empresa, como eles procuram apresentar, mas uma ruptura com o aparelho da qual o PT rifou o PCdoB ameaçando indiretamente o PSTU, que agora quer formar a todo o custo uma nova federação. Mais um aparelho, mais um cabide de emprego para um grupelho de sindicalistas parasitários. É o interesse no dinheiro estatal que é dado às federações, as benesses de ficarem liberados do trabalho e outros privilégios que estimulam essa política da Conlutas.
Não é com base na necessidade de organizar um movimento de oposição, derrubar os pelegos, agrupar as massas, fazer evoluir a consciência do trabalhador sobre os métodos de luta e os seus interesses. Para o PSTU, o problema é encarado de maneira extremamente burocrática e oportunista. Formar uma nova federação é como lançar-se num empreendimento comercial, legalizá-lo e disputar uma fatia do mercado capitalista.
A federação anã e o racha, portanto, é uma fraude, um estelionato político para enganar os trabalhadores sobre os verdadeiros interesses que estão em jogo. Enquanto o trabalhador fica dividido, em duas, três, quatro federações formadas por cada grupo de vigaristas sindicais que existem nos Correios, o PSTU/Conlutas, Federação Anã, PCdoB/CTB etc ganham cargos, dinheiro e privilégios. 
Se o objetivo fosse combater os pelegos e se opor à política que está sendo levada pela Fentect, dirigida majoritariamente pelo PT, a Conlutas não estaria “rompendo” no exato momento de maior crise, no qual está colocada a possibilidade concreta de derrotar o PT, pois logicamente, seus interesses são outros. 
Os divisionistas não têm nenhum exemplo importante no qual a divisão dos trabalhadores foi capaz minimamente de impulsionar uma luta.
Em outras categorias operárias, nenhum trabalhador teve qualquer benefício com essa política, como é o caso da federação que o PSTU criou nos petroleiros que no período de campanha salarial fica a reboque da CUT e do PT, sem fazer nenhuma oposição ao peleguismo. Pelo contrário esses guetos sindicais que são criados além de serem muito mais fracos são ainda mais burocráticos por não estarem sob a pressão massiva dos trabalhadores.
É necessário denunciar essa política criminosa, organizar a categoria para impedir a divisão dos trabalhadores e aproveitar a crise terminal do Bando dos Quatro (PT-PCdoB-PSTU-Psol) para derrotá-los e tomar de volta os sindicatos e organizações dos trabalhadores, a Fentect para o controle da categoria, sob uma direção combativa, classista. 

O que significa o chavão “governista” utilizado pelo PSTU/Conlutas


Para dar um ar de esquerda para uma das maiores traições aos trabalhadores levada adiante pelo PCdoB, o PSTU/Conlutas utiliza o chavão, o do “governismo”, para romper com esta e buscar cargos e benefícios com a criação de uma nova federação 


O PSTU/Conlutas tenta justificar a política traidora e covarde do PCdoB, e seguida por esta organização, de ruptura com a Fentect, pois esta seria “governista” e não defenderia mais os interesses dos trabalhadores.
É importante lembrar que esses chavões utilizados pelo PSTU/Conlutas servem apenas para intimidar seus opositores e impedir a discussão sobre o tema.
O PSTU se aproveita de preconceitos pequeno-burgueses da burocracia sindical, bem como da própria campanha da direita contra o governo do PT, para realizar uma das maiores traições contra os trabalhadores dos Correios, que seria a quebra da unidade dos trabalhadores em busca de cargos na nova “federaçãozinha”.
Por que seria importante ser “antigovernista” e o que significa isso? Não são o PSDB e o DEM também antigovernistas?
Sim. E a resposta revela que apenas ser antigovernista não significa nada. O “governismo” é, assim, um termo sem conteúdo usado pelo PSTU como espantalho e como argumento mais moral que político para convencer os setores mais pequeno-burgueses da esquerda a aderir à sua política.
A luta da classe operária é contra a burguesia, não contra os governos em abstrato e, deste ponto de vista geral, não há diferenças senão secundárias entre um burocrata sindical do PT ou do PSDB, quem quer que esteja no governo.

O PSTU sempre esteve aliado aos “governistas”

Na história de formação do PT e da CUT, o PSTU sempre esteve de mãos dadas com essa burocracia e apoiou os maiores ataques a classe trabalhadora apoiando diretamente os pelegos.
O termo “governismo” serve para omitir inclusive que a direção da CUT era governista desde a época do Plano Cruzado, que sustentou o governo Sarney na década de 80. Apoiaram e participaram das câmaras setoriais criadas pelo governo de Itamar Franco para juntamente com os patrões atacar os trabalhadores em benefícios da burguesia.
Essa política da direção da CUT sustentou diversas políticas governamentai, e é importante lembrar que o PSTU, na época Convergência Socialista, sempre apoiou diretamente ou fazendo uma oposição de fachada, com discursos sem a mobilização dos trabalhadores.
Esse partido, por exemplo, não apenas apoiou, como compôs chapa para a CUT junto com Vicente de Paula, o “Vicentinho”, sindicalista amplamente apoiado pela burguesia e em favor de quem  a imprensa burguesa realizava uma enorme campanha. Vicentinho implantou uma política de amplo apoio ao sistema capitalista e ao neoliberalismo, sufocando a classe operária.

Traição em troca de cargos

O PSTU/Conlutas silencia para não expor o conteúdo profundamente patronal e oportunista de sua política. A falta de discussão gera uma enorme confusão entre os trabalhadores e direções sindicais. Essa campanha leva setores centristas e bem intencionados a aderir a uma política profundamente covarde e oportunista com um verniz de esquerda.
A ruptura do PCdoB no Rio de Janeiro e em São Paulo revelou o caráter profundamente patronal da política de abandono da federação. A saída dos sindicatos de São Paulo e do Rio de Janeiro foi uma medida de desespero para se manterem na direção dos sindicatos e a criação de novos cargos de uma nova federação, abocanhando uma parcela do dinheiro destinado a Fentect.
Deve ficar claro para o trabalhador que o rompimento com a Fentect beneficiará a manutenção do PT no controle da federação e a direção da ECT nas campanhas salariais, pois os trabalhadores estarão divididos e enfraquecidos.
Tanto o PSTU/Conlutas quanto o PCdoB, realizam uma política criminosa em busca de benefícios, vivendo parasitariamente do aparelho sindical. Não estão minimamente interessados na derrubada da burocracia do PT da direção da Fentect.
Os trabalhadores devem se opor a essa política criminosa de dividir os trabalhadores. Não devem aceitar o parasitismo nos sindicatos e a utilização das organizações dos trabalhadores em troca de favores e benefícios.

A política divisionista serve para criar um novo cabide de empregos


O PSTU/Conlutas quer colocar em prática, nos Correios, sua política divisionista, rachando a Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios) e criando outra federação. Os motivos alegados pelo PSTU para cometer esse crime contra a categoria são os mais “nobres” e “esquerdistas” possíveis, dizendo que a Fentect, dominada pelo PT, é “ pelega, traidora e patronal” 

O PSTU/Conlutas quer colocar em prática, nos Correios, sua política divisionista, rachando a Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios) e criando outra federação. Os motivos alegados pelo PSTU para cometer esse crime contra a categoria são os mais “nobres” e “esquerdistas” possíveis, dizendo que a Fentect, dominada pelo PT, é “ pelega, traidora e patronal”.
Deixando de lado a farsa pequeno-burguesa, inventada apenas para justificar uma política capituladora diante da burocracia sindical, se o PSTU quer sair da Fentect por todos esses motivos nobres por que seria necessário criar outra federação? Por que o PSTU não sai apenas e fazem uma “oposição”  de fora dessa federação amaldiçoada?
Não é isso o que acontece. Não basta só sair da Fentect, tem que criar outra federação, ainda que na prática essa nova federação, muito bem apelidada de “Federação Anã” não represente nada, já que terá uma ínfima parte da categoria, no caso em questão, cerca 8% dos trabalhadores. É mais do que óbvio que não dá para dirigir a luta com apenas 8% da categoria.
Se o PSTU e seus satélites não aguentam mais conviver com a burocracia petista na Fentect, bastava sair e ficar fazendo oposição do lado de fora. Isso se  o interesse dessa organização fosse de fato com a luta dos trabalhadores.
Essa questão é outra revelação do verdadeiro teor da política do PSTU. O interesse, à parte todo o discurso pseudo-radical “esquerdistas”, no sentido que que Lênin dá a esse termo, é o aparato e os benefícios que um aparato podem trazer para um burocrata sindical.
Por isso, o PSTU tem levantado, junto com os “combativos” divisionistas do PCdoB (eles não são governistas?), várias alegações jurídicas para provar que eles podem sim montar outra federação e que essa federação poderia negociar etc. etc. etc. Para eles, simplesmente não existe argumentos políticos, apenas a necessidade de garantir seu privilégio, custe o que custar.
Criar uma nova federação com seis sindicatos para confundir, dividir e enfraquecer os trabalhadores é a maneira que o PSTU encontrou de legalizar um micro empreendimento, pegando carona no incentivo dado pela próprio lei burguesa, para ganhar as sobras que caem da mesa dos patrões enquanto esses negociam com a burocracia sindical oficial do PT.
Com a “Federação Anã”, o PSTU aumentaria o número de diretores liberados e teria um jeito de ficar com uma parte, ainda que menor, do dinheiro que sobra dos sindicatos. Essa é a única explicação da fúria com que o PSTU vem defendendo a ruptura a criação de uma nova federação: a criação de um novo cabide de empregos para burocratas.

PT rachou a Andes: Vamos aplaudir toda as rupturas?


O PT dividiu a Associação Nacional de Docentes e criou outro sindiato de professores universitários 

O PSTU e seus satélites na Conlutas adoram defender a divisão dos trabalhadores, como foi a própria criação da Conlutas, com um argumento que não significa nada do ponto de vista do marxismo e da luta revolucionária: o “governismo”. Para esses esquerdistas pequeno-burgueses seria muito relevante um sindicato ou federação ou central “defender o governo”, independentemente do caráter de classe dela.
A saída da CUT e da FUP (Federação Única dos Petroleiros) e a criação de federações minúsculas, formadas com uma parte residual da categoria, como estão querendo fazer agora com a Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores do Correios) eram sempre justificadas pela terrível palavra “governismo”. Para o PSTU e seus satélites, uma organização sindical tem que ser realmente pura e santificada, ou não serve. Portanto, a melhor coisa a se fazer seria romper e criar uma nova organização, livre desses “governistas” impuros.
Mas será que o PSTU é realmente coerente com sua política divisionista? Vejamos o exemplo da associação de professores universitários.
Há muito tempo, uma aliança do PSTU e do Psol domina a diretoria da Andes-SN (Associação Nacional dos Docentes). Abstraindo o fato de que tanto PSTU como Psol fazem nessa instituição e nos sindicatos ligados a ela um verdadeiro trabalho de contenção do movimento de estudantes, funcionários e professores nas universidades públicas, a ANDES seria um caso bem raro de “pureza antigovernista”, constituindo um dos maiores sindicatos na “pura” Conlutas.
No entanto, os impuros “governistas” do PT parecem ter ouvido as reclamações do PSTU. Com uma manobra, o PT rompeu com a ANDES e formou outro sindicato representando os docentes das Universidades Federais, o Proifes (Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior).
De acordo com a política do PSTU, manobra do PT respondida da seguinte maneira: o Proifes é bom para a categoria dos docentes.
E então, PSTU, a ANDES melhorou com o racha do PT? Nesse caso, devemos defender a unidade ou o racha? O PSTU “aplaude todas as rupturas” como está fazendo nos Correios com o PCdoB?
Para ser coerente com sua política divisionista, o PSTU deveria agradecer o PT por ter rompido com a ANDES e criado outro sindicato, afinal de contas, agora a Andes está livre dos “governistas”. Ou, no mínimo, a saída dos governistas deveria ter sido indiferente a eles. Mas sabemos que não foi essa a reação do PSTU. Apesar de terem capitulado como sempre fazem para o PT, o PSTU tentou reclamar e acusar o PT pelo racha.
Moral da história: para o PSTU, o que vale é o cargo. Se o PSTU está na direção da entidade, então não importa se há ou não governistas; a categoria deve ficar unida.
Mas se eles estão na oposição, então é preciso criar sua “federação anã”, sua central de mentirinha, enfim, organizações de fachada e dividir os trabalhadores.